EXCLUSIVA – URGENTE: Em Divinópolis, excursão para evento católico da Canção Nova termina com Boletim de Ocorrência; participantes apontam suspeita de estelionato

Participantes afirmam que pagaram por excursão para o PHN 2026, mas a viagem não aconteceu. Organizador reconhece erro, pede desculpas, promete devolver os valores e caso passa a ser apurado pelas autoridades.

Publicado por: Geraldo Passos

Uma excursão organizada para levar fiéis ao PHN 2026, tradicional evento promovido pela Canção Nova, terminou em frustração, prejuízo financeiro e registro de boletim de ocorrência. O caso, segundo as denunciantes, envolve supostamente Thiago Fernandes Gontijo, apontado por elas como conhecido membro da Igreja São José Operário e frequentador de um grupo de oração no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Ele teria promovido a viagem por meio de grupos de WhatsApp, enviando aos participantes informações sobre transporte, hospedagem e detalhes da programação. Após o cancelamento da excursão, cinco participantes procuraram a Polícia Militar e registraram um boletim de ocorrência, alegando que os valores pagos não foram devolvidos conforme prometido. Procurado pelo Divinews, o organizador admitiu ter cometido um erro, afirmou estar arrependido e disse que está providenciando a restituição dos valores aos envolvidos. Questionado sobre relatos feitos por ele próprio em áudios enviados a uma das vítimas, nos quais teria mencionado problemas envolvendo jogos e empréstimos com terceiros, Gontijo negou ao Divinews que esses fatores tenham sido a causa da situação.

São José e grupo de oração Nossa Senhora Aparecida

Segundo os documentos analisados pelo Divinews, e denúncia  de uma das vitimas a excursão promovida pelo autor inha como destino o PHN, um dos maiores encontros da Renovação Carismática Católica do país, realizado anualmente na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

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Viagem foi divulgada durante meses

As conversas obtidas pela reportagem mostram que a organização da viagem ocorreu durante vários meses. Mais precisamente segundo uma das denunciantes, desde fevereiro.

Os participantes recebiam informações sobre datas de pagamento, horários de saída, orientações para embarque, localização da pousada e até recomendações sobre roupas devido ao frio previsto na região.

Também foram compartilhadas informações sobre alimentação, hospedagem e localização próxima à Canção Nova, transmitindo aos participantes a impressão de que toda a logística já estava organizada.

Em diversas mensagens, o organizador respondia dúvidas, negociava formas de pagamento, aceitava parcelamentos e encaminhava chave Pix para recebimento dos valores.

Grupo acreditava que viagem aconteceria normalmente

As conversas mostram que, até poucos dias antes da data prevista para o embarque, os participantes continuavam recebendo informações sobre horários de saída, documentos necessários e demais detalhes da viagem.

Em mensagens enviadas ao grupo, o organizador informou que o ônibus sairia de dois pontos distintos e afirmou que posteriormente encaminharia a placa do veículo.

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Também foram enviadas informações sobre a pousada onde o grupo ficaria hospedado, inclusive indicando sua proximidade com a Canção Nova. Para os participantes, nada indicava que a excursão não seria realizada.

Cancelamento ocorreu às vésperas da viagem

Segundo o boletim de ocorrência, a viagem acabou não acontecendo. As vítimas relataram à Polícia Militar que efetuaram os pagamentos acreditando que participariam do evento religioso, mas posteriormente após o cancelamento da viagem, quando o autor disse que familiares dele teria sofrido um grave acidente rodoviário. Elas começaram a desconfiar, e ao entrar em contato com descobriram que não havia reservas confirmadas junto à empresa de transporte nem na pousada informada. O caso foi registrado como suposto estelionato e será apurado pela Polícia Civil. A identidade das vítimas, por pedido delas,  está sendo preservada pelo Divinews.

Mensagem enviada aos participantes reconhece erro

Após a repercussão entre os participantes, o organizador encaminhou uma mensagem ao grupo. No texto, afirmou: “Vou ser sincero com vocês. Infelizmente eu tive outro problema e não consegui prosseguir com a viagem. Errei e peço perdão. Vou ressarcir cada um de vocês.”

Na mesma mensagem, pediu prazo até o dia 20 para realizar a devolução dos valores e solicitou compreensão para evitar prejuízos à sua família.

Divinews procurou o organizador

Antes da publicação desta reportagem, o Divinews entrou em contato com o organizador da excursão. Em resposta, ele declarou:

“Foi um erro cometido de grande arrependimento. Já procurei cada um para me retratar e desculpar sobre o ocorrido, bem como a restituição dos valores.”

Questionado se os problemas financeiros mencionados anteriormente estariam relacionados ao vício em jogos, conforme havia relatado em conversas privadas com alguns participantes, ele respondeu:

“Não, porque é um assunto delicado que inclusive estou nesta situação, correndo risco de falar sobre porque envolve algo de maior risco.”

Na sequência, sem se dar conta da realidade e da gravidade do seu ato pediu que esse aspecto não fosse explorado publicamente. Contudo, por ser de interesse público, até por que podem existir outra vítimas, o Divinews decidiu tornar público.

Caso será investigado

O registro policial representa o início da apuração criminal. A partir de agora, caberá à Polícia Civil reunir documentos, ouvir testemunhas, analisar movimentações financeiras e esclarecer as circunstâncias que levaram ao cancelamento da excursão e à ausência do reembolso imediato dos participantes.

O Divinews apurou ainda, junto a uma das vítimas, que cinco delas estiveram nesta terça-feira (14) na Policia Civil relatando o caso para a delega de estelionato, Adriene Lopes, que será instaurando um inquérito policial. Fato esse confirmado pelo Divinews, junto à delegada, na manhã desta quarta-feira (15)

Resumo dos Fatos
  • Foi registrado um Boletim de Ocorrência por estelionato consumado, tendo Thiago Fernandes Gontijo sido qualificado como autor e cinco pessoas como vítimas.
  • segundo o BO, as vítimas afirmam ter contratado uma excursão para o evento PHN, da Canção Nova, em Cachoeira Paulista, efetuaram pagamentos, a viagem foi cancelada e o reembolso prometido não teria ocorrido.
  • o BO relata que as vítimas disseram ter verificado que não havia reserva junto à empresa de ônibus nem na pousada indicada.
  • nos áudios transcritos, a pessoa identificada como Thiago pede perdão, admite ter errado, solicita que não seja registrado boletim de ocorrência e promete devolver os valores em datas específicas.
  • em outros áudios, ele atribui sua situação a dívidas com agiotas e ao vício em jogos, afirmando que isso agravou sua situação financeira.
  • também afirma participar de igrejas e diz ser “uma pessoa da igreja”, pedindo compreensão às vítimas.
  • O autor usou a Igreja Católica e a  Canção Nova para aplicar golpes, sem que as mesmas tivessem conhecimento.
  • Não se pode afirmar também de forma conclusiva que ele praticou estelionato como fato definitivo, somente após a investigação policial.

Lição para consumidores

Especialistas em Direito do Consumidor orientam que excursões e viagens organizadas por terceiros devem ser acompanhadas de contratos, comprovantes, reservas confirmadas e documentos que demonstrem a efetiva contratação dos serviços.

Também recomendam que pagamentos sejam realizados apenas mediante documentação formal e que qualquer irregularidade seja imediatamente comunicada aos órgãos competentes.

O Divinews continuará acompanhando o caso e publicará novas informações caso haja restituição integral dos valores, instauração de inquérito policial ou manifestação das autoridades responsáveis.

Imagem feita por IA

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