O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta terça-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa para a disputa do Palácio do Planalto nas eleições de 2026. A escolha coloca ao lado do senador um nome com longa trajetória no Ministério Público, passagem pelo comando da Segurança Pública de Alagoas e atuação na Câmara dos Deputados desde 2023. O anúncio encerra semanas de negociações e marca uma mudança de estratégia da campanha, que buscava ampliar alianças com outras legendas antes de optar por um nome do próprio Partido Liberal.
Quem é Alfredo Gaspar
Aos 55 anos, Alfredo Gaspar de Mendonça é uma das principais lideranças políticas do PL em Alagoas. Formado em Direito, iniciou a carreira no Ministério Público Estadual, onde atuou como promotor de Justiça e, posteriormente, foi escolhido procurador-geral de Justiça do Estado, cargo máximo da instituição.
Também ocupou a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas, período em que ganhou projeção nacional por defender uma política de enfrentamento ao crime organizado e fortalecimento das forças policiais.
Em 2022, deixou o Ministério Público para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, sendo eleito deputado federal pelo PL. Desde então, passou a integrar a bancada do partido em Brasília, com atuação voltada principalmente para temas relacionados à segurança pública e ao sistema de Justiça.
Escolha encerra semanas de negociações
A definição do vice ocorreu após uma série de negociações conduzidas por Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o senador buscava construir uma chapa mais ampla, tentando atrair partidos do chamado Centrão. Um dos nomes mais cotados era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que acabou não integrando a chapa após a decisão do Progressistas de permanecer neutro na disputa presidencial.
Sem acordo com outras legendas, o PL optou por uma composição interna. A escolha de Alfredo Gaspar também é interpretada como um reforço ao discurso de segurança pública, uma das principais bandeiras defendidas pelo partido.
Perfil técnico e experiência jurídica
Além da atuação política, Alfredo Gaspar construiu sua carreira no sistema de Justiça. No Ministério Público de Alagoas, participou de investigações criminais e exerceu funções de direção até chegar ao cargo de procurador-geral de Justiça. Na Secretaria de Segurança Pública, coordenou ações de integração entre as polícias Civil e Militar e programas voltados ao combate às organizações criminosas.
Esse histórico foi apontado por aliados como um dos fatores que pesaram na escolha para compor a chapa presidencial.
Chapa entra oficialmente na disputa
Com a definição do vice, Flávio Bolsonaro conclui a formação de sua chapa para a disputa presidencial de 2026. A campanha agora concentra esforços na consolidação das alianças estaduais e na agenda eleitoral para o primeiro turno, marcado para outubro. A escolha de Alfredo Gaspar reforça a estratégia do PL de apresentar uma chapa com forte identidade partidária e ênfase em pautas ligadas à segurança pública, combate ao crime e gestão pública.
Existem alguns episódios de natureza política e judicial envolvendo o vice de Flávio
- Troca de ações judiciais com Lindbergh Farias (PT)
Após os confrontos durante a CPMI do INSS, Alfredo Gaspar foi alvo de uma queixa-crime apresentada por Lindbergh Farias por calúnia, difamação e injúria. Gaspar respondeu alegando imunidade parlamentar e apresentou uma queixa contra Lindbergh, sustentando que apenas reagiu às ofensas recebidas. O caso tramita no STF e não há decisão de mérito. - Acusação de estupro feita por adversários políticos
Durante os trabalhos da CPMI do INSS, Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke fizeram acusações públicas contra Alfredo Gaspar. O deputado negou as acusações, afirmou que houve confusão com um caso envolvendo um primo, apresentou exame de DNA e acionou a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o STF para apurar o episódio. Até o momento, não há condenação nem confirmação judicial da acusação. - Ação por danos morais
A empresária Roberta Luchsinger ingressou com ação cível por danos morais após declarações públicas de Alfredo Gaspar durante a CPMI do INSS. Trata-se de uma ação indenizatória em tramitação, sem julgamento definitivo. - Relatório da CPMI do INSS rejeitado
Como relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar apresentou um relatório com pedidos de indiciamento de mais de 200 pessoas. O parecer foi rejeitado pela maioria da comissão, encerrando os trabalhos sem aprovação de um relatório final. Isso representa uma derrota política, mas não configura problema judicial.






