A fabricante de armas Taurus foi multada em R$ 25 milhões e suspensa de novos contratos com a administração pública de São Paulo por dois anos, após investigação sobre contratos de fornecimento de pistolas firmados entre 2007 e 2011. A empresa nega irregularidades e promete recorrer judicialmente da decisão publicada no último dia 11 no Diário Oficial.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo aplicou uma sanção administrativa severa contra a fabricante brasileira de armamentos Taurus, impondo multa no valor de R$ 25 milhões e a suspensão da empresa de contratar com o poder público estadual por um período de dois anos. A decisão, publicada no Diário Oficial na última quinta-feira, dia 11 de julho, foi informada oficialmente ao mercado pela companhia, por meio de comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que a Taurus é listada na bolsa de valores B3.
De acordo com o documento, a penalidade decorre de um processo administrativo interno da corporação paulista, que revisou sucessivos contratos de fornecimento de pistolas entre 2007 e 2011. A fabricante, no entanto, alega que tais negócios não foram realizados pela atual gestão da empresa e que os modelos de armas envolvidos já estão fora de fabricação e comercialização.
“A Taurus cumpriu integralmente todos os contratos firmados com o Estado de São Paulo naquele período. Não há fundamentos jurídicos nem evidências técnicas que justifiquem a penalização aplicada”, alegou a empresa em nota.
A fabricante adiantou que pretende recorrer por vias administrativas e judiciais, destacando que há decisões e pareceres anteriores que anularam penalidades semelhantes impostas anteriormente. A ação, portanto, poderá se desdobrar em mais uma batalha judicial entre a indústria bélica e o poder público.
Repercussão no mercado
No mercado financeiro, o reflexo foi imediato. As ações preferenciais da Taurus (TASA4) registram queda acumulada de 13% em 2025, enquanto as ações ordinárias (TASA3) já apresentam desvalorização de 8,6% no mesmo período. A instabilidade jurídica e o impacto reputacional tendem a pressionar ainda mais os papéis da companhia nos próximos pregões.
Panorama jurídico e institucional
A penalidade aplicada se soma a um histórico de tensão entre a Taurus e órgãos públicos, especialmente em relação à qualidade dos armamentos fornecidos a instituições de segurança e responsabilidades contratuais do passado. A suspensão atual tem caráter administrativo, mas pode refletir no acesso da empresa a licitações públicas e contratos estratégicos com forças de segurança estaduais.
A empresa informou que continuará prestando esclarecimentos às autoridades e ao mercado, com o objetivo de reverter a penalidade e preservar sua capacidade de operação no setor público.






