A deputada estadual Lohanna França (PV) publicou um vídeo em que provoca Jair Bolsonaro ao questionar quais obras e serviços o ex-presidente teria deixado em Divinópolis. Na gravação, a parlamentar percorre referências locais e menciona a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o Hospital Universitário, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o Restaurante Popular e programas habitacionais para sustentar sua comparação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Bolsonaro. Ao final, ela direciona a mensagem à disputa presidencial e declara: “Falar é Flávio. Fazer é Lula”, seguida de um pedido de voto no número 13.
A estratégia da deputada é aproximar o debate eleitoral nacional da realidade dos moradores, usando estruturas públicas conhecidas da população como exemplos de investimentos e políticas que ela associa às administrações petistas. O vídeo também representa uma manifestação explícita de apoio a Lula diante da disputa com Flávio Bolsonaro.
“Estou procurando pelo menos um tijolo”
A gravação começa com uma pergunta dirigida à parlamentar: “Lohanna, o que você tá procurando aí?”. Ela responde: “Tô procurando pelo menos um tijolo que o Bolsonaro colocou em Divinópolis”, antes de convidar o público a acompanhá-la.
A frase funciona como provocação política e estabelece o argumento que conduz o restante do vídeo. Em vez de apresentar uma lista de propostas eleitorais, Lohanna escolhe equipamentos públicos e serviços existentes no município para questionar a participação do governo Bolsonaro em sua implantação ou manutenção.
A primeira referência é a UFSJ. Na gravação, a deputada atribui a chegada da universidade a Divinópolis ao presidente Lula e destaca a formação de médicos, bioquímicos, farmacêuticos e enfermeiros para atender moradores da cidade, do Centro-Oeste mineiro e de outras regiões de Minas Gerais.
O campus Centro-Oeste Dona Lindu foi criado em 2008, durante o segundo mandato de Lula, e consolidou a presença da universidade federal na formação de profissionais da área da saúde. A trajetória da instituição, portanto, confirma a relação histórica mencionada pela parlamentar, embora a implantação e a expansão de uma universidade pública envolvam planejamento, investimentos e diferentes etapas administrativas.
Hospital Universitário entra na comparação
Outro destaque da gravação é o Hospital Universitário da UFSJ. Lohanna questiona se Bolsonaro foi responsável pela unidade e responde que não, atribuindo a Lula o início do funcionamento do hospital, com investimento anual de R$ 340 milhões, cerca de 200 leitos e geração de 1.500 empregos na região.
O Hospital Universitário começou a funcionar em junho de 2026, inicialmente com 31 leitos, e foi inaugurado oficialmente durante visita de Lula a Divinópolis. Segundo informações divulgadas pela própria UFSJ, a unidade tem previsão de expansão para 198 leitos, com investimento anual superior a R$ 340 milhões do Governo Federal.
A história do empreendimento, no entanto, envolve diferentes etapas de articulação institucional. A estrutura física foi construída pelo Governo de Minas, e a implantação do hospital universitário avançou por meio de acordos entre o governo estadual, a UFSJ e órgãos federais. A universidade descreve o projeto como resultado de uma construção conjunta, com participação de diferentes instituições e agentes públicos.
UPA e Restaurante Popular também são citados
Na sequência, a deputada menciona a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis e afirma que a estrutura foi viabilizada durante o governo Dilma Rousseff. Ela também atribui ao governo Lula a abertura do Restaurante Popular no município.
Essas referências ampliam a comparação política apresentada no vídeo, que reúne serviços de saúde e alimentação pública para sustentar a defesa das administrações petistas. A parlamentar, porém, não apresenta na gravação documentos ou datas sobre a implantação desses equipamentos, nem detalha a participação de cada esfera de governo em sua construção e manutenção.
Habitação entra no debate entre Lula e Bolsonaro
Lohanna também menciona o programa Minha Casa, Minha Vida, criado durante o segundo governo Lula e mantido posteriormente, com alterações, por diferentes administrações federais.
Ao falar sobre Bolsonaro, a deputada cita o Casa Verde e Amarela, programa habitacional lançado durante o governo do ex-presidente, e questiona a existência de empreendimentos vinculados à iniciativa em Divinópolis. “Mas eu não vi uma casa dessas aqui em Divinópolis”, afirma.
A fala expressa a avaliação da parlamentar sobre a presença do programa na cidade. Entretanto, o vídeo não apresenta dados sobre contratos, unidades construídas ou moradias entregues no município, informações necessárias para verificar a abrangência local da iniciativa e estabelecer uma comparação completa com o Minha Casa, Minha Vida.
Lohanna encerra vídeo com pedido de voto para Lula
No trecho final, a deputada deixa explícito o objetivo eleitoral da gravação. Depois de citar universidade, hospital, atendimento de urgência, alimentação e habitação, ela resume a comparação entre os candidatos em duas frases: “Falar é Flávio. Fazer é Lula”.
Em seguida, pede voto no número 13, associado à candidatura de Lula. A referência a Flávio Bolsonaro coloca a disputa presidencial no centro da mensagem, enquanto os exemplos de Divinópolis funcionam como argumentos para defender a continuidade do projeto político petista.
O vídeo, portanto, não se limita a uma retrospectiva de obras e serviços públicos: trata-se de uma manifestação de campanha, na qual Lohanna seleciona realizações que atribui aos governos Lula e Dilma para questionar a atuação de Bolsonaro no município. A gravação não apresenta um levantamento abrangente de todas as ações federais realizadas em Divinópolis durante os diferentes mandatos.






