A noite desta quarta-feira (19) virou um verdadeiro frenesi nas redes sociais em Divinópolis. Por volta de 21h40, vídeos começaram a pipocar de todos os ângulos, com versões desencontradas falando em tiroteio e confronto no Centro. Em poucos minutos, o que era fato virou espuma, e a cidade inteira parecia assistir a um filme, mas sem roteiro oficial.
O Divinews foi ao local para separar boato de ocorrência. No ponto onde o veículo parou, na Avenida Divino Espírito Santo, a reportagem conversou com o tenente Natanael, responsável pela operação, que detalhou a sequência real dos fatos e a razão do barulho que muita gente interpretou como troca de tiros.
A ação começou durante patrulhamento na área central. A equipe avistou um veículo e percebeu comportamento considerado suspeito. Ao receber ordem de parada, o condutor não obedeceu. A fuga atravessou ruas do Centro e, segundo a Polícia Militar, ocorreu com manobras agressivas, inclusive em contramão, gerando risco direto para pedestres e motoristas.
Em meio à perseguição, pessoas teriam precisado sair da via para não serem atropeladas. Diante desse quadro, a PM adotou uma medida extrema e técnica para interromper o avanço do carro sem ampliar o risco a terceiros. O tenente explicou que, para conter a fuga, foi feito “disparo de arma de fogo controlado em direção ao pneu do veículo”, o que obrigou o automóvel a parar no trecho onde ocorreu a abordagem.
Foi esse disparo que alimentou o boato de “tiroteio”. A versão oficial, porém, descarta confronto armado. O que houve foi uma intervenção pontual, direcionada ao pneu, para interromper uma fuga que, na avaliação da PM, já colocava a população em risco.
Com o carro parado, veio a fase mais tensa da abordagem. O condutor, ainda segundo a PM, apresentou comportamento agressivo e resistiu à ação policial. O tenente descreveu que houve necessidade de uso de força para contê-lo, o que teria resultado em ferimentos durante a resistência.
No interior do veículo, a PM encontrou anabolizantes. A placa e a situação do automóvel, segundo o tenente, estavam regulares, sem pendências aparentes vinculadas ao carro. O foco da ocorrência, portanto, ficou na condução perigosa, na resistência e no material encontrado no interior do veículo.
O suspeito foi encaminhado primeiro para atendimento médico na UPA e, na sequência, deveria ser levado à delegacia para as providências. No momento da entrevista, ele ainda estava em atendimento.
O episódio expôs um padrão que se repete cada vez mais. Antes de qualquer nota oficial, as redes sociais fabricam versões e amplificam pânico. E, quando o fato verdadeiro aparece, ele já precisa disputar espaço com dezenas de narrativas paralelas.
O Divinews seguirá acompanhando o desdobramento do caso por meio da assessoria de comunicação da PM.






