A seca severa na Amazônia continua a ameaçar a vida dos golfinhos amazônicos, especialmente as espécies de botos vermelhos e tucuxis. Miriam Marmontel, líder do Grupo de Mamíferos Aquáticos do Mamirauá, alertou sobre a grave situação dos animais na região do Lago Tefé. De acordo com ela, as condições climáticas adversas já causaram, no ano passado, a morte de centenas de golfinhos, ícones da cultura local.
Este ano, a equipe de Miriam está realizando operações de resgate para salvar os golfinhos que ficaram presos em lagoas isoladas devido à seca. As operações, no entanto, são desafiadoras, pois os níveis de água estão perigosamente baixos, tornando a captura e o resgate dos animais difíceis. Até agora, apenas dois golfinhos foram resgatados, mas a equipe continua seus esforços, com a intenção de mover os animais para o Rio Solimões, onde as condições são mais favoráveis.
A situação é alarmante, com todos os corpos d’água da Amazônia em níveis críticos, o que põe em risco a sobrevivência dos golfinhos. Miriam destacou a complexidade das operações de resgate, que exigem o transporte dos animais por terra, em áreas desconhecidas e de difícil acesso. Ela também expressou preocupação com a possibilidade de que a situação deste ano possa se assemelhar à seca histórica do ano passado, que resultou na morte de uma grande parte da população de golfinhos do Lago Tefé.
Enquanto isso, em outro ponto da Amazônia, um ribeirinho identificado como Edmar Lopes conseguiu salvar um boto que havia encalhado no Rio Madeira, próximo a Humaitá. A cena, compartilhada pela plataforma Amazônia Latitude, reforça a gravidade da seca que está transformando a paisagem da região e ameaçando a vida de seus habitantes, humanos e animais.






