Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) mostra que a maior parte da população brasileira considera que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve responsabilidade na decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas sobre produtos brasileiros.
De acordo com a pesquisa, 51% dos entrevistados afirmam que o parlamentar influenciou a adoção das sanções ao solicitar ao presidente Donald Trump medidas contra o Brasil. Outros 30% entendem que a responsabilidade é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por causa da condução das relações entre os dois países, tese defendida por Flávio Bolsonaro.
O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes do anúncio oficial da nova tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
Governo americano confirmou nova tarifa
Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação aberta contra o Brasil e oficializou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida foi adotada após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, algumas políticas brasileiras criariam obstáculos ao comércio e prejudicariam empresas norte-americanas.
O relatório menciona questões relacionadas ao Pix, à regulamentação das plataformas digitais, à proteção da propriedade intelectual, ao mercado de etanol, ao combate à corrupção e às políticas de enfrentamento ao desmatamento ilegal.
Apesar da sobretaxa, o governo dos Estados Unidos retirou da lista mais de 1,6 mil produtos, entre eles petróleo, café, carne bovina, aeronaves e diversos insumos industriais.
Flávio tenta culpar Lula
Em publicação no X nesta quinta-feira 16, um dia após a confirmação da medida pelo governo de Donald Trump, o senador afirmou que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil”, comparou o petista ao ex-presidente norte-americano Joe Biden e disse que o País estaria “num avião sem piloto”. Na postagem, Flávio escreveu ainda que “quem olha pro Lula não enxerga futuro” e associou o presidente a “atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência” e “vingança”.
As críticas contrastam com a atuação do próprio Flávio durante o processo que levou à decisão americana. Desde o início da investigação, o senador esteve entre os principais interlocutores do grupo bolsonarista junto a autoridades dos Estados Unidos. Ele enviou uma carta ao USTR, em que defendia a intenção de “livrar” o Brasil “das garras” do Mercosul (organização intergovernamental regional sul-americana) e aliviar a carga regulatória e tributária sobre empresas de cartão de crédito e outros meios de pagamento — cerne dos ataques de Washington ao Pix.
Depois, Flávio participou de audiência pública em Washington, nos dias finais da investigação, e defendeu o adiamento das tarifas para depois das eleições presidenciais, argumentando que um eventual governo seu adotaria uma política comercial diferente da atual. A iniciativa foi apresentada sem representar oficialmente o governo brasileiro. A estratégia buscava reduzir o desgaste provocado pela aproximação da família Bolsonaro com integrantes do governo Trump durante a tramitação da investigação comercial.
Mesmo com a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema diretamente com Trump, 57% dos brasileiros disseram não saber da viagem. E entre os que sabem, o ceticismo é maior do que a confiança: 58% acham que ele não tem força para convencer Trump e o governo americano a rever as tarifas contra o Brasil, contra 34% que acreditam que sim.
Lula defende reciprocidade
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu de forma contundente e colocou em prática os primeiros passos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o governo brasileiro afirmou que “o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”.
Lula põe a Lei da Reciprocidade na mesa após Trump impor tarifa de 25% ao Brasil






