A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, afirmou que não irá retirar da Câmara Municipal o projeto relacionado ao Diviprev, mesmo diante da paralisação dos servidores e da pressão sindical pela suspensão da proposta. Em manifestação dirigida à população, a chefe do Executivo pediu atenção, paciência e disse que a decisão envolve uma escolha de gestão.
Segundo Janete, o projeto já está no Legislativo e não será retirado porque, na avaliação dela, a Prefeitura precisa enfrentar o impacto financeiro do regime previdenciário municipal. A prefeita afirmou que atender ao pedido dos servidores para retirar a proposta significaria manter um cenário que, segundo ela, poderia comprometer a capacidade financeira do município.
“Peço a cada um de vocês que tenham muita atenção e um pouco mais de paciência para que a gente possa estar resolvendo e retornando à situação. Lembrando que eu não irei retirar o projeto, o projeto já está na Câmara”, declarou Janete.
A fala ocorre em meio ao impasse entre a administração municipal e os servidores sobre as mudanças no Diviprev. O tema se tornou um dos principais pontos de tensão política e administrativa em Divinópolis, com reflexos diretos no funcionamento de serviços públicos, na mobilização das categorias e no debate dentro da Câmara Municipal.
Na declaração, Janete apresentou o caso como uma decisão entre duas alternativas: atender ao que os servidores reivindicam ou manter a proposta sob o argumento de preservar a saúde financeira da Prefeitura. Segundo ela, retirar o projeto poderia levar o município a continuar pagando percentuais elevados neste ano e no próximo, o que, na avaliação da prefeita, colocaria em risco serviços essenciais bancados com recursos próprios.
“É uma questão de escolha. Ou eu escolho fazer o que os servidores querem, que é retirar o projeto do Diviprev e continuar pagando esse ano 42% e o ano que vem mais de 60%, e quebro literalmente a Prefeitura, não conseguindo manter serviços essenciais pagos com o caixa próprio, que é o imposto do cidadão. Ou eu mantenho aquilo que os servidores querem ou eu faço o que a população precisa”, afirmou.
A prefeita reforçou que sua decisão será manter o projeto em tramitação. Para Janete, o gestor público precisa assumir escolhas difíceis, mesmo quando elas produzem desgaste político. Ela afirmou que, apesar da greve e da paralisação, não pretende recuar.
“Por isso, a minha escolha é fazer o que a população precisa. Por isso, deixo aqui claramente que não irei retirar o projeto que já está na Câmara Municipal. Mesmo com a paralisação, mesmo com a greve, eu irei continuar mantendo”, declarou.
O posicionamento amplia a tensão em torno do projeto. De um lado, servidores cobram mudanças, diálogo e retirada da proposta da Câmara. De outro, a Prefeitura sustenta que a reforma é necessária para evitar aumento de custos e risco de desequilíbrio financeiro. No centro do debate estão o Diviprev, a folha do município, os direitos dos servidores e a capacidade da administração de manter serviços públicos essenciais.
Janete também buscou justificar a decisão com base em responsabilidade administrativa. A prefeita afirmou que governar exige coragem e que a escolha pode trazer consequências políticas, mas defendeu que não pretende tomar uma decisão que, segundo ela, prejudicaria a população.
“Afinal de contas, responsabilidade, coragem e escolhas têm que ser algo que o gestor tem que ter coragem de fazer. Mesmo que isso me prejudique politicamente, eu não vou prejudicar a população de Divinópolis”, disse.
A fala da prefeita sinaliza que o Executivo não pretende ceder ao principal pedido dos servidores neste momento: a retirada do projeto. Com isso, a disputa deve continuar concentrada na Câmara Municipal, onde a proposta tramita e onde vereadores passam a ser pressionados tanto pelas categorias quanto pela administração.
O episódio também coloca a população no centro da discussão. Ao pedir paciência e afirmar que sua escolha é fazer “o que a população precisa”, Janete tenta deslocar o debate para os impactos financeiros do município e para a continuidade dos serviços essenciais. Já os servidores argumentam que mudanças previdenciárias precisam ser discutidas com transparência, segurança técnica e preservação de direitos.
A partir de agora, o impasse entra em nova fase. A prefeita deixou claro que não irá retirar o projeto. Os servidores, por sua vez, mantêm mobilização contra a proposta. A Câmara Municipal passa a ser o principal palco da disputa, e o desfecho dependerá da articulação entre Executivo, Legislativo, sindicatos e categorias atingidas pela reforma.
Enquanto isso, Divinópolis acompanha os efeitos da paralisação e aguarda os próximos capítulos de uma das discussões mais sensíveis da administração municipal: o futuro do Diviprev e o peso dessa decisão para servidores, Prefeitura e população.






