
A ativação do centro cirúrgico representa mais um avanço na implantação do hospital, que está sendo colocado em funcionamento gradualmente. Nesta primeira etapa, foram realizadas seis cirurgias para tratamento de lesões de pele, consideradas de menor complexidade. A proposta é organizar os fluxos assistenciais, alinhar as equipes e ampliar os procedimentos conforme a estrutura e os serviços forem sendo disponibilizados.
A expectativa é fortalecer a assistência pública na região Centro-Oeste de Minas Gerais, reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outros municípios e contribuir para diminuir a pressão sobre os serviços de saúde já existentes.
Hospital começa com duas salas cirúrgicas e prevê ampliar procedimentos
O início das cirurgias integra o processo de implantação gradual do Hospital Universitário. Atualmente, a unidade conta com 58 leitos disponíveis, mas a estrutura foi planejada para chegar a 198 leitos, incluindo 55 destinados a cuidados intensivos, conforme a apresentação feita durante a entrevista.
Na etapa atual, duas das seis salas cirúrgicas previstas estão em funcionamento. A ampliação será realizada progressivamente, de acordo com o planejamento assistencial e a organização dos serviços.
Segundo a direção do hospital, a fase inicial prioriza procedimentos de menor complexidade, permitindo que as equipes estabeleçam rotinas de atendimento, segurança e recuperação dos pacientes antes de avançar para cirurgias que exigem maior estrutura hospitalar.
A previsão apresentada é iniciar, na sequência, os procedimentos de hospital-dia, nos quais o paciente permanece na unidade por um período de até 12 horas e recebe alta para continuar a recuperação em casa, quando houver indicação clínica.
Para novembro, está prevista a ampliação da oferta para cirurgias que exigem internação hospitalar. A implantação dependerá do planejamento dos serviços e da organização dos encaminhamentos pelo SUS.
Cirurgias pelo SUS dependem de encaminhamento e regulação
A entrada dos pacientes no Hospital Universitário ocorre por meio dos fluxos oficiais de regulação do SUS. Isso significa que a população não deve procurar diretamente o centro cirúrgico para solicitar uma operação.
Conforme explicado pela equipe durante a entrevista, os pacientes ambulatoriais atendidos inicialmente são encaminhados pelo Sistema Viver, do município. Essa etapa permite realizar procedimentos de menor complexidade e organizar o funcionamento do bloco cirúrgico.
Com a ampliação da assistência, a expectativa é receber também pacientes encaminhados pelo Centro de Referência em Oftalmologia (CORE), conforme a organização dos serviços, além de pacientes provenientes de outros fluxos de regulação para atendimentos de média e alta complexidade.
A orientação é que o usuário procure a Unidade Básica de Saúde (UBS), a policlínica ou outro serviço de referência em que já realiza acompanhamento. A partir da avaliação clínica, o paciente poderá ser encaminhado para a regulação, responsável por organizar o acesso ao atendimento especializado.
A direção do hospital ressaltou que a definição das prioridades não é feita individualmente pela unidade, mas segue os critérios e os fluxos estabelecidos pelo SUS e pelos gestores responsáveis.
Hospital amplia oferta de exames e busca reduzir filas
Além das cirurgias, o Hospital Universitário vem ampliando a oferta de exames especializados. Durante a entrevista, a direção informou que já foram abertos atendimentos para exames cardiológicos, incluindo monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e Holter, além de endoscopia e colonoscopia.
Outro avanço citado foi a abertura de vagas para ultrassonografia de mama. Segundo a representante da direção, havia aproximadamente 4 mil mulheres aguardando esse exame na região.
No caso das colonoscopias, a fila informada era de cerca de 2 mil pessoas. A ampliação da oferta busca reduzir o tempo de espera para a realização dos exames e favorecer o diagnóstico de doenças que precisam de acompanhamento ou tratamento.
O acesso mais rápido aos exames pode contribuir para que os profissionais de saúde identifiquem problemas com maior antecedência e encaminhem os pacientes para o cuidado adequado.
A abertura de novas vagas, entretanto, não significa que toda a demanda reprimida será atendida imediatamente. A redução das filas dependerá da quantidade de procedimentos ofertados, da capacidade operacional do hospital e da organização dos encaminhamentos.
Unidade será referência para 54 municípios da região
Quando estiver com todas as etapas de implantação concluídas, o Hospital Universitário deverá atuar como referência para pacientes de 54 municípios da região Centro-Oeste e Oeste de Minas Gerais, conforme informado pela direção.
A estrutura foi planejada para ampliar o acesso a procedimentos cirúrgicos e a tratamentos especializados que, em determinadas situações, exigem o deslocamento dos pacientes para outras regiões.
Entre as áreas previstas para a expansão estão a cardiologia de alta complexidade, a assistência materno-infantil e os cuidados neonatais e pediátricos. O planejamento também contempla cirurgias gerais e ortopédicas, conforme a implantação dos serviços e a pactuação com os gestores do SUS.
A ampliação poderá beneficiar pacientes que hoje dependem de outras unidades para receber determinados tratamentos. Para isso, será necessário colocar em funcionamento as novas etapas assistenciais e garantir os fluxos de encaminhamento e atendimento.
Implantação será feita por etapas até alcançar 198 leitos
A direção destacou que o hospital está passando por um processo de implantação gradual, conhecido como faseamento. Nesse modelo, os serviços são ativados progressivamente, conforme a estrutura física, os equipamentos, as equipes e os fluxos de atendimento são preparados.
A meta é chegar a uma unidade integralmente dedicada ao atendimento pelo SUS, com 198 leitos, seis salas cirúrgicas e capacidade para realizar procedimentos de diferentes níveis de complexidade.
O funcionamento do centro cirúrgico representa, portanto, uma nova etapa desse processo. A ampliação dos serviços deverá ocorrer de maneira progressiva, com a incorporação de novas cirurgias e atendimentos especializados.
Para os pacientes da região, o avanço cria a perspectiva de acesso ampliado à assistência hospitalar pública em Divinópolis. O impacto efetivo sobre as filas e os deslocamentos dependerá, porém, da expansão da capacidade de atendimento e da consolidação dos serviços previstos.






