De acordo com o meteorologista Ruibran dos Reis, do Climatempo, a situação é crítica, superando períodos de estiagem anteriores. “Desde 1963, não tivemos um cenário tão seco entre o outono, inverno e o começo da primavera como neste ano”, afirmou. Em 1963, a cidade alcançou 198 dias consecutivos sem chuva, e o recorde mais recente havia sido em 1991, com 117 dias.
A explicação para essa seca prolongada está em uma forte massa de ar seco e quente, que tem bloqueado a chegada de frentes frias à região central do Brasil. Essa condição mantém as ondas de calor e a baixa umidade, especialmente em Minas Gerais. Segundo Ruibran, até o final de setembro, a capital pode chegar a quase 160 dias sem precipitações.
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Ontem, os termômetros de Belo Horizonte registraram 31,8°C na estação do Inmet na Pampulha, com umidade relativa do ar em apenas 20%, muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é entre 50% e 60%. Hoje, a previsão é de céu claro com névoa seca e temperaturas na casa dos 31°C, com máximas de até 34°C na Região Metropolitana.
A situação se agrava ainda mais no Triângulo Mineiro, onde a temperatura pode alcançar 38°C. Regiões como o Sul/Sudoeste, Oeste e Alto Paranaíba também devem enfrentar calor intenso, com temperaturas até 5°C acima da média até sexta-feira. Essa combinação de altas temperaturas e baixa umidade do ar cria um ambiente propício para a ocorrência de incêndios.
O clima seco tem favorecido a propagação de incêndios, muitos deles provocados de forma criminosa. Ontem, um grande incêndio atingiu a Serra da Moeda, próxima à BR-040, na altura de Nova Lima, Região Metropolitana de BH. As chamas foram controladas por volta das 15h40, e os dois sentidos da rodovia foram liberados após interdição temporária.
O Corpo de Bombeiros também atuou em sete incêndios em unidades de conservação no estado, com focos em áreas como o Parque Estadual Serra do Brigadeiro, o Refúgio da Vida Silvestre Estadual de Macaúbas, e o Parque Morro da Água Quente.
Especialistas apontam que, embora o clima seco favoreça os incêndios, a ação humana é a principal causa. O professor Bernardo Gontijo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que raios podem causar focos de incêndio, mas isso é raro, ocorrendo principalmente durante as chuvas no final do ano.
Fonte: Estado de Minas
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