O balanço da segurança pública de Minas Gerais, divulgado na manhã desta quarta-feira (11), trouxe números preocupantes em 2024. Os roubos de veículos cresceram 6% nos primeiros 11 meses do ano em comparação ao mesmo período de 2023, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG). Foram registrados 4.412 roubos de veículos, contra 4.163 no ano anterior. Em todo o ano passado, o estado contabilizou 4.563 roubos desse tipo, mostrando que os números deste ano estão próximos de superar essa marca.
Apesar desse aumento específico, o Governo destacou uma redução geral de 6,2% nos crimes de roubo no estado. Entre janeiro e novembro de 2024, foram registrados 17.054 casos de roubos gerais, contra 19.817 no mesmo período do ano anterior. A administração estadual, no entanto, não comentou diretamente o crescimento dos roubos de veículos.
Problemas com rabecões e falta de pessoal na Polícia Civil
A segurança pública de Minas Gerais também enfrenta desafios estruturais. Denúncias de sucateamento dos rabecões – veículos utilizados para transporte de corpos – chamaram a atenção. A chefe-geral da Polícia Civil, Letícia Gamboge, reconheceu em entrevista à imprensa da capital que a frota, composta por 17 veículos, é antiga, mas afirmou que já estão sendo adquiridos novos rabecões. Belo Horizonte e a Região Metropolitana serão as primeiras contempladas com a renovação, prevista para o final de 2024.
“A frota é constantemente mantida para evitar interrupções nos serviços, mas sabemos que a renovação é necessária. Alguns veículos ainda têm vida útil e serão aproveitados”, explicou Letícia.
Além disso, Letícia informou que há um mapeamento em andamento para avaliar as condições das delegacias da Polícia Civil e reforçar a estrutura com novos policiais. Desde 2019, foram inauguradas 96 unidades e mais de 1.100 viaturas foram disponibilizadas. A previsão é de que 400 novos policiais civis ingressem na corporação até 2025, fruto de concursos já realizados e em andamento.
Recorde de queimadas em Minas Gerais
O ano de 2024 também registrou o maior número de queimadas desde o início da série histórica, em 2015. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, foram atendidas mais de 29.272 ocorrências de incêndios em vegetação. O número ultrapassou o recorde anterior, de 2021, quando 24.288 queimadas haviam sido registradas.
A estiagem teve forte impacto neste resultado, contribuindo severamente para o agravamento da situação, que acabou por impor desafios inéditos às operações do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Desafios e expectativas
O balanço deixa claro que, embora existam avanços no combate a crimes patrimoniais em geral, Minas Gerais ainda enfrenta problemas preocupantes. O crescimento dos roubos de veículos, o desgaste da infraestrutura de segurança pública e o agravamento das queimadas são sinais de que o estado precisa reforçar ações para lidar com desafios complexos, tanto no meio urbano quanto ambiental.
A administração estadual promete melhorias, como a renovação de frota, concursos públicos e novos equipamentos. No entanto, os números mostram que ainda há muito trabalho pela frente para que Minas Gerais avance em todas as frentes de segurança.






