É lamentável que, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, uma data dedicada à luta por igualdade e respeito, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha voltado a protagonizar mais um episódio de misoginia. Durante uma conversa com apoiadores em Angra dos Reis (RJ), no feriado de Carnaval, Bolsonaro fez declarações pejorativas e ofensivas sobre mulheres petistas, afirmando que elas são “feias” e “incomíveis”.
A fala, que reverbera seu histórico de declarações machistas, foi divulgada na última quarta-feira (6) pelo filho do ex-presidente, o vereador Jair Renan (PL), por meio de um vídeo editado com efeitos que ressaltam o comentário misógino. No registro, Bolsonaro diz:
“Você pode ver, não tem mulher bonita petista. Só tem feia. Às vezes acontece quando estou no aeroporto, alguém me xinga. Mulher, né? Olho para ela e digo: ‘Nossa, mãe. Incomível’.”
O vídeo, amplamente compartilhado nas redes sociais, foi editado para enfatizar a fala ofensiva, incluindo efeitos visuais conhecidos por enaltecer insultos de Bolsonaro a seus adversários políticos.
Histórico de falas misóginas
O ex-presidente não é novato no uso de adjetivos sexistas e desqualificações dirigidas a mulheres. Durante sua trajetória política, colecionou episódios em que atacou figuras femininas públicas de maneira desrespeitosa:
- Em 2003, Bolsonaro afirmou que a deputada Maria do Rosário (PT) “não merecia ser estuprada porque era muito feia”. A declaração lhe rendeu uma condenação judicial, obrigando-o a se retratar e a pagar indenização por danos morais.
- Em 2020, insinuou que a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, teria tentado trocar sexo por informações. A repórter o processou e Bolsonaro foi condenado a indenizá-la.
- Durante seu governo, usou termos como “imbrochável”, “imorrível” e “incomível” para se descrever e distribuir medalhas a apoiadores, reforçando uma retórica machista e ultrapassada.
- Recentemente, em fevereiro deste ano, revelou publicamente que usa um “chip hormonal” para melhorar seu desempenho sexual, naturalizando a ideia de masculinidade tóxica.
Reações e repúdio
As declarações de Bolsonaro ganharam repercussão negativa, principalmente pelo contexto temporal: o comentário foi divulgado poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta contra atitudes e discursos como esse, que reduzem mulheres à aparência física e reforçam estereótipos prejudiciais.
Infelizmente, não há surpresa em mais esse episódio. Ao longo de seu mandato e carreira política, Bolsonaro colecionou falas que desrespeitam mulheres, atacam a imprensa e incentivam um discurso agressivo e misógino. Em um país onde a luta feminina ainda enfrenta desafios como desigualdade salarial, assédio e violência doméstica, atitudes como essa apenas reforçam a urgência de se combater posturas machistas em todos os espaços, sobretudo na política.
A sociedade segue avançando em busca de respeito e equidade. Declarações como essas, embora venham de figuras públicas influentes, devem ser rechaçadas e combatidas, pois não condizem com os princípios de uma sociedade democrática e justa para todas e todos.







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