Trump não quer democracia na Venezuela, quer petróleo e aceita o regime ditatorial de Maduro

Invasão, discurso moral e bastidores econômicos revelam a lógica real da ofensiva americana

Publicado por: Geraldo Passos

Não há ingenuidade possível quando se observa a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Venezuela. O discurso público até tenta vestir uma fantasia moral, mas os fatos e os bastidores mostram outra realidade. Trump não está preocupado com a ditadura venezuelana, tampouco com a libertação do povo das garras do regime de Nicolás Maduro. O foco é claro, direto e histórico, o PETRÓLEO. 

A ofensiva americana jamais teve como centro os presos políticos, a repressão ou a ausência de democracia. Em nenhum momento Trump fez desses temas uma bandeira real. A narrativa do “narcoterrorismo” atribuída a Maduro surge como pretexto, uma construção retórica conveniente para justificar uma ação que atende, sobretudo, aos interesses das petrolíferas norte-americanas, expulsas do país ainda no governo de Hugo Chávez.

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A acusação de que Maduro seria responsável direto pelo tráfico de drogas que abastece os Estados Unidos soa quase caricata. Serve mais como argumento emocional para consumo interno do que como base concreta de política internacional. O objetivo real sempre foi criar um ambiente político favorável para a retomada do controle econômico sobre as reservas venezuelanas, as maiores do planeta.

Nesse jogo, chama atenção a postura de Trump em relação à vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez. O presidente americano passou a tratá-la como interlocutora preferencial, pressionando-a a adotar uma postura “cooperativa” com os interesses dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à reabertura do setor petrolífero às empresas americanas.

Essa preferência levanta questionamentos inevitáveis. Em um cenário lógico, seria esperado que um vice mantivesse a linha política do presidente que integra. Ainda assim, Trump demonstra mais confiança em Delcy Rodríguez do que na principal líder da oposição, Maria Corina Machado. O motivo parece evidente. Maria Corina dificilmente aceitaria submeter a soberania econômica do país às condições impostas por Washington.

A leitura que se impõe é desconfortável, mas coerente. A preferência americana por Delcy Rodríguez pode indicar acordos de bastidores, concessões silenciosas ou, no mínimo, a expectativa de que ela seja mais flexível aos interesses externos do que uma eventual liderança democrática legítima. Democracia, nesse contexto, torna-se um obstáculo, não uma prioridade.

Esse roteiro não é novo. O paralelo com a invasão do Iraque é inevitável. À época, os Estados Unidos também vestiram a guerra com o discurso de armas de destruição em massa e libertação do povo iraquiano. O resultado foi devastação, instabilidade regional e, ao final, controle estratégico sobre o petróleo. A história se repete, apenas com novos personagens e novas justificativas.

Diferente do que alimentam bolsonaristas nas redes sociais, Trump não é defensor de direitos humanos, nem guardião da democracia mundial. O presidente americano sempre deixou claro que sua política externa se orienta por interesses econômicos e geopolíticos. Ditadura ou democracia são detalhes convenientes, usados apenas quando servem à narrativa do momento.

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Nesse ponto, o discurso da base bolsonarista revela uma contradição profunda. Ao aplaudir a ofensiva americana contra a Venezuela, muitos ignoram completamente a soberania de um país latino-americano, algo que historicamente sempre denunciaram quando se tratava do Brasil. O que se vê é a defesa seletiva de princípios.

Mais grave ainda, não há qualquer preocupação genuína com os presos políticos venezuelanos, assim como tampouco existe empatia real pelos presos brasileiros decorrentes dos atos de 08 de janeiro. O foco não é justiça, democracia ou direitos. O foco é resolver problemas específicos, sobretudo os da família Bolsonaro, mesmo que isso implique apoiar intervenções estrangeiras e relativizar princípios básicos do Estado de Direito.

A Venezuela, assim como o Iraque, entra nesse tabuleiro não como nação soberana, mas como território estratégico. E Trump, coerente com sua trajetória, age exatamente como sempre agiu. Sem moralismo, sem romantismo e sem compromisso com causas humanitárias. Apenas business.

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  1. GIL disse:

    O imperialismo americano mais uma vez se mostra ( como no Iraque, Sudeste asiático, Afeganistão, Panamá e Ilhas Granada). Foram derrotados na maioria das intervenções e não aprenderam. Voltamos a lei da selva, a lei do mais forte. Enquanto isto a ONU, OEA e OTAN se calam para ter o amigo poderoso satisfeito.

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