Fim das bets: Kalil apoia proibição e chama R$ 32 milhões a clubes de “criminoso”

Candidato ao governo de Minas diz concordar com a proibição das apostas, mas critica a decisão de destinar R$ 32 milhões a Atlético, Cruzeiro e América após a perda dos patrocínios das bets.

Publicado por: Cassia Misael

O candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) afirmou que concorda com o fim das bets, mas transformou a reação do governo estadual à perda dos patrocínios das casas de apostas em um dos principais alvos de sua crítica durante entrevista ao Portal Jequitinhonha, nesta quinta-feira (1º). Para Kalil, a decisão de destinar R$ 32 milhões a Atlético, Cruzeiro e América representa uma ação de caráter eleitoral e foi classificada por ele como “criminosa”.

“Eu concordo plenamente com o fim das Bets”, afirmou Kalil durante a entrevista.

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A declaração, no entanto, veio acompanhada de uma forte crítica ao governador em exercício Mateus Simões (PSD), que anunciou o pacote de patrocínios aos três principais clubes de Minas depois que a nova regulamentação das apostas atingiu diretamente o modelo de financiamento do futebol profissional.

“O que ele [Mateus Simões] fez de demagogia com os clubes de futebol é criminoso, né? Isso é crime”, declarou o candidato.

A fala coloca Kalil em uma posição que, politicamente, separa duas discussões que passaram a caminhar juntas em Minas Gerais: a proibição das apostas e a tentativa de reduzir o impacto financeiro que o fim dos contratos com as bets provocou nos clubes.

Fim das bets muda relação com o futebol

As empresas de apostas se tornaram, nos últimos anos, algumas das principais patrocinadoras do futebol brasileiro. Camisas, placas de publicidade, transmissões e outras propriedades comerciais passaram a ter marcas de bets como protagonistas.

Com a proibição das apostas de quota fixa e das ações de publicidade relacionadas ao setor, os clubes passaram a enfrentar a necessidade de substituir contratos que representavam uma importante fonte de receita.

Foi nesse cenário que o governo de Minas anunciou os novos patrocínios.

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O pacote prevê R$ 15 milhões para Atlético, R$ 15 milhões para Cruzeiro e R$ 2 milhões para América, totalizando R$ 32 milhões. Os contratos envolvem empresas estatais e foram apresentados pelo governo como uma forma de apoiar os clubes diante da perda de receitas provocada pelo fim dos contratos com as bets.

A medida, porém, rapidamente entrou no debate eleitoral.

Kalil, que também já comandou o Atlético, questionou principalmente o momento do anúncio e a exposição dos clubes na divulgação da iniciativa.

“Ele foi lá, chamou a imprensa toda, botou Atlético, Cruzeiro e América na fita, achando que isso é simples assim”, afirmou.

Para o candidato, a iniciativa teria sido pensada também para produzir dividendos políticos junto às torcidas.

“É só explicar esse pequeno detalhe que ele não contou: que ele fez a média para tentar arrumar o voto”, disse.

“Torcedor de futebol não é burro”, afirma Kalil

Na entrevista, Kalil também afirmou que o anúncio não necessariamente produziria o efeito eleitoral esperado pelo governo.

Segundo ele, o torcedor de futebol possui forte identificação com seu clube, mas isso não significa que irá necessariamente transferir essa relação para uma escolha eleitoral.

“Não vai arrumar, porque o torcedor de futebol é fanático, mas não é burro”, declarou.

A afirmação acrescentou outro componente à crítica: na avaliação de Kalil, o patrocínio pode até gerar visibilidade para o governo, mas não seria suficiente para determinar a escolha do eleitor.

O candidato ainda questionou quem ficará responsável pelos compromissos assumidos pelos contratos depois da eleição.

“Quem vai pagar a conta do ato eleitoreiro dele é o próximo governador”, afirmou.

A acusação de “ato eleitoreiro” é uma avaliação política feita por Kalil. O governo de Minas, por sua vez, apresentou os contratos como patrocínios publicitários das empresas estatais e afirmou que os recursos não seriam retirados de áreas como saúde e educação.

Governo defende patrocínio após perda de receitas

Ao anunciar o pacote, o governo estadual argumentou que os clubes mineiros foram diretamente prejudicados pela saída das empresas de apostas do mercado de publicidade.

A justificativa é que Atlético, Cruzeiro e América perderam receitas importantes com o encerramento dos contratos e que o patrocínio das estatais ajudaria a reduzir parte desse impacto.

Os contratos também preveem contrapartidas dos clubes, incluindo ações de publicidade, iniciativas relacionadas ao futebol feminino e categorias de base, além de ingressos destinados a estudantes de baixa renda.

O governo também indicou a possibilidade de negociar apoio a outros clubes mineiros, como Athletic e Uberlândia.

Para Kalil, entretanto, a discussão não deveria terminar no futebol. O candidato utilizou o episódio para questionar as prioridades do Estado e defender que o dinheiro público seja direcionado para áreas que considera mais urgentes.

“Eu concordo plenamente com o fim das bets”

Apesar do tom duro contra Simões, Kalil fez questão de deixar clara sua posição sobre a proibição das apostas.

“Eu concordo plenamente com o fim das Bets”, repetiu.

A declaração é importante porque o candidato não critica a decisão de retirar as bets do mercado. O alvo de sua crítica é a solução encontrada em Minas Gerais para amenizar os efeitos da perda dos patrocínios.

Na prática, a discussão passou a ser sobre o que acontece depois do fim das apostas: quem assume a conta deixada pelos contratos milionários das casas de apostas com os clubes?

Foi justamente nesse ponto que Kalil concentrou seu ataque.

Para ele, o governo estadual não deveria transformar a perda de patrocínios dos clubes em oportunidade de exposição política em plena reta final da eleição.

Kalil também mira o IPVA

Na mesma entrevista, Kalil ampliou as críticas ao governo e questionou a proposta de redução do IPVA em Minas Gerais.

O candidato afirmou que a medida pode produzir efeitos sobre as prefeituras, já que parte da arrecadação do imposto é destinada aos municípios.

“Olha, aí o rombo é maior. Porque o que vocês [prefeituras] vão deixar de receber aumenta”, afirmou.

Kalil disse que uma eventual redução da arrecadação precisa ser analisada também pelo impacto sobre os municípios, principalmente aqueles que dependem dos repasses estaduais para manter serviços públicos.

“Eu vou chamar a atenção para a barbaridade que está sendo feita”, afirmou.

O candidato também disse que Minas precisa evitar medidas que possam comprometer as próximas administrações.

“Nós temos que pensar muito para não sacrificar esse Estado por mais 12 anos, igual foi feito”, declarou.

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