O balanço de pagamentos registrou superávit de US$4,5 bilhões em dezembro e de US$46,7 bilhões no ano, comparativamente a superávit de US$3 bilhões em 2008. As transações correntes apresentaram déficit de US$5,9 bilhões no mês. No ano, o resultado em conta corrente foi deficitário em US$24,3 bilhões, equivalente a -1,55% do PIB, comparativamente a déficit de US$28,2 bilhões, -1,72% do PIB, em 2008. Em dezembro, a conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$11 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos (IED), US$5,1 bilhões, os retornos líquidos de investimentos brasileiros diretos no exterior, US$4,3 bilhões, e os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$3,1 bilhões.
No mês, a conta de serviços foi deficitária em US$2 bilhões, comparativamente a déficit de US$1,8 bilhão apurado em dezembro de 2008. No acumulado do ano, foram registradas saídas líquidas de US$19,3 bilhões, acréscimo de 15,4% na comparação com o ano anterior. A conta de viagens internacionais apresentou déficit de US$696 milhões no mês e de US$5,6 bilhões no ano, com receitas e despesas alcançando valores anuais de US$5,3 bilhões e de US$10,9 bilhões, respectivamente. As despesas líquidas com transportes somaram US$390 milhões em dezembro, acumulando US$3,9 bilhões no ano, ante déficit de US$5 bilhões observado em 2008. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos atingiram US$749 milhões no mês e US$9,4 bilhões no ano, elevação de 20,3% em relação a 2008. As remessas líquidas de royalties e licenças somaram US$150 milhões no mês e US$2,1 bilhões no ano, redução de 6,9% comparativamente ao ano anterior. Os serviços de computação e informações registraram déficites de US$290 milhões em dezembro e de US$2,6 bilhões no ano, permanecendo estáveis na comparação com 2008. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$892 milhões, 26,6% superiores ao resultado do mesmo mês do ano anterior, e de US$7,7 bilhões em 2009.
As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$6,4 bilhões no mês, 59,4% superiores ao registrado em dezembro de 2008, acumulando US$33,7 bilhões no ano, redução de 17% na comparação com o ano anterior. Em dezembro, as saídas líquidas de renda de investimento direto somaram US$4,5 bilhões, dos quais US$3,9 bilhões relativos a lucros e dividendos. As remessas líquidas de renda de investimento em carteira totalizaram US$1,5 bilhão, dos quais US$1,4 bilhão referentes a remessas de lucros e dividendos e US$89 milhões a juros de títulos da dívida. As remessas líquidas de rendas de outros investimentos somaram US$507 milhões no mês. No ano, os pagamentos líquidos de juros, em todas as modalidades, alcançaram US$9,1 bilhões, incremento de 25,4% na comparação com 2008, evidenciando redução das receitas, de US$10,2 bilhões, em 2008, para US$6,9 bilhões, em 2009. As remessas totais líquidas de lucros e dividendos somaram US$25,2 bilhões em 2009, com decréscimo de 25,6% na comparação com 2008.
No mês, as transferências unilaterais acumularam ingressos líquidos de US$282 milhões, somando no ano US$3,3 bilhões, 22,8% inferiores ao resultado de 2008.
Os investimentos brasileiros diretos no exterior somaram, em dezembro, retornos de US$4,3 bilhões, acumulando US$10,1 bilhões, no ano, compreendendo US$4,5 bilhões em aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior e amortizações líquidas de empréstimos de intercompanhias de US$14,6 bilhões.
Os investimentos estrangeiros diretos líquidos registraram ingressos de US$5,1 bilhões em dezembro. No ano, os fluxos líquidos de IED alcançaram US$25,9 bilhões, com decréscimo de 42,4% na comparação com o resultado recorde do ano anterior. Destaque-se, em 2009, que a participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, somou ingressos líquidos de US$19,9 bilhões, enquanto os empréstimos intercompanhias totalizaram US$6 bilhões.
Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$3,1 bilhões no mês. Em 2009, observou-se ingressos líquidos de US$46,2 bilhões na rubrica, comparativamente a saídas líquidas de US$767 milhões, no ano anterior. Os investimentos em ações e em títulos de renda fixa, ambos negociados no País, apresentaram ingressos líquidos de US$4,3 bilhões no mês, comparados a US$2,8 bilhões registrados em novembro. As remessas líquidas de bônus negociados no exterior somaram US$384 milhões, decorrentes de ingressos de US$579 milhões, amortizações de US$948 milhões e ágio de US$15 milhões referentes às recompras de papéis soberanos. Nesse montante de pagamentos inclui-se o cancelamento, pelo Tesouro Nacional, de US$888 milhões em papéis soberanos que eram detidos pelo Banco Central. Os investimentos em notes e commercial papers apresentaram amortizações líquidas de US$885 milhões no mês, acumulando saídas líquidas de US$516 milhões em 2009. Os ingressos líquidos em títulos de curto prazo atingiram US$23 milhões, em dezembro, acumulando remessas líquidas de US$567 bilhões em 2009, comparados a saídas líquidas de US$3,9 bilhões em 2008.
Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em saídas líquidas de US$4,2 bilhões em dezembro e de US$33,1 bilhões no ano, compreendendo a elevação de US$7,8 bilhões no saldo dos depósitos em moeda no exterior, resultado de constituição de ativos de bancos brasileiros no exterior, US$5,8 bilhões, e da constituição de depósito dos demais setores, US$2 bilhões.
Os outros investimentos estrangeiros no País somaram ingressos líquidos de US$531 milhões em dezembro e de US$17,2 bilhões no ano. O crédito comercial de fornecedores atingiu, no mês, amortizações líquidas de US$3,4 bilhões, constituídas, fundamentalmente, de operações de curto prazo. No ano, houve desembolsos líquidos de US$4,1 bilhões na rubrica, compreendendo ingressos líquidos de US$5,1 bilhões relativos às operações de curto prazo. Em dezembro houve ingressos líquidos de empréstimos no total de US$3,8 bilhões, enquanto no ano esses desembolsos líquidos alcançaram US$8,7 bilhões. Os empréstimos de médio e longo prazos foram liquidamente positivos em US$3,6 bilhões no mês e em US$7,2 bilhões no ano. Os de curto prazo somaram ingressos líquidos de US$224 milhões, em dezembro, e de US$1,5 bilhão no ano, comparativamente às amortizações líquidas de US$8,1 bilhões, ocorridas em 2008.
II – Reservas internacionais
As reservas internacionais no conceito liquidez, que inclui o saldo das operações de empréstimo em moedas estrangeiras no exterior, somaram US$239,1 bilhões em dezembro, tendo crescido US$1,1 bilhão frente ao apurado no mês anterior. No conceito caixa, as reservas terminaram 2009 em US$238,5 bilhões, aumento de US$1,9 bilhão em dezembro.
As intervenções da autoridade monetária representaram compras líquidas de US$4,3 bilhões em dezembro, compostas por aquisições à vista de US$3,5 bilhões e por retornos de US$805 milhões em operações de empréstimo em moedas estrangeiras.
No período ocorreram, ainda, receitas de US$315 milhões com a remuneração das reservas, enquanto as demais operações externas, que incluem principalmente as variações de preços e de paridades, reduziram o estoque em US$2,7 bilhões.
Na mesma data, o estoque de operações de empréstimo em moedas estrangeiras no exterior, contra garantias, reduziu-se para US$535 milhões, frente a US$1,3 bilhão, apurado no mês anterior.
III – Dívida externa
A dívida externa total, estimada para o mês de dezembro, somou US$202,5 bilhões, com redução de US$3 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior. A dívida externa de médio e longo prazos aumentou US$859 milhões, atingindo US$171,9 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo diminuiu US$3,8 bilhões, totalizando US$30,6 bilhões.
Em dezembro, houve elevação nos saldos da dívida externa de longo prazo referentes a agências governamentais, US$3,3 bilhões, e Buyers, US$954 milhões. Em sentido inverso, destacou-se a redução de US$369 milhões em bônus, influenciada pelo cancelamento, efetuado pelo Tesouro Nacional, dos títulos da dívida externa brasileira detidos pelo Banco Central, no valor de US$888 milhões, e pelas amortizações de US$59 milhões decorrentes do programa de recompras do Tesouro Nacional, paralelamente à reabertura do bônus Global 19N, US$525 milhões. Ocorreram, ainda, saídas líquidas de US$913 milhões em Notes, de US$282 milhões para organismos internacionais, de US$127 milhões em Suppliers e de US$328 milhões em empréstimos em moedas. Por último, a variação por paridades diminuiu o estoque em US$1,3 bilhão.
Quanto à dívida externa de curto prazo, a contração de US$3,8 bilhões deveu-se à redução nas obrigações em moedas estrangeiras dos bancos comerciais, relativas ao financiamento de comércio.
Fonte: Banco Central do Brasil





