Atraso na segunda dose da CoronaVac não garante eficácia da vacina, alerta especialista da Sociedade Brasileira de imunologia

Publicado por: Redação

O Instituto Butantan recomenda que a segunda dose da Coronavac deve ser aplicada em um período entre 14 e 28 dias após a primeira. A comunidade científica séria, não comprometida com nenhum aspecto político, está bastante preocupada com o atraso na aplicação na aplicação das segundas doses da Coronavac. A realidade é que não há nenhum estudo que tenha avaliado o efeito de uma segunda dose após o 28º dia da primeira dose, alerta o epidemiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry.

“A resposta é bem objetiva e bem clara para esta situação: não existe estudo mostrando a resposta vacinal em diferentes intervalos”, ratifica o infectologista do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewehr.

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De acordo com Petry, todos os estudos que foram realizados e deram origem a todas estas vacinas, são ensaios clínicos randomizados. “São estudos muito bem feitos, muito bem conduzidos e são estudos padrão ouro da investigação epidemiológica e que atestaram a segurança e a eficácia da vacina. Mas atestaram a eficácia com a aplicação da segunda dose no máximo em 28 dias após a primeira dose.

Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científicos e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) afirma que não é de conhecimento do que pode acontecer com aplicação de doses de vacinas aplicadas com atraso, diz ser “um tiro no escuro”.

Ressalta ainda que qualquer estudo vacinal, para ser efetuado na população, ele é feito dentro de um protocolo. E o protocolo que foi estudado para a Coronavac são duas doses e o intervalo máximo, é 28 dias. Fora disso, a gente não sabe quanto tempo pode esperar”, lembra Cristina Bonorino, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês cientifico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).

Cristina explica que quando alguém recebe uma imunização, a primeira dose, o que acontece com a resposta imune, é que ela expande as células específicas para combater o vírus por uma semana e depois elas começam a reduzir, e que neste período em que elas começam a cair, é quando a gente dá o reforço, da segunda dose. Com este reforço, aquelas células que estavam morrendo, recebem um sinal de sobrevivência e aí elas conseguem sobreviver e se diferenciar, no que a gente chama de memória. Elas se mantêm por muitos anos. Se tu não receber o reforço, é que as células não recebem sinal de sobrevivência e morrem. E aí tem que começar tudo de novo o protocolo de vacinação, explicou a professora.

Petry afirma que o cenário com os atrasos é de incerteza. “Existe até a possibilidade, sendo otimista, que incremente e melhore a resposta imunológica das pessoas. Mas está é uma visão romântica e otimista. Na verdade, nós não sabemos o que vai acontecer. E se acontecer que a vacina perca sua eficácia, as vacinas vacinadas em atraso elas estarão sendo prejudicadas e iludidas”, critica.

Gewehr acredita que o atraso pode prejudicar em outro aspecto. “Temos que fazer um esforço grande para que este desabastecimento não ocorra novamente. Porque começa a gerar incerteza, dúvidas e até esquecimento, refletindo na adesão vacinal, por procurarem a segunda dose na data indicada e acabarem achando que não é mais importante ao ver que não tem disponível”, frisa.

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O Ministério da Saúde diz que é “improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal”. Mas ressalta que os atrasos devem ser evitados “uma vez que não se pode assegurar a devida proteção do indivíduo até a administração da segunda dose”.

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