Somente 8% das prefeituras em Minas Gerais serão geridas por mulheres, no próximo mandato

Publicado por: Redação

A representatividade feminina nas prefeituras de Minas Gerais continua extremamente baixa. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições municipais deste ano, apenas 8,04% dos municípios mineiros elegeram mulheres para chefiar suas prefeituras, enquanto 91,96% escolheram homens para comandar o Executivo pelos próximos quatro anos. São os casos de Mônica Borges (PL), eleita prefeita em Carmo da Mata e da prefeita reeleita em Pitangui, Maria Lúcia Cardoso, ambas cidades da região centro-oeste mineira. Esses números colocam Minas Gerais abaixo da média nacional, que registrou 15,5% de prefeitas eleitas no país.

O cenário não é novidade em Minas. Na última eleição municipal, em 2020, a situação era semelhante, com apenas 7,2% das prefeituras sendo ocupadas por mulheres. Essa tendência de sub-representação feminina se repete há anos, refletindo um cenário político historicamente dominado por homens no estado.

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Além da questão de gênero, o perfil racial dos prefeitos eleitos em Minas Gerais revela que os brancos ainda são maioria, representando 65% dos gestores municipais. Os pardos vêm em seguida, com 31% de prefeitos eleitos, enquanto os pretos representam apenas 2,8% dos eleitos. Os dados são baseados na autodeclaração dos candidatos ao TSE.

Outro aspecto relevante é o nível de escolaridade dos prefeitos eleitos. Mais da metade dos novos gestores municipais possui ensino superior completo, enquanto 25% concluíram apenas o ensino médio. Um pequeno percentual, 7,2%, encerrou seus estudos no ensino fundamental. Cinco prefeitos eleitos em Minas Gerais declararam que apenas sabem ler e escrever.

Esses números evidenciam a manutenção de um perfil conservador no estado, como explica uma doutora e pesquisadora do estado, especialista em gênero. “Minas Gerais é historicamente conservador, tanto nos costumes quanto na política. Há uma percepção de que os homens estão mais preparados para cargos políticos, e isso dificulta a ascensão feminina nesse espaço”, analisa Bruna. Segundo ela, a presença de mulheres na política é fundamental para promover políticas públicas mais inclusivas, especialmente nas áreas de saúde, educação e assistência social.

Para a cientista, a sub-representação feminina nas prefeituras mineiras reflete uma realidade mais ampla e que pode impactar negativamente as eleições futuras. “Esse cenário vai se refletir em 2026, quando veremos a dificuldade de superar a sub-representação de mulheres em cargos de maior relevância, como deputadas e senadoras”, alerta a pesquisadora. Hoje, apenas 18% dos assentos na Câmara dos Deputados são ocupados por mulheres, e, em Minas Gerais, o número é ainda menor.

Nos últimos anos, o TSE tem implementado medidas para promover a diversidade nas eleições, tanto de gênero quanto racial. Desde 2022, por exemplo, o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) é distribuído proporcionalmente ao número de candidatos negros de cada legenda, e os votos em candidaturas negras valem o dobro para a distribuição dos recursos. No entanto, essas iniciativas ainda encontram desafios na prática, com os partidos muitas vezes não respeitando a proporcionalidade na exposição de seus candidatos.

A legislação eleitoral também exige que, no mínimo, 30% das candidaturas sejam femininas. Em maio de 2023, o TSE aprovou a Súmula 73, que trata da caracterização de fraudes à cota de gênero, estabelecendo a cassação de diplomas em casos de fraude comprovada. Entretanto, garantir a participação efetiva das mulheres nas eleições e, consequentemente, nos cargos públicos, ainda enfrenta barreiras significativas, especialmente em estados mais conservadores, como Minas Gerais.

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As eleições municipais de 2024, em Minas Gerais, reforçam a necessidade de um debate mais amplo sobre diversidade e representatividade na política. A baixa proporção de mulheres eleitas mostra que há muito a avançar para garantir a igualdade de gênero no cenário político. A participação feminina, que poderia trazer um olhar mais inclusivo para questões sociais, ainda esbarra em resistências culturais e políticas que perpetuam o domínio masculino nas prefeituras.

Ainda conforme a doutora, esse atraso no reconhecimento da competência das mulheres para cargos de liderança política impede o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas e diversificadas. “As mulheres tendem a apoiar projetos mais voltados para as necessidades sociais, como creches, educação e saúde, áreas que impactam diretamente a vida das famílias e que muitas vezes não recebem a devida atenção nas gestões predominantemente masculinas”, concluiu.

Com informações do Estado de Minas

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