Claro que o prefeito não saiu de sua cadeira para encharcar os manifestantes. Quem faz esse tipo de coisa são as cassandras, as gueixas, a tropa de choque preocupada em preservar o confortável cabide em que se instalaram e de onde não pretendem sair.
E por outro lado é notório o fato de que Vladimir Azevedo é uma pessoa amena no trato, cavalheiro e avesso a esse tipo de reação – erra no entanto ao centralizar demasiadamente o poder, todo ele concentrado nas asas do partidarismo em desfavor do funcionário de carreira. Quando a orientação segue neste sentido, uma administração pública se transforma em sesmaria, rapidamente engolida pelo modelo burocrático, capaz de anular o próprio caráter do mandatário.
Não saiu da cabeça de Vladimir Azevedo a ditadura branca imposta por sua entourage. Os acadêmicos pesquisam demasiado, mas não raro se orientam nos piores exemplos. A criação do Nacional/Socialismo na Alemanha de Hitler tinha o seu papa. Josef Goebels ensinou que ‘uma mentira dita mil vezes vira verdade’. E o culto à personalidade tem o condão de fixar imagens. Propaganda, propaganda e muita propaganda.
Logo no início de seu governo a fotografia do prefeito foi instalada em todas as repartições municipais. Cultuava-se um mito que ainda não tinha feito absolutamente nada. Mal sinal! Primeiro havia sido contratada a mídia obsequiosa, cuja miopia tem o justo tamanho da necessidade de se varrer lixo para debaixo do tapete. Depois vieram as perseguições: quem reza pelo Novo Testamento, todos os encômios; para os judeus do Antigo Testamento, as batatas e as agruras do holocausto.
Vladimir Azevedo é o clássico exemplo de um caráter que não se conecta com as veleidades tucanas. Está ali mais por uma questão de histórico familiar, de comodismo político, do que atendendo aos seus múltiplos e variados talentos. Só do que precisa é livrar-se das cracas que o atormentam, e que podem fazê-lo sangrar pelo resto do mandato. Jogar simples, sem firulas, sem inventar, obedecendo ao sentido das águas eternas





