Na mais recente edição do projeto Mulheres Abrigo, transmitida ao vivo pelo instagram do Divinews, com novo horário e formato, as terapeutas Alessandra Borges e Cláudia Borges conduziram uma conversa impactante sobre a saúde mental e emocional, trazendo reflexões profundas e práticas sobre o sofrimento psíquico que atinge cada vez mais pessoas, especialmente no Brasil — país com o maior índice de ansiedade do mundo, segundo a OMS.
Portanto, com linguagem acessível e direta, as profissionais abordaram desde os sintomas mais comuns de transtornos emocionais até os tabus e preconceitos ainda existentes em torno dos tratamentos psicológicos e psiquiátricos.
Homens e saúde mental: urgência silenciada
Um dos pontos centrais do debate, o alerta sobre a negligência dos homens em cuidar da própria saúde mental, especialmente durante o mês de junho, tradicionalmente voltado à conscientização da saúde masculina.
Segundo Alessandra, muitos homens ainda recorrem à agressividade, vícios ou isolamento como resposta ao desequilíbrio emocional, quando poderiam buscar apoio terapêutico adequado.
“O homem bem cuidado faz a diferença na família, no trabalho e na sociedade”, destacou a terapeuta, enfatizando que saúde mental não é luxo, mas necessidade básica.
Raízes emocionais e a criança interior
Cláudia Borges, por sua vez, falou sobre as trilhas emocionais que nos acompanham desde a infância, traumas antigos que, quando não tratados, influenciam diretamente no comportamento adulto, gerando angústia, tristeza crônica, amargura e desânimo.
“Quantas vezes não sabemos como agir diante de uma situação porque estamos presos ao passado? Precisamos identificar essas raízes e buscar equilíbrio para não adoecer por dentro”, afirmou.
Vergonha de tratar a mente: o tabu do século
Durante a live, Alessandra relatou experiências em que pacientes se sentem envergonhados por precisar de medicação ou terapia, como se o sofrimento psíquico fosse menor que o físico.
“As pessoas aceitam uma fratura no braço, mas não aceitam um desequilíbrio na mente. Isso precisa mudar. Há déficit de neurotransmissores que precisam ser corrigidos, com ajuda profissional e sem culpa”, reforçou.
Burnout, ansiedade e depressão: os vilões silenciosos do cotidiano
As terapeutas citaram ainda o aumento alarmante de casos de burnout, ansiedade generalizada, transtornos alimentares e identidade emocional fragilizada, especialmente entre homens e jovens. Muitos, segundo elas, buscam fuga em vícios ou hipertrabalho, perdendo o sentido da própria vida.
“Quando a pessoa deixa de se reconhecer no espelho ou nos próprios vínculos sociais, ela está com a identidade emocional desconstruída”, alertaram.
Ferramentas para recomeçar: espiritualidade, redes de apoio e autoconhecimento
Com uma abordagem holística, Alessandra e Cláudia defenderam a integração de saúde emocional, física e espiritual, destacando que práticas simples como caminhadas, conversas entre amigos, hobbies, orações e terapia são recursos potentes para restaurar a alegria de viver.
Portanto, a inteligência espiritual, segundo elas, é um recurso essencial para atravessar fases difíceis com mais equilíbrio e sentido. “Fazer uma lista do que faz o seu coração palpitar pode ser o primeiro passo”, orientou Alessandra, convidando os espectadores a redescobrirem seus sonhos.
Chamado à ação: buscar ajuda não é fraqueza, é coragem
A live também foi um convite à superação da procrastinação, da autossabotagem e da ideia equivocada de que “sentir demais” é sinal de fraqueza. Ao contrário, o reconhecimento das próprias dores é o início do processo de cura. As terapeutas incentivaram os participantes a procurarem psicólogos, psicanalistas e psiquiatras sempre que necessário, sem medo ou vergonha.
Cláudia encerrou com uma citação bíblica de Mateus 6:33, lembrando que “basta a cada dia o seu próprio mal”. A mensagem: valorizar o presente, desacelerar e se permitir cuidar da mente, do corpo e da alma é um ato de amor e resistência.






