Vereadores cobram apresentação do projeto arquitetônico, mas presidente mantém silêncio sobre detalhes da obra que acabou por se transformar em estacionamento. A fala de alguns parlamentares mais incomodados foi feito ao Divinews em off. Pois segundo eles, “o homem tem a caneta, né”.
O início das medições e da topografia no terreno da antiga maçonaria, ao lado da Câmara Municipal de Divinópolis, marca uma nova etapa na construção do futuro prédio.
No entanto, enquanto as ações técnicas avançam, a falta de transparência quanto ao projeto arquitetônico tem gerado forte incômodo dentro da própria Casa.
De forma reservada, vereadores procuraram a reportagem do Divinews, sob condição de anonimato, para expressar preocupação com a ausência de informações claras sobre o conteúdo do projeto que está sendo desenvolvido pela empresa Lego Projetos Ltda.
Até o momento, o presidente da Câmara, Israel da Farmácia (Progressistas), não apresentou oficialmente aos parlamentares o layout, as diretrizes arquitetônicas ou qualquer proposta visual da nova sede.
A cobrança ganhou força especialmente após o anúncio de que mais de R$ 2,5 milhões, economizados em 2024, já estão destinados à execução. Parte dos vereadores questiona: como autorizar e apoiar a aplicação de recursos sem conhecer minimamente o que será construído?
Falta de diálogo interno
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o desconforto é generalizado, mas poucos vereadores têm se posicionado publicamente para não criar embate direto com o presidente, que tem o poder da caneta.
A principal crítica é a condução centralizada do processo e a demora para apresentar ao Legislativo e à sociedade o projeto arquitetônico.
“A gente só sabe que tem obra, que estão medindo o terreno e que o dinheiro está reservado. Mas ninguém viu o projeto, ninguém sabe detalhes. Isso preocupa”, afirmou um dos vereadores.
Processo técnico segue, mas com lacunas de informação
O arquiteto e urbanista Paulo Amorim, da Lego Projetos Ltda, iniciou a medição topográfica junto ao engenheiro ambiental Franz Ladeira.
Segundo o contrato, a empresa tem prazo de até seis meses para a entrega do projeto arquitetônico. Mas até agora, o Legislativo, de acordo com um dos vereadores reclamantek, trabalha praticamente no escuro.
Além da topografia, está em desenvolvimento o chamado “programa de necessidades”, que inclui informações sobre número de salas, dinâmica de fluxo de pessoas e outras exigências do prédio. No entanto, até essa etapa parece estar sendo conduzida de forma restrita.
Diante das críticas internas, a expectativa é que o presidente da Câmara, Israel da Farmácia, rompa o silêncio e apresente o mais breve possível, com clareza e detalhes, o que será feito com os recursos públicos. Pois afinal, o preço do investimento no terreno foi cerca de R$ 5 milhões, de irmão para irmão.






