De professora e militante de movimentos sociais a vereadora mais jovem e mais votada da história de Divinópolis, Lohanna construiu em poucos anos uma carreira política que agora chega ao Congresso Nacional, após ser eleita deputada federal com 108.182 votos.
Lohanna Souza França Moreira de Oliveira nasceu em Vila Velha, no Espírito Santo, em 31 de janeiro de 1995, mas sua história política foi construída em Minas Gerais, especialmente entre Itaúna e Divinópolis. A família se mudou para Minas quando ela ainda era criança, e foi em Divinópolis que a jovem passou a participar de movimentos sociais e estudantis antes de transformar essa experiência em uma decisão que mudaria sua trajetória: disputar uma eleição.
Formada em Bioquímica pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Lohanna também trabalhou como professora. Antes de ocupar qualquer cargo eletivo, esteve envolvida em iniciativas de voluntariado, no Rotaract, no Movimento Acredito e no movimento estudantil. A experiência acadêmica e a atuação em projetos sociais ajudaram a formar a visão política que mais tarde seria levada para os mandatos no Legislativo.
A política começou antes do primeiro mandato
A entrada de Lohanna na política institucional não aconteceu por uma tradição familiar ou por uma carreira construída dentro de partidos. O caminho foi outro. A partir da participação em movimentos sociais e estudantis, ela passou a defender a ideia de que mudanças estruturais dependeriam também da ocupação dos espaços formais de decisão.
Foi nesse contexto que decidiu disputar uma vaga na Câmara Municipal de Divinópolis em 2020. Aos 25 anos, foi eleita com 5.462 votos, tornando-se a vereadora mais jovem e a mais votada da história do município, segundo registros da própria Câmara e da Assembleia Legislativa.
A votação teve um peso político que ultrapassava a idade da candidata. Lohanna chegou ao Legislativo municipal apresentando-se como uma alternativa à política tradicional e defendendo uma atuação baseada em evidências, diálogo e participação popular. Em discurso posterior na Assembleia, ela relembrou que sua primeira eleição foi construída em Divinópolis, com uma equipe formada por voluntários e sem grandes estruturas políticas ou financeiras.
Durante os dois anos em que permaneceu na Câmara Municipal, passou a concentrar parte de sua atuação em temas sociais, educação, cultura, meio ambiente e direitos das mulheres. Um dos trabalhos que ganhou destaque nesse período foi a mobilização em torno da dignidade menstrual, com arrecadação de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade.
A experiência municipal também aproximou Lohanna de discussões que posteriormente seriam ampliadas em seu mandato estadual. Em vez de abandonar as pautas que haviam marcado sua atuação em Divinópolis, ela levou parte delas para uma esfera maior, tentando transformar demandas locais em políticas públicas estaduais.
De vereadora a deputada estadual
A passagem pela Câmara Municipal durou apenas dois anos. Em 2022, Lohanna decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo Partido Verde.
O salto eleitoral foi expressivo. Ela recebeu cerca de 67 mil votos em 748 municípios mineiros e foi eleita deputada estadual. Em janeiro de 2023, renunciou ao mandato de vereadora para assumir a cadeira na Assembleia Legislativa.
A chegada à Assembleia colocou uma jovem política, até então conhecida principalmente em Divinópolis e no Centro-Oeste mineiro, diante de uma estrutura parlamentar muito maior. O desafio passou a ser transformar a popularidade conquistada na cidade em uma atuação capaz de alcançar diferentes regiões do estado.
Lohanna encontrou na Assembleia espaço especialmente em pautas relacionadas à educação, cultura, meio ambiente, direitos das mulheres e representatividade feminina. Ao longo da legislatura, também assumiu funções de destaque, entre elas a liderança da Bancada Feminina e a vice-presidência das Comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Ética e Decoro Parlamentar.
Uma atuação marcada pela defesa das mulheres
Entre os projetos apresentados por Lohanna na Assembleia está o Projeto de Lei 1.753/2023, voltado à inclusão das mulheres nas políticas culturais de Minas Gerais.
A proposta avançou durante a legislatura e foi aprovada definitivamente pelo Plenário em maio de 2026. O texto estabelece diretrizes para ampliar a participação feminina nas políticas culturais e contempla mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, negras, indígenas, com deficiência, integrantes de comunidades tradicionais e grupos populares ou periféricos. O projeto foi transformado na Lei Estadual nº 25.963/2026.
A pauta ajuda a identificar uma das marcas do mandato estadual de Lohanna: a tentativa de transformar temas relacionados à desigualdade social e à participação das mulheres em políticas públicas permanentes, e não apenas em discursos parlamentares.
A atuação também passou pela defesa da cultura. A própria deputada já relatou que foi durante o mandato de vereadora em Divinópolis que passou a se aproximar mais profundamente das políticas culturais. Na Assembleia, tornou-se vice-presidente da Comissão de Cultura e passou a atuar de maneira mais direta nessa área.
Divinópolis continuou no centro do mandato
Apesar de ampliar sua atuação para todo o estado, Lohanna manteve Divinópolis como uma das principais referências políticas de seu mandato.
A cidade esteve presente em debates sobre saúde, educação, previdência e infraestrutura. Um dos projetos de maior impacto regional defendidos por ela foi o que tratou da destinação de um imóvel para a Universidade Federal de São João del-Rei, com o objetivo de viabilizar o funcionamento do Hospital Regional de Divinópolis como Hospital Universitário da UFSJ.
Em pronunciamento na Assembleia, Lohanna destacou a articulação política para fazer a proposta avançar e defendeu que o hospital pudesse entrar em funcionamento. A pauta aproximou novamente sua atuação parlamentar de uma das principais demandas históricas de Divinópolis na área da saúde.
Esse vínculo com a cidade também foi reconhecido institucionalmente. Em 2025, Lohanna recebeu o título de Cidadã Honorária do Estado de Minas Gerais, em homenagem aprovada pela Assembleia. Na justificativa, os parlamentares destacaram sua trajetória em Divinópolis, sua atuação em movimentos sociais e o trabalho desenvolvido no Legislativo estadual.
Uma jovem que deixou de ser promessa para virar liderança
A ascensão de Lohanna ocorreu em um intervalo relativamente curto.
Em 2020, aos 25 anos, ela chegava à Câmara Municipal de Divinópolis como a vereadora mais jovem e mais votada da história da cidade. Em 2022, conquistava uma cadeira na Assembleia Legislativa com mais de 67 mil votos. Em 2025, já ocupava a liderança da Bancada Feminina e posições de destaque em comissões importantes da Casa.
A eleição de 2026 representa mais um salto.
Na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Lohanna recebeu 108.182 votos, equivalentes a 0,94% dos votos, e foi eleita pelo Partido Verde. O resultado garantiu a ela uma das 53 cadeiras destinadas a Minas Gerais no Congresso Nacional a partir de 2027.
A votação também confirma uma característica de sua trajetória: Lohanna não chegou à política federal diretamente. A nova conquista foi construída a partir de duas experiências anteriores, primeiro no Legislativo municipal e depois na Assembleia.
Da política local para Brasília
A chegada à Câmara dos Deputados muda novamente a dimensão do mandato.
Em Brasília, Lohanna encontrará um ambiente político diferente daquele da Assembleia Legislativa. O mandato federal permitirá que ela participe diretamente de discussões sobre leis nacionais, orçamento da União, políticas públicas federais e distribuição de recursos para estados e municípios.
Ao mesmo tempo, a eleição aumenta a responsabilidade sobre uma parlamentar que construiu sua imagem justamente pela proximidade com temas sociais e pela defesa de políticas públicas.
Para Divinópolis, a eleição representa a continuidade de uma presença política que começou na Câmara Municipal. A cidade passa a ter mais uma representante diretamente no Congresso Nacional, ao lado de Gleidson Azevedo, eleito deputado federal em 2026.
A diferença está na origem das duas trajetórias. Enquanto Gleidson chega à Câmara dos Deputados depois de comandar a Prefeitura de Divinópolis, Lohanna faz o caminho de uma jovem professora e militante social que entrou na política institucional pelo Legislativo municipal e, em apenas seis anos, alcançou o Congresso.
Uma trajetória construída fora dos grupos tradicionais
A história política de Lohanna tem ainda uma característica que ajuda a explicar sua projeção: ela começou sem pertencer a uma família tradicional da política mineira.
Sua entrada aconteceu pela participação social, pelo movimento estudantil e pelo voluntariado. Depois vieram a candidatura a vereadora, a eleição histórica em Divinópolis, o mandato estadual e, agora, a eleição para a Câmara dos Deputados.
Essa trajetória fez com que sua imagem política fosse associada à renovação geracional e à participação feminina nos espaços de poder.
O desafio, a partir de 2027, será transformar essa trajetória de ascensão rápida em uma atuação nacional consistente. A experiência acumulada na Câmara Municipal e na Assembleia oferece a ela uma base política, mas o Congresso exigirá novas articulações e capacidade de negociação em um cenário muito mais amplo.
De Divinópolis para o Congresso Nacional
A história de Lohanna começou em Minas Gerais, embora ela tenha nascido no Espírito Santo. Foi em Divinópolis que encontrou os movimentos sociais, a universidade, a sala de aula e, posteriormente, as urnas.
Aos 25 anos, tornou-se a vereadora mais jovem e mais votada da história do município. Aos 27, chegou à Assembleia Legislativa com mais de 67 mil votos. Agora, aos 31 anos, inicia uma nova etapa como deputada federal eleita por Minas Gerais.
A trajetória ajuda a explicar por que Lohanna integra a lista de nomes que colocam Divinópolis no centro do cenário político mineiro após as eleições de 2026.
A partir de 2027, a cidade terá no Congresso uma deputada que começou a carreira política dentro do próprio município e que agora leva para Brasília as pautas e experiências construídas ao longo de sua passagem pela Câmara Municipal e pela Assembleia Legislativa.
Mais do que uma mudança de endereço político, a eleição representa o próximo capítulo de uma carreira construída em pouco mais de meia década — e que começou quando uma jovem professora decidiu que, para mudar a realidade, também precisava ocupar o espaço onde as decisões são tomadas.






