TV argentina relata retenção de jatinho após sobrenome Bolsonaro aparecer em suposta lista de passageiros

Reportagem de TV argentina registrou movimentação policial e a permanência de um jatinho em aeroporto de Puerto Iguazú após a suspensão de um voo para os Estados Unidos. Segundo relato não confirmado, o sobrenome Bolsonaro teria aparecido entre os passageiros previstos, mas autoridades argentinas afirmaram não haver registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país nem plano de voo com integrantes da família.

Publicado por: Cassia Misael

Uma reportagem exibida por uma emissora de televisão argentina, diretamente do Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú, trouxe novos elementos à controvérsia sobre uma possível viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, após sua derrota na eleição presidencial brasileira. Durante a transmissão, o repórter relatou a presença de agentes de segurança, a instalação de barreiras que restringiram a aproximação dos jornalistas e a permanência de uma aeronave particular no pátio após a interrupção de um voo. Segundo informações recebidas pela equipe, o embarque teria sido suspenso depois que o sobrenome Bolsonaro apareceu em uma suposta lista de passageiros. Posteriormente, porém, autoridades migratórias argentinas informaram que não localizaram registros de entrada do senador no país nem plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

Emissora argentina relata movimentação policial ao redor de aeronave

A equipe de televisão que acompanhava os acontecimentos no aeroporto argentino descreveu mudanças na área de acesso ao pátio onde permanecia estacionada a aeronave.

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Segundo o repórter, funcionários da segurança aeroportuária solicitaram que os jornalistas se afastassem de determinado ponto de observação, alegando restrições à filmagem da pista e das aeronaves por questões de segurança.

A equipe relatou que agentes instalaram cones para estabelecer uma barreira e posicionaram uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) nas proximidades.

O jornalista afirmou que a medida modificou as condições de acesso ao local e impediu a continuidade das imagens a partir do mesmo ponto.

A movimentação ocorreu enquanto cresciam as notícias sobre uma possível ligação entre o avião e uma suposta viagem internacional de Flávio Bolsonaro.

Repórter afirma que aeronave permanecia no pátio

Mesmo depois de receber orientação para deixar o ponto de observação, o repórter afirmou ter conseguido visualizar parte do pátio aeroportuário.

Segundo ele, a aeronave continuava estacionada.

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A equipe também recebeu informações de que funcionários de um órgão regulador aeroportuário argentino haviam entrado em um dos aviões presentes no local.

O jornalista deixou claro, entretanto, que não sabia se o objetivo era realizar uma inspeção, verificar documentação ou executar outro procedimento.

A presença da Polícia de Segurança Aeroportuária foi observada diretamente pela equipe, enquanto a finalidade das demais movimentações permaneceu sem esclarecimento.

Voo partiu de Buenos Aires e deveria seguir para os Estados Unidos

A aeronave mencionada nas reportagens é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly.

O avião partiu do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, na noite de segunda-feira (26), por volta das 22h14.

O pouso em Puerto Iguazú ocorreu aproximadamente às 23h45.

Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, havia previsão de um novo voo com destino aos Estados Unidos durante a madrugada de terça-feira.

O embarque envolveria quatro passageiros e três tripulantes, sendo dois pilotos e uma comissária de bordo.

Entretanto, a partida não ocorreu no horário inicialmente previsto, e a aeronave permaneceu em Puerto Iguazú para verificações adicionais.

Sobrenome Bolsonaro teria aparecido entre passageiros previstos

O ponto mais importante do relato apresentado pela equipe de televisão argentina está relacionado à identidade das pessoas que embarcariam no jatinho.

Segundo informações recebidas pelo repórter, o planejamento do voo sofreu uma interrupção depois que o sobrenome Bolsonaro teria surgido entre os passageiros previstos.

O jornalista afirmou que a informação estava relacionada à retenção da tripulação e à suspensão da viagem.

A versão alimentou suspeitas de que Flávio Bolsonaro poderia tentar deixar a América do Sul por meio de uma aeronave particular.

Entretanto, a reportagem não apresentou a lista nominal de passageiros, documentos migratórios ou confirmação oficial de que o senador estivesse relacionado ao voo.

Também não houve demonstração de que Flávio tenha chegado ao aeroporto argentino.

Imigração argentina afirma que não houve registro de entrada de Flávio

A repercussão levou a Direção Nacional de Migrações da Argentina a divulgar esclarecimentos sobre a situação.

Segundo o comunicado oficial reproduzido pela imprensa local, não existe registro migratório de entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina.

O órgão informou ainda que, diante da repercussão sobre a aeronave privada, foram iniciados procedimentos de verificação do avião e da tripulação.

Ao final, as autoridades comunicaram que a documentação da empresa estava regular.

Também afirmaram que não havia sido apresentado plano de voo incluindo integrantes da família Bolsonaro.

O esclarecimento oficial contraria a informação de que o nome do senador constava na documentação formal da viagem.

Polícia Federal brasileira também verifica possível passagem pela fronteira

No Brasil, a Polícia Federal passou a verificar registros migratórios e a consultar autoridades argentinas depois que surgiram informações sobre uma eventual saída do senador do território brasileiro.

Até os registros inicialmente divulgados, não havia confirmação de passagem regular de Flávio Bolsonaro pela fronteira.

A investigação ganhou repercussão depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou ao parlamentar a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do Brasil.

A medida judicial foi anunciada na segunda-feira, um dia depois da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

A existência dessa restrição torna relevante qualquer informação sobre uma possível viagem internacional, mas não comprova que o senador tenha tentado descumpri-la.

Aliado de Flávio Bolsonaro nega fuga

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, também negou que o parlamentar tivesse deixado o Brasil.

Em declaração ao portal Metrópoles, afirmou que a suposta viagem não aconteceu.

A negativa ocorreu depois das primeiras publicações argentinas sobre o deslocamento da aeronave.

Assim, permanecem duas situações distintas: a movimentação de um jatinho no aeroporto de Puerto Iguazú, que foi documentada, e a alegação de que Flávio Bolsonaro seria um dos passageiros, que não foi comprovada.

Movimentação no aeroporto não confirma tentativa de fuga

A reportagem argentina trouxe elementos visuais e testemunhais importantes sobre a permanência do avião no aeroporto e a presença de agentes de segurança.

A aeronave realmente realizou o trajeto de Buenos Aires a Puerto Iguazú, e houve verificações sobre a operação prevista para os Estados Unidos.

Entretanto, a ligação do voo com Flávio Bolsonaro continua sem demonstração documental.

O comunicado da imigração argentina, ao informar que não havia registro de entrada do senador nem plano de voo com integrantes da família, enfraquece a versão inicialmente divulgada.

A investigação da Polícia Federal brasileira poderá esclarecer se existe algum outro elemento relacionado a uma possível tentativa de deslocamento internacional.

O fato central é que uma aeronave particular teve sua partida interrompida e passou por verificações na Argentina, enquanto o nome de Flávio Bolsonaro apareceu em relatos não confirmados sobre os passageiros. Até o momento, as autoridades argentinas não confirmam sua presença no país nem sua inclusão formal no voo.

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