Uma mobilização cidadã ganha força em Minas Gerais com o abaixo-assinado idealizado pela deputada estadual Lohanna França (PV) em protesto contra a “PEC do Cala-a-Boca”, proposta que altera a Constituição estadual para permitir a privatização da Copasa sem referendo popular. Até este domingo, já são mais de 20 mil assinaturas reunidas em dois dias.
A aliança governista, liderada pelo governador Romeu Zema, registrou a aprovação da PEC no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em primeiro turno com 52 votos a favor, 18 contrários, em uma sessão realizada às 4h30 da madrugada, o que gerou forte repercussão sobre os métodos, horário e transparência do processo.
Os deputados que votaram a favor da aprovação da PEC, ou seja, contra a realização de referendo, foram:
Adalclever Lopes (PSD); Adriano Alvarenga (PP); Alencar da Silveira Jr. (PDT); Amanda Teixeira Dias (PL); Antônio Carlos Arantes (PL); Arlen Santiago (Avante); Arnaldo Silva (União); Betinho Pinto Coelho (PV); Bim da Ambulância (Avante); Bosco (Cidadania); Bruno Engler (PL); Carlos Henrique (Republicanos); Carol Caram (Avante); Cássio Soares (PSD); Charles Santos (Republicanos); Chiara Biondini (PP); Coronel Henrique (PL); Delegada Sheila (PL); Delegado Christiano Xavier (PSD); Doorgal Andrada (PRD); Doutor Paulo (PRD); Doutor Wilson Batista (PSD); Dr. Maurício (Novo); Duarte Bechir (PSD); Enes Cândido (Republicanos); Gil Pereira (PSD); Grego (PMN); Gustavo Santana (PL); Gustavo Valadares (PSD); Ione Pinheiro (União); João Magalhães (MDB); Leandro Genaro (PSD); Leonídio Bouças (PSDB); Lincoln Drummond (PL); Lud Falcão (Pode); Maria Clara Marra (PSDB); Marli Ribeiro (PL); Mauro Tramonte (Republicanos); Nayara Rocha (PP); Neilando Pimenta (PSB); Noraldino Júnior (PSB); Oscar Teixeira (PP); Professor Wendel Mesquita (Solidariedade); Rafael Martins (PSD); Raul Belém (Cidadania); Roberto Andrade (PRD); Rodrigo Lopes (União); Thiago Cota (PDT); Tito Torres (PSD); Vitorio Junior (PP); Zé Guilherme (PP); Zé Laviola (Novo).
Por outro lado, os deputados que votaram favoráveis à realização do referendo são:
Ana Paula Siqueira (Rede); Andréia de Jesus (PT); Beatriz Cerqueira (PT); Bella Gonçalves (Psol); Betão (PT); Celinho do Sinttrocel (PCdoB); Cristiano Silveira (PT); Doutor Jean Freire (PT); Eduardo Azevedo (PL); Hely Tarquínio (PV); Leleco Pimentel (PT); Leninha (PT); Lohanna (PV); Luizinho (PT); Marquinho Lemos (PT); Professor Cleiton (PV); Ricardo Campos (PT); Ulysses Gomes (PT).
A criação do abaixo-assinado atende ao propósito de influenciar a votação em segundo turno da PEC. A deputada Lohanna França convocou os cidadãos mineiros a assinarem e pressionarem os parlamentares: “Queremos que as vozes populares sejam ouvidas antes que vendam o patrimônio público sem consulta popular”.
O número de mais de 20 mil assinaturas alcançado em tão pouco tempo evidencia a dimensão e o apetite da população por transparência e participação nos rumos da empresa pública de saneamento. A campanha cresce nas redes sociais e grupos de WhatsApp, Acredita-se que o total de assinaturas poderá chegar ou se aproximar dos 50 mil nos próximos dias, levando em consideração que os dois dias, foram em fim de semana.
Com a votação da PEC feita em plena madrugada e sem ampla mobilização pública, o movimento digital ganhou força para ser a contrapartida popular diante de uma manobra apontada como antidemocrática. A expectativa agora é pelo segundo turno da proposta, onde os apoiadores do referendo pretendem barrar o avanço da privatização da Copasa e manter a consulta popular como requisito prévio à venda da empresa.
O voto do deputado Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador Cleitinho Azevedo, chama atenção. Conhecido por votar quase sempre em sintonia com o governo Zema, desta vez rompeu com a base e se posicionou a favor do referendo, possivelmente sob o entendimento de que o povo deve ser ouvido antes de qualquer decisão sobre o futuro da Copasa. O gesto é interpretado como um sinal também independência política, especialmente após as recentes polêmicas envolvendo o clã Azevedo e sua relação com o bolsonarismo.
Por outro lado, o deputado Cristiano Caporezzo (PL), o mesmo que há poucos dias protagonizou ataques públicos ao senador Cleitinho Azevedo, cobrando-lhe fidelidade a Bolsonaro, não compareceu à votação. A ausência gera questionamentos sobre suas reais prioridades políticas, o povo ou ele próprio? A análise política é que possivelmente Caporezzo tenta preservar sua imagem entre bolsonaristas por estar pré-candidato ao Senado em 2026, o que explicaria sua postura de neutralidade diante de um tema tão polêmico, e caro à população mineira.
Enquanto a base do governo se defende, o povo mineiro reage com cliques, compartilhamentos e assinaturas, provando que, mesmo quando o plenário se cala de madrugada, a voz das ruas não dorme.







Sou contra a privatização