Janete Aparecida, a prefeita que recém assumiu o governo, e que segundo um vereador de sua base na Câmara, ela deixou de ter o slogam “a vice que trabalha”, para ter “a prefeita que de fato trabalha”, desarmou nesta segunda-feira (20), mais um foco de tensão que ameaçava ampliar o desgaste da gestão logo na largada do mandato. Depois da crise no transporte coletivo, a prefeita conseguiu encerrar também a paralisação dos motoristas ligados à coleta de lixo, em uma articulação que evitou o agravamento de mais um movimento grevista em Divinópolis.
O anúncio foi feito pela própria prefeita em comunicado oficial da Prefeitura. Na fala divulgada, Janete afirmou que o movimento foi encerrado após aprovação da proposta pelos motoristas, com o compromisso do município de incluir, na nova licitação, mecanismos de valorização para os trabalhadores da coleta e também para os coletores.
A fala mostra que a solução construída não ficou restrita ao encerramento imediato da paralisação. Houve também uma sinalização política de que a próxima modelagem contratual precisará incorporar ganhos adicionais para a categoria, o que ajuda a explicar a aceitação da proposta e o fim do impasse.
Sem recorrer a dramatização, o fato é que Janete já enfrenta em pouco tempo a segunda crise de impacto direto na rotina urbana e, mais uma vez, optou por entrar pessoalmente no problema para buscar desfecho. Primeiro foi a turbulência do transporte. Agora, a coleta de lixo. Em ambos os casos, o que estava em jogo era a capacidade da administração de impedir que conflitos trabalhistas se transformassem em colapso visível para a população.
No pronunciamento, a prefeita também aproveitou para fazer um apelo público em defesa dos trabalhadores da limpeza urbana. Pediu mais respeito aos profissionais da coleta e relatou situações de humilhação enfrentadas por eles no cotidiano, como reações de desprezo quando param para fazer um lanche, dificuldades para conseguir água e o descarte inadequado de materiais cortantes no lixo doméstico.
Segundo Janete, a população precisa compreender o peso essencial desse serviço e tratar os trabalhadores com mais humanidade. Ela destacou que basta a cidade ficar poucos dias sem coleta para que todos percebam a dimensão do trabalho realizado diariamente por essa categoria.
O episódio reforça um traço que começa a se consolidar na atual gestão: a necessidade de administrar passivos sensíveis deixados no caminho e neutralizar crises antes que elas se convertam em desgaste prolongado. A paralisação na coleta, se avançasse, teria potencial de produzir impacto sanitário, pressão política e reação imediata da população. Ao encerrar o movimento, Janete evitou que essa segunda frente explodisse de forma mais ampla.
Com o fim da paralisação, a Prefeitura tenta agora recolocar a normalidade em um serviço que, assim como o transporte, interfere diretamente na vida de toda a cidade. E o faz com um recado claro: além de negociar para conter a crise, a gestão quer reposicionar o debate sobre valorização de categorias essenciais, especialmente aquelas que costumam aparecer pouco quando tudo funciona, mas se tornam centrais no instante em que param.
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