DN: Prefeito há alguns dias foi realizado um enterro simbólico na cidade de quem foi?
Eugênio Pinto: Foi do hospital. Nós não participamos, mas apoiamos. O hospital apresenta problemas faz mais de uma década. Temos realizados constantes reuniões para tentar resolver este problema. A última Foi no dia 31. O fato é que temos até o dia 30 de abril para eleger um novo provedor do hospital.
Algumas pessoas acham que o problema é tão somente da prefeitura. Mas, não é bem assim. O problema é estrutural, do próprio hospital.
DN: De quem foi a iniciativa do enterro?
Eugênio Pinto: No último dia 28, eles fizeram um convite a população para que participasse do enterro simbólico do hospital. Nós não participamos, mas apoiamos a idéia porque medidas precisam ser tomadas e no meu entendimento, o melhor caminho para o hospital Manoel Gonçalves Sousa Moreira é ser administrado pela Fundação da Universidade de Itaúna, que já possui o curso de medicina e num futuro próximo poderá transformá-lo num hospital-escola, até que se construa a sede própria da universidade, ou fazer algumas adequações.
Achamos realmente interessante que a Universidade de Itaúna assuma o hospital, porque ele sairia das mãos políticas.
Não achamos bom que a secretaria de saúde venha a administrar o hospital e nem mesmo o grupo político que está lá no momento. Porque o atual provedor do hospital é irmão do deputado Neyder Moreira.
Sem questionar se há ou não interferência política, seria melhor para a população e para a região que o hospital seja administrado independente, através da Fundação da Universidade de Itaúna, que tem recursos financeiros para fazer investimentos
DN: Quem fez o convite para o enterro?
Eugênio Pinto: A oposição.
DN: Mas essa é a posição do deputado Neyder Moreira?
Eugênio Pinto: Não sei qual é a opinião dele na questão do enterro simbólico do hospital. O meu é político, porque temos a Secretaria de Saúde. Se vier a acontecer alguma intervenção, ou qualquer coisa mais drástica, o primeiro gestor seria o município.
O município hoje, através do SUS, repassa mais de 80% a 85% dos recursos dentro do hospital. Mas, acho que o bom seria uma administração totalmente independente de nenhum segmento político..
DN: Existe alguma possibilidade de intervenção?
Eugênio Pinto: Existe um processo em andamento. Mas, se acontecesse uma gestão da Universidade de Itaúna, poderíamos negociar para paralisar todos esses processos, tanto por parte da prefeitura para o hospital e do hospital para a prefeitura, e começaríamos vida nova. Quem ganharia seria o povo de Itaúna.
DN: Prefeito e a questão do FPM?
Eugênio Pinto: É um problema sério. Além de vir já com as verbas definidas, obrigatoriamente a educação fica com 25% e a saúde com 15%, agora sofreu uma drástica redução.
DN: Os recursos federais têm chegado a Itaúna?
Eugênio Pinto: Sim. Nós temos uma boa participação em Brasília. A maioria dos repasses federais é de vontade política da administração do prefeito e da equipe. Mas, temos alguns deputados que fizeram algumas emendas, especialmente para o PAC. O Jaime Martins (PR) tem ajudado bastante.
DN: Aqui também vai ter transposição dos trilhos? E a questão do traçado?
Eugênio Pinto: Aqui foi diferente de Divinópolis, não foi preciso fazer uma audiência pública. Em Itaúna o projeto já está tecnicamente aprovado pelo DNIT, já estamos com a licença ambiental prévia, que foi votada em 21 de agosto de 2008, e o mais importante, é que contamos com o apoio do Deputado Jaime Martins que é presidente da Comissão de Viação e Transporte no âmbito federal. Isto nos deixa mais animado em conseguir esses recursos para fazer a licitação e finalizar esta tão sonhada obra, que será a obra do século em Itaúna.
O traçado, por onde vão passar os trilhos foi perfeito. Ele passará pela zona rural, não temos problema com nenhum bairro.
DN:Qual é a previsão desta licitação e quando começarão as obras da transposição do trilhos?
Eugênio Pinto: Essa obra ainda está pra ser colocada no PAC, no site do DNIT ela está no PAC, mas ela não está locada com nenhum recurso financeiro.
No passado existiu uma possibilidade de se fazer uma medida provisória, que foi divulgada no Diário Oficial da União. nós temos documentações do jornal do DNIT, em julho de 2007, onde foram anunciados 59 milhões para Itaúna e logo depois, todo esse processo foi paralisado e em seguida, nesse mesmo jornal, foi anunciado 94 milhões para Divinópolis.
Hoje, Divinópolis tem um recurso de 100 milhões assegurados pelo PAC, ou seja, Divinópolis está na frente na questão financeira. Nós estamos na frente de Divinópolis na questão de projetos e de licença ambiental prévia.
Nós torcemos para que Divinópolis consiga essa obra, e se não conseguir, acredito que o Deputado faça algum remanejamento, porque, principalmente, como presidente da Comissão Nacional de Transportes, ele tem a prerrogativa de remanejar recursos, sendo possível que o investimento fique na região Centro-Oeste.
DN: Estamos tomando uma deliciosa água do SAAE, em Divinópolis a água já é da COPASA, mas a discussão quanto ao esgoto continua. Qual é a experiência de Itaúna com uma gestão própria através do SAAE, com a água e o esgoto?
Eugênio Pinto: Vou falar com a experiência de prefeito há quatro anos e também como cidadão. A nossa água tem um preço considerado bom. Nós pagamos por 15 m3R$ 20,82 pela água e pelo esgoto, enquanto Azurita, por exemplo, paga R$ 13,33 somente pela água.
Nós em momento algum pensamos em passar para a COPASA. Mesmo quando propuseram R$ 35 milhões de reais em 2006, este valor seria pago tirando todo o patrimônio da SAAE e passando os funcionários para a folha da COPASA. Mesmo assim, não nos interessou como não interessa mudar para a COPASA.
DN: O SAAE sempre foi superavitário?
Eugênio Pinto: Sim. Mesmo com esse valor baixo, ainda é. Ela dá um bom retorno. E se fosse um preço maior um pouquinho, que seria justo, nós teríamos condições de fazer muito mais obras. Mas, pela questão técnica e administrativa do SAAE, nós conseguimos fazer muitas coisas. Então, nós não pensamos em momento algum trocar para COPASA, vender ou ceder. Pelo menos, enquanto eu estiver como prefeito, isso não irá acontecer.
DN: Qual seria o melhor modelo para Divinópolis?
Eugênio Pinto: Em Divinópolis, é uma questão mais complicada, nós aqui temos quatro bacias de água. A água do SAAE chega por gravidade. Em Divinópolis, nos mandatos passados faltou mais pulso na questão de liberação de loteamentos.
Divinópolis hoje tem um problema de esgoto muito sério, são muitos locais com esgoto a céu aberto. E em Itaúna, hoje temos 100% de água e 99% de esgoto tratados. Nós ainda não temos estação de tratamento de esgoto, mas dentro do perímetro urbano, não tem mal cheiro, não tem esgoto em lugar nenhum.
Em Divinópolis, há de fazer um longo estudo, acho que nesse momento, pela arrecadação municipal, acredito que a prefeitura não terá recursos para fazer o esgoto sanitário, que a cidade tanto necessita. Principalmente, na questão da própria saúde pública, que Divinópolis ainda tem muitos bairro no qual o esgoto corre a céu aberto.
Teriam que ser ágeis. Dentro da situação de Divinópolis, acho que não deveria ter a COPASA, mas por uma questão de arrecadação neste momento, não vejo alternativa, a não ser ela se aliar à COPASA. Com um contrato muito bem feito, resguardando muitas coisas.
DN: Eugênio Pinto é candidato em 2010?
Eugênio Pinto: Tenho recebido alguns convites para ser candidato a deputado. Mas, em respeito ao eleitor, não vou sair. Pretendo colaborar com alguns amigos da região, para que possamos trazer ainda mais benefícios para a cidade e a região centro-oeste.
Fui eleito vice-presidente da AMVI, cujo presidente é meu amigo, o prefeito de Divinópolis. Também na eleição da Associação Mineira de Municípios – AMM, juntamente com Ângelo Roncalli fui eleito representante da região centro-oeste. São mais de 54 municípios. Preciso ter muita responsabilidade. Esse é o momento de colaborar com a região. Pretendo sim, sair candidato, mas, somente em 2014 vou disputar uma vaga para deputado estadual ou federal.
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