Site Congresso em foco divulga lista dos mafiosos das passagens – Funcionários de deputados mineiros estão envolvidos

Publicado por: suporte

Caso nº 21. ALEX PALHARES DOS SANTOS VIEIRA
DEPUTADO JÚLIO DELGADO (PSB-MG)

Situação do deputado: Júlio Delgado não é investigado pela Corregedoria, pelas informações obtidas até o momento
Situação do funcionário: Alex Palhares dos Santos Vieira (ponto 119.958), demitido
Processo: 137593/2009 (portaria 157/2009, de 27.out.2009)
Caso:
A comissão de sindicância das passagens procurou passageiros que viajaram a Miami (EUA) com a cota do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) e que não foram reconhecidos pelo parlamentar,
Segundo os parágrafos 294 a 298 do relatório, Rycardo Oliveira afirmou que ele e sua esposa, Adejaína Oliveira, e Carolina Rocha viajaram ao exterior comprando bilhetes na agência Mania Tour. A agência pertence a Paulo César Pereira de Medeiros. Os passageiros apresentaram a troca de mensagens de correio eletrônico e as faturas do cartão de crédito que bancaram os bilhetes.
A comissão identificou o crédito e a RPA originários das passagens e chegou a um documento assinado por Alex Palhares dos Santos Vieira, do gabinete de Júlio Delgado.
Palhares disse ao site que cedeu a cota de passagens de Delgado a Paulo César, porque ele precisava de créditos para atender a um cliente. Entretanto, o valor emprestado foi devolvido ao gabinete, garantiu o servidor, que acabou demitido pelo deputado.
O servidor trabalhou com Delgado como SP-24 entre fev de 2004 e 3 de junho de 2009. Palhares chegou a ocupar um cargo de Natureza Especial (CNE-13) na Primeira Suplência da Câmara até 11 de agosto de 2009, mas foi novamente demitido quando a comissão de sindicância recomendou a abertura de processo contra ele.
O que diz o funcionário:
Alex Palhares dos Santos Vieira afirma que passou os créditos para o agente Paulo César Pereira de Medeiros, da Mania Tour, porque é seu amigo e disse precisar de ajuda. “Meu amigo estava em dificuldades e eu emprestei para ele e sem autorização do deputado Júlio Delgado”, conta.
Apesar disso, o ex-servidor disse que não teve nenhum proveito financeiro com o comércio de créditos. Palhares afirma que havia uma prática de troca de cotas entre os gabinetes, quando as cotas estavam estouradas.
Paulo César queria atender clientes antigos e estava “no desespero”. “Ele disse que, pelo sistema dele não estava conseguindo, e que tinha um cliente que precisava atender. Disse que eram clientes antigos.” Palhares afirma que Paulo César chegou a pedir milhas ou cartão de crédito emprestado para atender seu cliente. O servidor disse que a única maneira de ajudá-lo seria repassar cota do gabinete.
Palhares diz que não deu nenhum prejuízo a ninguém, a não ser pelos constrangimentos causados a Delgado. “Eu quebrei essa confiança”, reconhece o ex-servidor.
O ex-servidor afirma que emprestou crédito para o agente de viagens apenas uma vez. Mas já tinha feito a mesma operação para outros gabinetes. A devolução era feita pelos deputados vizinhos em forma de crédito também. “Isso era muito esporadicamente”, diz Palhares.
O que diz o deputado:
Júlio Delgado afirma que não reconheceu os bilhetes da família que voou para Miami. Questionou seu funcionário, Alex Palhares dos Santos Vieira, sobre o fato. Ele lhe disse que emprestou a cota, mas que ao final do ano tudo foi devolvido ao gabinete.
Mesmo assim, Delgado demitiu o servidor em 3 de junho de 2009, durante a publicação das reportagens sobre a farra das passagens. “Foi uma quebra de confiança. Até a questão ser elucidada, eu não posso ser responsabilizado por isso”, afirmou o deputado ao Congresso em Foco.
 
 
 
Caso nº 31. MARIA ELIZABETH CANUTO CALAIS
DEPUTADO PAULO PIAU (PMDB-MG)

Situação do deputado: Paulo Piau não é investigado pela Corregedoria, pelas informações obtidas até o momento
Situação da funcionária: Maria Elizabeth Canuto Calais (ponto 209.790), desligada anteriormente
Processo: 137.600/2009 (portaria 123/2009, de 27.out.2009)
Caso:
Segundo o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), Maria Elizabeth Canuto Calais fez trocas de cotas do seu gabinete para outros gabinetes.
Mesmo assim, a comissão de sindicância recomendou a abertura de processo contra ela. A portaria 123/2009 determina que uma comissão de processo administrativo apure se Maria Elizabeth usou seu cargo de secretária parlamentar para proveito pessoal ou de outras pessoas “em detrimento da dignidade da função”, se agiu “de forma desidiosa” (foi negligente) e se descumpriu os deveres de lealdade à Câmara dos Deputados. Também devem ser apurados eventuais fatos correlatos narrados no relatório.
Maria Elizabeth trabalhou com Piau de 2 de fevereiro de 2007 a 8 de setembro de 2008. Era secretária parlamentar SP-28, com salário-base de R$ 4 mil mais outros R$ 4 mil em gratificações.
O que diz a funcionária:
O deputado Paulo Piau disse que não gostaria de incomodar Maria Elizabeth Canuto Calais com o assunto e, por isso, não forneceria seus telefones. Ele afirmou que ela trabalha no Poder Executivo e está ocupada com seus estudos. A reportagem tentou localizar Elizabeth por outros meios, mas não obteve sucesso.
O que diz o deputado:
O deputado Paulo Piau (PMDB-MG) diz que havia um hábito na Câmara de ceder, emprestar e trocar cotas parlamentares. “Você podia dar cota para a gente lá de baixo, era rotina. Tá certo isso? Tá completamente errado. Mas isso se incorporou na cultura da Casa”, avaliou ele.
Segundo ele, era exatamente isso que Maria Elizabeth Canuto Calais fazia em seu gabinete. “Isso era uma prática normal e natural da Casa. E era isso que ela fazia.”
Piau não sabe quais os gabinetes que faziam trocas com o dele e nem qual a defesa de Maria Elizabeth. “Não sei qual a defesa dela. É um negócio que eu tenho certeza de que ela não fez nenhum mau uso. É uma coisa que não está me preocupando.”

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