Uma fábrica de chocolates com origem em Divinópolis, em Minas, entrou no noticiário nacional por sua ligação societária com uma empresa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o Banco Master. A Haoma, indústria de chocolates que conquistou projeção nacional, teve aproximadamente 11% de seu capital nas mãos da Moriah Asset, empresa de investimentos controlada por Zettel. A sociedade terminou em uma disputa milionária depois que a Moriah foi excluída do quadro societário da fabricante. A investidora afirma ter aplicado R$ 12 milhões no negócio, mas sua participação foi calculada em apenas R$ 523 mil no momento da saída. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e levanta questionamentos sobre a transformação societária da companhia, a preservação de patrimônio e os efeitos das investigações do Banco Master sobre empresas que receberam recursos de integrantes do grupo investigado.
Fábrica de Divinópolis recebeu investimento de empresa controlada por cunhado de Vorcaro
A Haoma, fundada em Divinópolis ganhou espaço nacional no mercado de chocolates e atraiu investidores interessados no crescimento da marca.
Entre eles estava a Moriah Asset, empresa de Fabiano Zettel, empresário casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro.
A participação foi adquirida em 2024, quando a Moriah ingressou na sociedade ao lado de outros investidores minoritários.
Segundo documentos apresentados pela defesa da investidora e revelados pelo jornalista Diego Escosteguy, do portal O Bastidor, a Moriah desembolsou aproximadamente R$ 12 milhões para adquirir sua participação na companhia.
A operação de 2024 avaliava a fabricante em pouco mais de R$ 100 milhões. Em janeiro de 2025, uma nova rodada de investimentos atribuiu à Haoma valor de R$ 150 milhões.
O crescimento da fabricante de Divinópolis havia atraído capital de um empresário que posteriormente se tornaria um dos investigados no caso Banco Master.
Quem é Fabiano Zettel e qual sua ligação com Daniel Vorcaro
Fabiano Zettel é empresário, advogado e controlador da Moriah Asset, gestora que investiu em dezenas de marcas dos segmentos de alimentação, saúde e bem-estar.
Além da Haoma, o portfólio da Moriah incluiu empresas como Oakberry e Desinchá.
Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, e passou a ser investigado pela Polícia Federal no contexto da Operação Compliance Zero.
Em março de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão preventiva de Zettel e a suspensão das atividades da Moriah e de outras empresas.
Segundo a investigação, essas companhias apresentariam indícios de participação em uma estrutura de lavagem de dinheiro associada ao grupo Master.
A decisão foi referendada pela Segunda Turma do STF.
As suspeitas estão relacionadas às atividades investigadas de Zettel e de suas empresas. Não equivalem a uma conclusão judicial de que a Haoma tenha participado de quaisquer operações criminosas.
Haoma retira Moriah da sociedade depois das investigações do Banco Master
A exclusão da Moriah ocorreu em 27 de julho de 2026, quando os demais sócios da fabricante decidiram afastar a investidora.
A medida foi tomada depois que a Moriah passou a enfrentar restrições judiciais decorrentes das investigações envolvendo seu controlador.
A situação tornou-se ainda mais controversa porque, antes da exclusão, a Haoma havia alterado sua estrutura societária.
Até maio de 2026, a companhia funcionava como sociedade anônima de capital fechado. Em 25 de maio, passou a ser uma sociedade limitada.
A justificativa apresentada para a mudança foi a simplificação administrativa e a redução de custos relacionados à estrutura societária.
Entretanto, a transformação também modificou as regras aplicáveis à participação dos sócios.
O novo contrato passou a prever a possibilidade de exclusão de participantes cuja situação pudesse representar risco à continuidade ou à reputação da empresa.
Cláusula sobre investigações criminais permitiu afastamento da investidora
O novo contrato social estabeleceu hipóteses para exclusão de sócios, incluindo situações relacionadas à perda de reputação e ao envolvimento em investigações criminais de repercussão.
Para a defesa da Moriah, a mudança criou condições jurídicas destinadas justamente ao afastamento da investidora.
Os advogados questionam a transformação da sociedade anônima em limitada e sustentam que a alteração não poderia ter sido utilizada para permitir a exclusão nas circunstâncias apresentadas.
A controvérsia é relevante porque a legislação prevê regras diferentes para retirada e exclusão de participantes conforme o tipo societário.
A defesa afirma que a transformação poderia exigir o consentimento dos acionistas ou garantir direitos específicos àqueles que discordassem da mudança.
A legalidade da operação e a validade da exclusão permanecem entre os principais pontos discutidos na disputa.
Participação comprada por R$ 12 milhões foi calculada em apenas R$ 523 mil
O aspecto mais expressivo do conflito está no valor atribuído à participação da Moriah.
De acordo com a reportagem do O Bastidor, a investidora afirma ter aplicado R$ 12 milhões na aquisição de aproximadamente 11% da Haoma.
Entretanto, o balanço especial elaborado na data da exclusão fixou sua participação em R$ 523 mil.
Isso significa que o valor apurado corresponde a menos de 4,4% do investimento declarado.
A diferença provocou questionamentos sobre os critérios de avaliação utilizados pela fabricante.
O patrimônio líquido contábil da companhia foi indicado em aproximadamente R$ 4,7 milhões, enquanto operações anteriores haviam atribuído à empresa avaliações muito superiores.
Embora patrimônio líquido e valor de mercado sejam conceitos diferentes, a discrepância tornou-se o centro da disputa judicial.
Defesa reivindica até R$ 32,6 milhões e leva conflito ao Supremo
A defesa da Moriah apresentou estimativas segundo as quais sua participação poderia valer entre R$ 20,4 milhões e R$ 32,6 milhões.
Os valores foram calculados a partir de avaliações da Haoma que variavam entre R$ 189 milhões e R$ 302 milhões.
A documentação encaminhada pela defesa, entretanto, incluía projeções e uma tabela sem autoria identificada. Portanto, os valores não representam avaliação judicial definitiva.
A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde os advogados da Moriah solicitaram a suspensão de sua exclusão.
Alternativamente, pediram que a Haoma e seus controladores depositassem R$ 20,4 milhões à disposição do tribunal.
A defesa também solicitou providências relacionadas à administração da Moriah, cujas atividades haviam sido suspensas por determinação judicial.
Justiça de São Paulo autorizou depósito de R$ 523 mil
Depois da exclusão, a própria Haoma procurou a Justiça de São Paulo para realizar o depósito judicial do valor calculado para a participação da antiga investidora.
A fabricante alegou existir dúvida sobre quem deveria receber os recursos, considerando as medidas judiciais relacionadas à Moriah e ao grupo Master.
Em 2 de setembro, o juiz Caio Hunnicutt Fleury Moraes, da 2ª Vara Empresarial, autorizou o depósito dos R$ 523 mil.
Entretanto, a decisão não estabeleceu que o valor correspondia ao preço definitivo da participação societária.
O magistrado delimitou a discussão à identificação de quem teria direito ao dinheiro.
Questões relativas à legalidade da exclusão e aos critérios utilizados na avaliação deverão ser examinadas pelas instâncias competentes, incluindo a arbitragem prevista no contrato social.
Advogados levantam suspeita de fraude e pedem avaliação do Ministério Público
A controvérsia ganhou dimensão ainda maior quando a defesa da Moriah passou a questionar a finalidade das alterações societárias.
Os advogados sustentam que a transformação da Haoma em sociedade limitada poderia ter sido utilizada para permitir a exclusão da investidora por valor considerado inferior ao de mercado.
Também solicitaram que o Ministério Público Federal avaliasse a possibilidade de ocorrência de estelionato.
Essa manifestação representa uma alegação apresentada pela defesa em uma disputa patrimonial.
Não corresponde à comprovação de prática criminosa pelos controladores da Haoma nem significa que tenha sido instaurada ação penal contra a fabricante pelos fatos narrados.
A análise dependerá dos documentos, das regras contratuais e das decisões das autoridades competentes.
Juju Norremose também integra sociedade da fabricante de chocolates
A Haoma possui entre seus sócios a influenciadora digital Juju Norremose, que reúne mais de um milhão de seguidores nas redes sociais.
Segundo a reportagem original, a influenciadora passou a participar do negócio depois de divulgar produtos da marca e conhecer a empresa.
Seu marido, Sérgio Bruno, também integra a sociedade e participa da administração.
A presença de nomes conhecidos no ambiente digital contribuiu para ampliar a projeção comercial da marca, que nasceu em Divinópolis e conquistou espaço em outros mercados.
A disputa societária, entretanto, ganhou repercussão nacional principalmente pela ligação da antiga investidora com Fabiano Zettel e, consequentemente, com o grupo de Daniel Vorcaro.
O que efetivamente liga uma fábrica de Divinópolis ao caso Banco Master
A relação entre a Haoma e o caso Banco Master é empresarial e documental.
A Moriah Asset, empresa controlada por Fabiano Zettel, investiu na fabricante de chocolates e passou a integrar seu quadro societário.
Posteriormente, Zettel foi preso no âmbito das investigações relacionadas ao grupo Master, enquanto a Moriah teve suas atividades suspensas por determinação judicial.
Foi nesse contexto que os demais sócios da Haoma decidiram retirar a investidora da companhia, desencadeando a disputa milionária.
O vínculo societário, portanto, é concreto. A investigação criminal sobre a Moriah também está documentada.
O que não está demonstrado, nos elementos publicados até agora, é que a Haoma tenha participado conscientemente de crimes financeiros atribuídos ao grupo Master.
Essa distinção é fundamental para compreender a dimensão real do envolvimento da indústria de Divinópolis no caso.
Caso coloca indústria de Divinópolis no centro de disputa patrimonial de alcance nacional
A fábrica de chocolates que nasceu no Centro-Oeste mineiro passou a integrar uma disputa envolvendo valores milionários, decisões judiciais e personagens investigados em um caso de repercussão nacional.
O episódio também levanta questionamentos sobre os cuidados adotados por empresas ao receber investimentos externos e sobre os efeitos que investigações criminais contra um sócio podem provocar em negócios formalmente independentes.
A Haoma decidiu afastar a Moriah de sua sociedade. A antiga investidora contesta a medida e os valores utilizados na exclusão.
Entre o investimento declarado de R$ 12 milhões, a avaliação de saída de R$ 523 mil e a reivindicação que pode alcançar R$ 32,6 milhões, a Justiça terá de examinar uma controvérsia que ultrapassa a fabricação de chocolates.
O ponto central da matéria é que uma indústria fundada no município recebeu investimentos de uma empresa controlada pelo cunhado de Daniel Vorcaro, posteriormente investigada no caso Banco Master, e agora está envolvida em uma disputa societária que chegou ao Supremo Tribunal Federal.
A fábrica passou a ocupar um lugar no noticiário nacional não por sua produção de chocolates, mas pelo histórico de seus investidores e pelas consequências jurídicas da tentativa de encerrar essa relação empresarial.
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O Divinews mantém o espaço aberto para que as partes envolvidas possam se manifestar. Caso haja interesse, suas declarações serão incorporadas a esta reportagem ou publicadas em uma nova matéria, garantindo o direito ao contraditório e à ampla manifestação.
TRANSPARÊNCIA EDITORIAL | DIVINEWS
Matéria elaborada com base na investigação publicada por Diego Escosteguy, no portal O Bastidor, em 16 de outubro de 2026, e em informações complementares sobre Fabiano Zettel e a Operação Compliance Zero. A organização textual contou com apoio de IA, sob orientação e responsabilidade editorial do Divinews.






