A série jornalística Revelando lançou nesta segunda-feira (12/10), Dia de Nossa Senhora Aparecida, o episódio especial A Guerra à Santa, apresentado pela cantora Juliette, vencedora do Big Brother Brasil 21. A produção investiga ataques à imagem da Padroeira do Brasil e questiona como símbolos religiosos se tornaram parte das disputas ideológicas e políticas no país.
O episódio, realizado em parceria com o Instituto Conhecimento Liberta (ICL), aborda a dimensão histórica e popular da devoção a Nossa Senhora Aparecida e o contexto em que a imagem passou a ser mobilizada em controvérsias políticas, incluindo embates envolvendo setores conservadores e a extrema-direita.
A publicação ocorre em meio à polêmica eleitoral envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), depois que declarações sobre a relação entre Estado e religião e conteúdos divulgados nas redes sociais colocaram a santa no centro do debate público.
A imagem da Padroeira no centro da disputa política
No episódio, Juliette revisita a história da imagem de Nossa Senhora Aparecida e seu significado para a população brasileira. A produção destaca a origem popular da devoção e a representação de uma Maria negra, associada à fé de milhões de católicos e à história social do país.
A abordagem também coloca em discussão manifestações de intolerância religiosa e iniciativas de setores que procuram ampliar a influência de determinadas interpretações religiosas sobre o Estado. O tema é especialmente sensível em um país constitucionalmente laico, no qual a liberdade de crença e a igualdade entre religiões são garantias fundamentais.
O título A Guerra à Santa sintetiza a proposta editorial do episódio: investigar por que uma imagem religiosa tão popular se tornou objeto de disputas ideológicas e de narrativas políticas.
O que Flávio Bolsonaro disse sobre religião
A controvérsia eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro ganhou força depois de uma declaração feita em 23 de agosto de 2026. Ao comentar sua ausência em um debate presidencial, o senador afirmou que, caso chegasse à Presidência, um de seus primeiros atos seria decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala alimentou discussões sobre a relação entre religião e Estado.
A declaração, porém, precisa ser distinguida de outra informação que circulou nas redes sociais: a alegação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Segundo uma checagem do Projeto Comprova, publicada pelo UOL, não há evidências de que Flávio tenha anunciado essa intenção. A informação falsa foi associada a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos apostólicos romanos. A proposta foi rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura e arquivada em 2008.
A distinção é importante para a cobertura jornalística: é possível questionar politicamente a defesa de uma identidade religiosa oficial para o país sem atribuir ao candidato uma proposta que ele não apresentou.
Flávio Bolsonaro negou a intenção de retirar o título da santa e classificou a acusação como falsa. O caso também chegou à Justiça Eleitoral, com decisões sobre a retirada de publicações que associavam o candidato à suposta proposta.
Extrema-direita, intolerância religiosa e uso político da fé
O episódio do Revelando amplia o debate para além de uma disputa eleitoral específica. A relação entre religião e política envolve conflitos sobre símbolos nacionais, representação cultural e o espaço que diferentes crenças devem ocupar nas instituições públicas.
A atuação de grupos conservadores e de setores da direita religiosa nesse debate é objeto de análise por pesquisadores. Isso não significa que evangélicos, conservadores ou apoiadores de determinado candidato constituam grupos homogêneos, nem que todos compartilhem posições contrárias ao catolicismo.
O ponto central é distinguir a liberdade de defender convicções religiosas da tentativa de impor uma crença como referência exclusiva do Estado. Da mesma forma, críticas a lideranças religiosas ou a movimentos políticos não devem ser confundidas automaticamente com intolerância religiosa.
A reportagem de Juliette propõe examinar esse cenário a partir de Nossa Senhora Aparecida, cuja devoção atravessa gerações e ocupa um lugar importante na cultura brasileira.
Onde assistir
O episódio especial A Guerra à Santa, da série Revelando, com apresentação de Juliette e parceria do ICL, foi lançado no YouTube nesta segunda-feira (12/10).






