Uma declaração do pré-candidato ao governo de Minas, Mateus Simões, feita em entrevista recente a um veículo de comunicação de Divinópolis, o MPA, gerou forte repercussão política na região Centro-Oeste e expôs uma gafe institucional que tende a se agravar caso se confirme na prática – Mateus, que na última pesquisa eleitoral divulgada pelo EM em 22/12, feito pela DOXA aparece com apenas 2%, ignorou duas importantes protagonistas da novela, que parece chegar ao seu final: a deputada Lohanna França, autora do projeto que Zema, segundo fonte, poderá sancionar na próxima segunda-feira (12); e Gleide Andrade, secretária nacional do PT, que fez interlocução com Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão de todos os hospitais universitários no país, e que, em Divinópolis, o Hospital Regional ficará vinculado à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
Ao comentar sobre a iminente sanção da lei que autoriza a doação do Hospital Regional de Divinópolis à UFSJ, Mateus afirmou na emissora de rádio, que o governador Romeu Zema deverá sancionar a lei “ao lado do deputado Eduardo Azevedo”, atribuindo a ele papel central na condução do processo nas últimas semanas. O problema é que a autoria da lei é da deputada estadual Lohanna França, fato público, notório e amplamente reconhecido em toda a região.
A fala, por si só, já foi politicamente infeliz. Mas tende a se tornar ainda mais grave se, de fato, a sanção venha a ocorrer sem a presença da autora do projeto, reforçando a narrativa equivocada apresentada na entrevista. No campo simbólico da política, gestos importam tanto quanto atos formais. Ignorar a parlamentar que construiu, apresentou e defendeu a lei ao longo de todo o processo não é detalhe, é sinalização política.
O erro de Zema, somada a fala de Mateus Simões não está em reconhecer a atuação de Eduardo Azevedo, que pode ter participado de articulações recentes, mas em confundir apoio circunstancial com paternidade legislativa. A lei não é de quem “esteve conosco nesses dias”, como afirmou o pré-candidato. A lei é de quem a escreveu, protocolou, defendeu e aprovou no Parlamento.
Ao fazer essa leitura distorcida, Mateus transfere protagonismo político de forma indevida e cria um desgaste desnecessário tanto para si quanto para o próprio governador. A eventual exclusão de Lohanna da solenidade de sanção, e mesmo de Gleide Ansdrade como interlocutora que foi junto à Ebserh seria interpretada como desprestígio institucional, além de reforçar a percepção de apagamento político de uma deputada que liderou a pauta desde o início.
A situação se agrava porque o Hospital Regional de Divinópolis não é uma obra qualquer. Trata-se de uma das principais demandas históricas da saúde no Centro-Oeste mineiro, com impacto direto no atendimento de milhares de pacientes que hoje precisam se deslocar para Belo Horizonte e região metropolitana. A deputada Lohanna construiu sua atuação política fortemente associada a essa pauta, o que torna ainda mais injustificável qualquer tentativa de minimizar seu papel.
A fala do pré-candidato também expõe um problema recorrente na política mineira, a tentativa de recontar a história conforme conveniências eleitorais, especialmente em ano pré-eleitoral. Ao fazer isso, como Mateus Simões fez com sua fala, não apenas erra no conteúdo, mas envia um sinal equivocado à população e aos atores políticos locais.
Se confirmada a sanção da lei apenas com a presença de Eduardo Azevedo, o episódio deixará de ser uma gafe verbal e passará a ser um erro político consumado, com potencial de repercussão negativa para o governo estadual e para o próprio projeto eleitoral de Mateus e Zema. Em política, autoria importa. E ignorá-la, sobretudo quando o fato é evidente, costuma cobrar seu preço.
Mas vamos à fala em si do pré-candidato ao Governo de Minas, Mateus Simões, que, mesmo filiado ao PSD, partido de forte estrutura nacional, amarga a lanterna entre os nomes considerados viáveis nas pesquisas eleitorais, patinando entre 3% e 5% das intenções de voto e buscando projeção política em temas sensíveis, como a saúde pública.
Mateus Simões extrapolou o debate técnico e entrou no terreno da distorção política ao classificar como “roubo” a exigência do governo federal para a doação do Hospital Regional de Divinópolis. O discurso ignorou que a federalização é justamente o instrumento que garante funcionamento contínuo, financiamento permanente e integração plena ao SUS. Sem a União, o hospital correria sério risco de repetir a história mineira de obras concluídas, porém inoperantes, por falta de custeio e pessoal. Ao minimizar a participação federal e atribuir protagonismo político a aliados estaduais, a fala transforma um avanço estrutural da saúde pública em narrativa eleitoral, esvaziando o mérito técnico do modelo e instrumentalizando um tema sensível para fins políticos.






