Em entrevista exclusiva ao Divinews, que se estendeu por quase uma hora, Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, por dois mandatos consecutivos e ex-presidente do Atlético Mineiro, disparou contra a atual política mineira e deixou claro que entrou no jogo: sem partido, mas no páreo como pré-candidato ao Governo de Minas, cargo que, segundo ele, “está vago há 12 anos”. Logo de saída, falou da condenação por improbidade administrativa, chamando-a de oportunidade para “esclarecer de frente aos leitores do Divinews – esclarecendo que foi condenação política, e que o juiz que o condenou quer um pouco de holofote. Foi por causa de uma cancela” – Sem regatear nenhuma pergunta, atacou a gestão de Romeu Zema, cutucou a polarização entre direita e esquerda, falou de Cleitinho, Bolsonaro e até Trump, e foi direto sobre a dívida bilionária de Minas com a União. Provocador, mas calculado, Kalil mostrou que pretende dialogar com todos os campos políticos, enquanto insiste em uma imagem de gestor que entrega resultados.
A improbidade explicada por Kalil
Durante a entrevista, logo na primeira pergunta, Kalil foi questionado sobre a condenação por improbidade administrativa, ponto que é explorado por adversários políticos e que poderia impactar sua candidatura ao Governo de Minas. Ele não fugiu do tema e tratou de enquadrar o episódio como um caso menor, sem relação com corrupção ou desvio de recursos públicos. “É uma cancela”
O caso da cancela
Kalil explicou que a ação judicial não envolve contratos, propinas ou malversação de dinheiro, mas sim a manutenção de uma cancela instalada em um loteamento de Belo Horizonte desde 2004. Segundo ele, a Prefeitura deveria ter retirado a cancela por ordem judicial, mas durante sua gestão (2020), em plena pandemia, a medida não foi cumprida imediatamente.
“É uma cancela de loteamento instalada em 2004. Em 2020, no auge da pandemia, mandaram tirar. Eu estava abrindo UTI, internando, enterrando gente. Não tirei na hora.”
Kalil ainda lembrou que nenhum dos prefeitos anteriores, Fernando Pimentel, Márcio Lacerda e o atual, Fuad Noman haviam cumprido a determinação. A cancela só foi retirada há cerca de duas semanas, já fora de seu mandato.
Sentença “ridícula”
O ex-prefeito classificou a decisão como “surreal” e “ridícula”, porque, em suas palavras, transforma uma questão meramente administrativa em improbidade:
“Nunca fui processado por malversação de dinheiro público. O que me condenaram foi por uma cancela. Isso não é improbidade, é uma questão administrativa mal interpretada.”
Expectativa de reversão
Kalil enfatizou que sua defesa recorreu e que confia em segunda instância para derrubar a sentença, reforçando que não há qualquer relação do caso com corrupção. Para ele, trata-se de uma narrativa inflada para atingi-lo politicamente:
“Isso é uma sentença que não se sustenta. Vai ser revertida.”






