O Ministério da Saúde incluiu o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para o rastreamento do câncer colorretal. A medida contempla homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos e busca ampliar a identificação precoce da doença.
A inclusão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (10). Embora a norma já esteja em vigor, o novo procedimento será incorporado aos sistemas de registro do SUS a partir de setembro.
O teste será oferecido na modalidade ambulatorial e está classificado como um procedimento de atenção básica. A previsão é que o exame seja realizado a cada dois anos dentro da estratégia de rastreamento.
Como funciona o teste
O FIT é utilizado para identificar a presença de sangue oculto nas fezes, que pode ser um dos sinais associados a alterações no intestino e ao câncer colorretal.
Por ser um exame de rastreamento, ele é destinado a pessoas que não apresentam sintomas. A proposta é identificar possíveis alterações antes que a doença avance, permitindo a investigação médica e, quando necessário, a realização de exames complementares.
A estratégia é diferente da investigação de pacientes que já apresentam sinais suspeitos. Nesses casos, a avaliação deve ser feita pelos serviços de saúde de acordo com os sintomas e a indicação clínica.
Quem poderá fazer pelo SUS?
De acordo com a nova norma, o procedimento será destinado a:
- Homens e mulheres;
- Pessoas assintomáticas;
- Com idade entre 50 e 75 anos;
- Para rastreamento do câncer colorretal;
- Com realização prevista a cada dois anos.
O exame será disponibilizado dentro da rede pública, conforme a organização dos serviços de saúde e os fluxos estabelecidos pelo SUS.
Mudança no protocolo de rastreamento
A inclusão do FIT faz parte de uma mudança anunciada pelo Ministério da Saúde para fortalecer a detecção precoce do câncer colorretal no país.
Em maio, a pasta já havia informado que adotaria um novo protocolo no SUS para auxiliar no diagnóstico precoce da doença. A incorporação do teste à tabela de procedimentos representa uma das etapas para colocar a estratégia em funcionamento na rede pública.
O câncer colorretal envolve tumores que se desenvolvem no intestino grosso, no cólon e no reto. A identificação em fases iniciais pode aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir o impacto da doença.
Por que o rastreamento é importante?
Uma das dificuldades no combate ao câncer colorretal é que a doença pode evoluir durante algum tempo sem provocar sintomas claros. Por isso, estratégias de rastreamento são utilizadas para encontrar alterações antes do surgimento de manifestações mais graves.
O FIT pode contribuir justamente nesse processo ao detectar pequenas quantidades de sangue nas fezes que não são necessariamente percebidas pela pessoa.
Um resultado alterado, entretanto, não significa que a pessoa tenha câncer. O teste funciona como uma ferramenta de rastreamento e, diante de uma alteração, o paciente deverá ser encaminhado para avaliação e investigação complementar.
Quando o exame começa a aparecer no SUS?
A portaria publicada nesta segunda-feira (10) já produz efeitos. No entanto, o procedimento será registrado nos sistemas de informação do SUS a partir do próximo mês.
Na prática, a implantação dependerá da organização da rede pública e dos fluxos definidos pelos gestores de saúde para oferta do exame à população que se enquadra nos critérios.
A recomendação para pessoas na faixa etária indicada é procurar a unidade de saúde de referência para obter informações sobre a disponibilidade do procedimento e o fluxo de atendimento no município.
Relembre
O câncer colorretal está entre os tipos de câncer que exigem atenção para o diagnóstico precoce. Com a nova estratégia, o Ministério da Saúde pretende ampliar o rastreamento na população de 50 a 75 anos, utilizando um exame menos invasivo para identificar possíveis sinais que precisam de investigação.
A inclusão do FIT na tabela do SUS permite que o procedimento passe a integrar oficialmente a relação de exames utilizados pela rede pública para essa finalidade.






