A eleição presidencial de 2026 chega ao momento decisivo neste domingo (25), com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputando não apenas os votos conquistados no primeiro turno, mas também a participação de 48,7 milhões de brasileiros que não escolheram nenhum dos dois candidatos na votação de 4 de outubro. O levantamento, publicado neste sábado (24) pela Folha de S.Paulo, mostra que esse contingente reúne eleitores ausentes, pessoas que votaram em branco ou anularam o voto e cidadãos que optaram por candidaturas derrotadas. Em um cenário de empate técnico nas pesquisas, a capacidade de mobilizar esses grupos ganhou importância nas estratégias das duas campanhas.
Quem são os 48,7 milhões de eleitores que estão no centro da disputa
O número reúne quatro grupos distintos de brasileiros que não votaram em Lula nem em Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
O maior contingente é formado pelos eleitores que não compareceram às urnas. Foram aproximadamente 33,4 milhões de ausentes, número recorde segundo o levantamento apresentado pela Folha.
Outros 9,3 milhões escolheram candidatos que não avançaram ao segundo turno. Também foram registrados 3,6 milhões de votos nulos e 2,3 milhões de votos brancos.
Esses grupos representam comportamentos eleitorais diferentes. Quem faltou pode voltar a votar, enquanto eleitores da chamada terceira via poderão escolher um dos finalistas, manter o voto nulo ou não comparecer.
Como os 48,7 milhões se dividem
| Situação no primeiro turno | Eleitores |
|---|---|
| Não compareceram às urnas | 33,4 milhões |
| Votaram em outros candidatos | 9,3 milhões |
| Anularam o voto | 3,6 milhões |
| Votaram em branco | 2,3 milhões |
| Total divulgado | 48,7 milhões |
Os valores são arredondados, razão pela qual sua soma pode apresentar pequena diferença em relação ao total divulgado.
Abstenção se tornou uma das principais preocupações das campanhas
A quantidade de eleitores ausentes no primeiro turno passou a ocupar posição central nas estratégias eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro.
Segundo análise do cientista político Antônio Lavareda mencionada pela Folha, a abstenção teria prejudicado proporcionalmente mais o presidente Lula, retirando aproximadamente oito pontos de seu desempenho potencial, contra cinco pontos de Flávio.
Essa é uma estimativa analítica, não uma contabilização de votos efetivamente perdidos por cada candidato.
O levantamento também destaca que Lula recebeu 3,4 milhões de votos a menos do que havia conquistado no primeiro turno presidencial de 2022.
A diferença entre os dois candidatos na primeira votação de 2026 foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Flávio busca conquistar eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno
A campanha de Flávio Bolsonaro procurou ampliar seus apoios entre os eleitores que escolheram outras candidaturas presidenciais em 4 de outubro.
Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, cujas candidaturas somaram aproximadamente 6,3 milhões de votos, declararam apoio ao senador no segundo turno.
O número representa quase 70% dos votos destinados aos candidatos que ficaram fora da disputa final.
Entretanto, a manifestação de apoio de uma liderança política não significa que todos os seus eleitores seguirão automaticamente a mesma orientação.
Renan Santos, que recebeu aproximadamente 2,6 milhões de votos pelo Partido Missão, não declarou apoio a nenhum dos dois finalistas.
Lula investe em mobilização nas redes e participação dos eleitores
Do lado petista, a campanha passou a intensificar estratégias de mobilização digital para alcançar eleitores que não participaram da primeira votação ou que ainda não haviam escolhido um dos candidatos.
Entre as iniciativas está o chamado Exército do Lula, movimento digital associado à atuação do deputado federal André Janones.
A estratégia busca ampliar o alcance de mensagens de campanha e incentivar a participação eleitoral.
Segundo o levantamento da Folha, indicadores de popularidade digital da Quaest registraram mudanças na disputa virtual entre os dois presidenciáveis durante a reta final.
Entretanto, popularidade nas redes sociais não corresponde diretamente a intenção de voto, assim como engajamento digital não garante comparecimento às urnas.
Mulheres representam mais da metade dos eleitores ausentes
Um dado importante apresentado pela reportagem da Folha diz respeito à participação feminina entre os eleitores que não compareceram ao primeiro turno.
As mulheres representaram 51% das abstenções, aproximadamente 16,9 milhões de eleitoras. Entre os homens, o número chegou a 16,5 milhões.
Mais de sete milhões de mulheres entre 21 e 44 anos não compareceram às urnas.
Essa distribuição ajuda a compreender por que temas relacionados aos direitos das mulheres, à licença-maternidade e à organização da jornada de trabalho receberam destaque durante os debates presidenciais.
Os dois candidatos também direcionaram mensagens específicas a diferentes faixas do eleitorado, conforme as estratégias adotadas por suas campanhas.
Eleitores acima dos 70 anos também ganharam atenção
A reportagem identifica ainda um contingente expressivo de eleitores idosos que não participaram da primeira votação.
Entre as pessoas acima dos 70 anos, aproximadamente 5,1 milhões de mulheres e 3,3 milhões de homens deixaram de comparecer.
Nesse grupo, o voto é facultativo, diferentemente da regra geral aplicada aos brasileiros de 18 a 70 anos.
Durante a campanha, temas como aposentadorias, benefícios previdenciários e programas de saúde ganharam destaque nos discursos dos candidatos.
O objetivo político das duas campanhas é dialogar com esses eleitores, embora não exista garantia de que a abordagem resulte em maior comparecimento.
Nordeste concentra milhões de eleitores ausentes
O Nordeste aparece no levantamento como uma região relevante para as estratégias de mobilização eleitoral.
Aproximadamente oito milhões de nordestinos não votaram no primeiro turno. Outros 1,8 milhão escolheram candidatos da terceira via e cerca de 1,7 milhão votaram em branco ou anularam.
Lula venceu nos nove estados nordestinos, alcançando 63,77% dos votos válidos na região, segundo os dados apresentados pela Folha.
Flávio Bolsonaro recebeu 30,85% dos votos válidos no Nordeste.
A distribuição regional demonstra diferenças importantes entre os desempenhos dos candidatos, mas não permite antecipar automaticamente o resultado do segundo turno.
Minas Gerais concentra 3,7 milhões de eleitores que não votaram
Minas Gerais aparece entre os estados de maior importância para a disputa presidencial, tanto pelo tamanho de seu eleitorado quanto pelo elevado número de ausências.
Segundo o levantamento, aproximadamente 3,7 milhões de mineiros não compareceram às urnas no primeiro turno.
Outro milhão de eleitores do estado escolheu candidaturas que não avançaram à etapa final.
O histórico de disputas presidenciais também contribuiu para que Minas fosse identificado na reportagem como um estado de comportamento eleitoral decisivo em eleições anteriores.
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro realizaram agendas em diferentes regiões mineiras durante o segundo turno.
Campanhas intensificaram agendas em cidades mineiras
Lula esteve em Juiz de Fora, município que, entre as dez maiores cidades mineiras, foi o único onde superou Flávio Bolsonaro no primeiro turno, segundo a reportagem.
O presidente também realizou agenda em Ipatinga, cidade onde o adversário havia obtido vantagem de aproximadamente 29 pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, visitou Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, município onde venceu Lula na primeira votação.
O deputado federal Nikolas Ferreira participou da articulação política e da mobilização de apoiadores do candidato do PL em Minas Gerais.
As agendas demonstram a atenção dedicada ao eleitorado mineiro durante a fase final da campanha.
Disputa também envolve mudança de voto e rejeição aos candidatos
A busca por eleitores ausentes ou que escolheram outros candidatos não foi a única estratégia adotada pelas campanhas.
Lula e Flávio Bolsonaro também procuraram alcançar cidadãos que votaram no adversário durante a primeira etapa.
Para isso, as campanhas intensificaram comparações entre propostas, críticas políticas e mensagens sobre possíveis consequências das escolhas eleitorais.
O levantamento destaca que o crescimento da rejeição ao adversário passou a integrar as estratégias de comunicação dos dois lados.
Entretanto, mudar o voto de alguém que já havia escolhido um dos finalistas constitui um comportamento diferente de conquistar uma pessoa que anteriormente se absteve ou votou em branco.
Último debate ocorreu em cenário de empate técnico nas pesquisas
O confronto realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23) ocorreu em um momento de forte equilíbrio nas pesquisas de intenção de voto.
Os levantamentos mencionados pela Folha indicavam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da campanha.
Essa condição significa que as diferenças encontradas não eram estatisticamente suficientes para estabelecer uma vantagem fora das margens consideradas pelas pesquisas.
A reportagem aponta que Flávio iniciou o segundo turno em posição mais forte nos levantamentos, enquanto a campanha de Lula buscou reduzir a distância por meio de mobilizações presenciais e digitais.
Os dados, entretanto, não autorizam afirmar antecipadamente qual candidato será eleito.
Resultado de domingo dependerá dos votos efetivamente depositados nas urnas
A disputa pelos 48,7 milhões de brasileiros identificados no levantamento não significa que todos eles estarão disponíveis para escolher um candidato no domingo.
Parte poderá continuar ausente, anular novamente o voto ou optar pelo voto em branco.
Outros poderão escolher Lula ou Flávio Bolsonaro pela primeira vez nesta eleição.
Também existe a possibilidade de mudanças entre eleitores que haviam votado em um dos finalistas no primeiro turno.
O tamanho desses movimentos somente poderá ser conhecido com a apuração oficial.
O fato central é que a eleição presidencial chega à votação decisiva com um contingente expressivo de brasileiros que não escolheram nenhum dos finalistas no primeiro turno, tornando o comparecimento e a transferência de votos elementos importantes para compreender o resultado das urnas.






