Quaest: indecisos dobram para 14% e disputa entre Lula e Flávio segue acirrada

Levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) mostra empate técnico entre os candidatos no cenário estimulado e aponta mudanças na rejeição dos dois nomes na reta final do segundo turno.

Publicado por: Cassia Misael

A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) permanece apertada, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). O levantamento mostra o senador com 45% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 44% do atual presidente, diferença que está dentro da margem de erro. Outro dado que chama a atenção é o aumento do percentual de eleitores que não indicam espontaneamente um candidato: o grupo de indecisos passou de 7% para 14% em uma semana.

A nova rodada da pesquisa acrescenta elementos importantes à análise da reta final da campanha. Além da proximidade entre os dois candidatos nas intenções de voto, os números sobre indecisão e rejeição ajudam a dimensionar o cenário eleitoral antes da votação. Os resultados, contudo, precisam ser interpretados considerando a metodologia utilizada e o período em que as entrevistas foram realizadas.

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Flávio Bolsonaro registra 45%, e Lula aparece com 44%

No cenário estimulado, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos como opções de resposta, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 45% das intenções de voto. Lula registra 44%, configurando uma diferença de apenas um ponto percentual.

A distância entre os dois está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Por isso, o resultado caracteriza empate técnico, sem comprovar uma vantagem estatisticamente consolidada de qualquer um dos concorrentes.

Na comparação com a rodada anterior da Quaest, divulgada em 14 de outubro, Flávio oscilou de 46% para 45%, enquanto Lula permaneceu com 44%. As variações mostram que, dentro desse cenário, os candidatos continuam próximos, sem uma mudança expressiva nos percentuais apresentados pelo levantamento.

Brancos, nulos e eleitores que afirmaram não escolher nenhum dos dois candidatos representam 9% das respostas. Outros 2% não souberam responder ou permaneceram indecisos nesse formato de pergunta.

Esses números indicam que a disputa continua concentrada nos dois candidatos, mas a pequena diferença entre eles exige cautela na interpretação. Uma oscilação dentro da margem de erro não deve ser tratada automaticamente como crescimento ou perda efetiva de apoio eleitoral.

Indecisos dobram na pesquisa espontânea

Um dos dados mais relevantes do levantamento aparece na pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistador não apresenta previamente os nomes dos candidatos. Nesse formato, os participantes precisam declarar por conta própria em quem pretendem votar.

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Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 40% cada. Ao mesmo tempo, o percentual de entrevistados que não souberam ou não responderam passou de 7% para 14%, segundo os números divulgados.

A variação representa um aumento de sete pontos percentuais e a duplicação do índice registrado na rodada anterior. O dado chama a atenção porque ocorre justamente na semana da votação, quando as campanhas intensificam as ações para consolidar suas bases eleitorais e convencer quem ainda não definiu a escolha.

Entretanto, o aumento dos indecisos na pergunta espontânea não significa necessariamente que todos esses eleitores estejam sem uma preferência. Alguns podem ter uma inclinação de voto, mas não se sentirem seguros para declarar um nome sem receber as opções. Outros podem realmente estar avaliando os candidatos ou ainda não ter tomado uma decisão.

Por esse motivo, os resultados espontâneos e estimulados precisam ser analisados separadamente. Enquanto o primeiro formato mede a capacidade de o eleitor mencionar um candidato sem auxílio, o segundo apresenta uma situação em que os nomes estão disponíveis para escolha.

A diferença entre os dois formatos também ajuda a compreender por que uma pesquisa pode mostrar percentuais distintos sem que exista contradição entre os resultados.

Rejeição de Lula cai seis pontos percentuais

A Quaest também investigou a rejeição aos dois candidatos, indicador que mede a parcela de entrevistados que afirma não votar em determinado nome de jeito nenhum.

Nesse quesito, a rejeição a Lula passou de 53% para 47%, uma queda de seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Já a rejeição a Flávio Bolsonaro recuou de 54% para 52%, variação de dois pontos.

O movimento registrado para Lula foi numericamente maior no período analisado. Ainda assim, os dados de rejeição não devem ser confundidos com as intenções de voto, pois representam perguntas diferentes e podem refletir percepções distintas do eleitorado.

Um entrevistado pode rejeitar um candidato e, mesmo assim, não declarar voto no adversário. Da mesma forma, a redução da rejeição não significa que todos os eleitores que deixaram de rejeitar um nome tenham migrado diretamente para sua candidatura.

A leitura conjunta dos indicadores permite avaliar aspectos diferentes da disputa: as intenções de voto apontam a preferência declarada, a pergunta espontânea mostra a capacidade de mencionar um candidato sem estímulo e a rejeição mede a resistência do eleitorado aos concorrentes.

Pesquisa foi realizada na semana do segundo turno

O levantamento foi realizado entre sábado (17) e terça-feira (20), com entrevistas presenciais de 2.154 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança informado é de 95%.

A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

Como as entrevistas ocorreram ao longo de quatro dias, os resultados representam as respostas coletadas naquele período. A divulgação na quarta-feira (21) oferece um retrato do cenário eleitoral a poucos dias da votação, mas não permite antecipar com certeza o resultado das urnas.

Na reta final, declarações de campanha, debates, acontecimentos políticos e a mobilização dos eleitores podem influenciar o ambiente eleitoral. A intensidade e a direção de eventuais mudanças, porém, dependem de novos dados e não podem ser determinadas apenas a partir de uma única pesquisa.

O que os números indicam antes da votação

A pesquisa Quaest apresenta três elementos centrais para a análise do segundo turno: a proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro no cenário estimulado, a duplicação do percentual de indecisos na pergunta espontânea e a redução da rejeição aos dois candidatos, especialmente no caso do presidente.

Os indicadores não apontam uma vantagem estatisticamente consolidada de um dos concorrentes. Com a diferença de um ponto percentual no cenário estimulado e uma margem de erro de dois pontos, o resultado deve ser descrito como empate técnico.

O aumento dos indecisos na modalidade espontânea também merece atenção, mas não deve ser interpretado isoladamente como sinal de mudança no resultado provável. Para avaliar o peso desse grupo, é necessário considerar o conjunto das respostas, a metodologia da pesquisa e os demais indicadores eleitorais.

Com o segundo turno marcado para domingo (25), os números divulgados nesta quarta-feira ajudam a dimensionar o equilíbrio da disputa e os desafios das campanhas para conquistar votos na reta final. A definição, entretanto, caberá aos eleitores nas urnas.

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