Festival Grito retorna a Divinópolis após dez anos, em três dias de música e cultura com entrada gratuita

Com o tema “Vozes Periféricas”, 10ª edição reúne rap, rock, samba, forró e baile drag entre sexta-feira (9) e domingo (11), na Casa Coletiva e no Black Garden.

Publicado por: Vinícius Xavier

Depois de uma década longe dos palcos, o Festival Grito está de volta a Divinópolis. A 10ª edição do evento será realizada entre sexta-feira (9) e domingo (11) de outubro, com três dias de programação gratuita que reúne música, formação cultural, roda de samba e baile drag. Você pode retirar seu ingresso gratuito no link do evento. Clique aqui!

Com o tema “Vozes Periféricas”, o festival terá atividades na Casa Coletiva, na Praça do Mercado, no Centro, e no Black Garden, na Rua Pitangui. A entrada é gratuita, mas é necessário retirar o ingresso antecipadamente pelo Sympla. A organização alerta que a lotação dos espaços é limitada.

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A programação reúne artistas de Divinópolis e da região Centro-Oeste de Minas, além de nomes de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Betim, Uberaba e outros estados.

A realização é da Casa Coletiva, Ponto de Cultura de Divinópolis, e a edição de 2026 integra o Circuito Mineiro de Festivais, por meio da Rota da Diversidade.

Festival retorna com programação além do rock

O Festival Grito surgiu em 2003, em Cuiabá (MT), com o nome Grito Rock. Criado pelo Coletivo Cubo e posteriormente disseminado pela rede Fora do Eixo, o projeto adotou um modelo colaborativo, no qual cada cidade organizava sua própria edição.

Ao longo dos anos, o festival se espalhou pelo Brasil e por outros países. Em Divinópolis, foram realizadas nove edições a partir de 2009, contribuindo para a movimentação da cena cultural independente do Centro-Oeste mineiro.

Após dez anos de pausa, o Grito retorna em uma proposta ampliada. O rock continua presente, mas divide espaço com rap, swing, forró, samba de roda e manifestações da cultura drag.

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A edição deste ano tem como eixo central as “Vozes Periféricas”, colocando artistas e manifestações culturais ligadas às periferias no centro da programação.

“O Grito sempre foi lugar de quem não cabia nos palcos da cidade. Dez anos depois, ele volta para dizer que a periferia não é margem: é de onde a cultura nasce”, afirma Paulo Mata, morador da Casa Coletiva Divinópolis.

Black Pantera é um dos destaques

Entre os principais nomes da programação está o Black Pantera, trio de Uberaba conhecido pelo trabalho que combina rock e posicionamento antirracista.

A banda se apresentou no Palco Sunset do Rock in Rio em setembro e está indicada ao Grammy Latino 2026 na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, com o trabalho “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador”.

O show em Divinópolis ocorre pouco antes da cerimônia do Grammy Latino, marcada para 12 de novembro.

Outro destaque é Tamara Franklin, de Ribeirão das Neves, que será a principal atração da programação de sexta-feira. A artista começou a escrever rap aos oito anos e lançou o álbum “Anônima”. Em 2021, venceu a 8ª edição do Prêmio da Música de Minas Gerais.

O sábado terá ainda a presença do Swing Safado, grupo que leva para o palco referências da musicalidade baiana combinadas à cena carnavalesca de Belo Horizonte.

Antes do grupo, Babi Jaques apresenta uma mistura de forró, xote e outros ritmos nordestinos.

Baile drag encerra programação da madrugada

Na madrugada de sábado para domingo, o Festival Grito promove o Eleganza, festa que há mais de uma década ocupa a cena cultural de Belo Horizonte com a cultura drag.

A programação será conduzida por Rafa Mártir, que recebe Mac Júlia, Fran Glam Glam e Voga.

O baile está previsto para ocorrer entre 0h45 e 3h, no Black Garden.

A programação também conta com artistas e grupos da cena local e regional, como 2BEVTZ, Emily Sniper, Complex, de Oliveira, a banda divinopolitana Mull, Sagrada Escritura do Gueto, de Belo Horizonte, DJ Renan Voodo Fraga, Coletivo Takara e Isis Ferreira.

Programação começa na sexta-feira

A abertura do festival será na sexta-feira (9), a partir das 20h, na Casa Coletiva, com a programação “Grito Preto: Vozes Periféricas”.

A noite terá apresentações de 2BEVTZ, Emily Sniper, Complex e Tamara Franklin.

No sábado (10), as atividades começam pela manhã, também na Casa Coletiva, com ações de formação e articulação para produtores culturais.

Às 8h haverá café da manhã. Na sequência, às 9h, Fran Glam Glam ministra a oficina “Produção Artística de Eventos Culturais”.

Às 10h, a programação terá a mesa “Som Dellas: mulheres na produção de festivais”, com participação de Doiska, Irlana Cassini, Fran Glam Glam e Marcela. A atividade pretende discutir a participação feminina na produção cultural e a articulação de uma rede de festivais em Minas Gerais.

A manhã será encerrada com um almoço coletivo, às 12h.

As atividades de formação são gratuitas e abertas ao público.

Shows começam no sábado à tarde

A programação musical do sábado será transferida para o Black Garden, com abertura dos portões prevista para 17h30.

Às 18h, Mull inicia o bloco “Grito Rock: Periferia em Alto e Bom Som”. Na sequência, às 19h, será a vez de Sagrada Escritura do Gueto. O Black Pantera sobe ao palco às 20h15.

A partir das 21h45, o evento entra no bloco “Grito Safado”, comandado pelo DJ Renan Voodo Fraga. Babi Jaques se apresenta às 22h15 e o Swing Safado fecha essa etapa da programação às 23h45.

Depois, o público poderá acompanhar o Eleganza, com apresentações previstas até as 3h da madrugada.

Domingo terá samba e brasilidades

O encerramento do Festival Grito ocorre no domingo (11), a partir das 11h, na Casa Coletiva.

A programação começa com a roda de samba do Coletivo Takara, às 11h. Ao meio-dia, Isis Ferreira apresenta o show “Brasilidades”.

A proposta é encerrar os três dias de atividades com uma programação voltada à música brasileira e à ocupação cultural do espaço.

Festival integra circuito de produção independente

A edição de 2026 integra o Circuito Mineiro de Festivais, iniciativa voltada à circulação e ao fortalecimento da produção cultural independente em cidades do interior de Minas Gerais.

Dentro do circuito, o Grito está inserido na Rota da Diversidade, segmento que dialoga diretamente com o tema “Vozes Periféricas”.

A Casa Coletiva, responsável pela realização do evento, é Ponto de Cultura certificado e atua desde 2013. O espaço mantém sede própria em Divinópolis desde 2021 e trabalha com cultura periférica, comunicação independente e formação no Centro-Oeste mineiro.

A instituição também participou da criação do Circuito 037, rede que reúne cerca de 60 coletivos culturais distribuídos por 15 cidades da região.

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