Após a repercussão negativa nas redes sociais e denúncia da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), para pedir uma investigação sobre o site Tem Meu Voto, divulgada pelo apresentador Luciano Huck durante o programa Domingão com Huck, da TV Globo, a plataforma caiu. A deputada havia solicitado que o site fosse retirado do ar, diante de suspeitas de possível propaganda eleitoral irregular.
O site foi apresentada por Huck, no último domingo (27), como uma espécie de “Tinder eleitoral”. O serviço permite que o eleitor responda a perguntas sobre temas como segurança pública, mudanças climáticas, impostos, legislação trabalhista e apostas online. A partir das respostas, o sistema calcula um percentual de proximidade entre o usuário e candidatos ao Legislativo.
Durante a divulgação, o apresentador afirmou que a plataforma era gratuita e apartidária e que não tinha como objetivo indicar candidatos ou determinar o voto do eleitor. Segundo o apresentador, a ferramenta reunia informações de quase 20 mil candidaturas.
Porém, após a divulgação nacional, muitos usuários passaram a publicar nas redes sociais resultados considerados questionáveis. Entre os relatos estava o de um eleitor que recebeu um candidato do Novo com 44% de compatibilidade antes de uma candidata do PSOL que aparecia com 83%.
Outros internautas também afirmaram ter recebido nomes associados à direita e extrema-direita, mesmo depois de responderem ao questionário de maneira que consideravam compatível com suas posições, mais alinhados ao espectro da esquerda.
Como funciona a plataforma
De acordo com a metodologia divulgada pelo próprio Tem Meu Voto, a ferramenta utiliza inicialmente respostas fornecidas pelas próprias candidaturas. Quando essas informações não estão disponíveis, o sistema pode recorrer ao histórico de votações de deputados federais e a posições atribuídas a partir do comportamento das bancadas na Câmara.
Para determinadas candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados, a plataforma também pode utilizar referências relacionadas ao partido quando não existem respostas individuais ou registros de votação disponíveis.
A organização responsável pelo serviço reconhece que a seleção das votações utilizadas e a interpretação de seus significados são decisões editoriais da equipe. As questões consideradas mais importantes pelo eleitor recebem peso maior no cálculo da compatibilidade.
A plataforma também utiliza dados cadastrais e fotografias provenientes da base pública do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Deputada questiona possível favorecimento
Ao acionar a PGE, Melchionna citou as reclamações apresentadas por usuários e pediu que as autoridades apurem se houve eventual favorecimento político nos resultados. A deputada defendeu a retirada da plataforma do ar enquanto o caso é analisado.
Os relatos publicados nas redes sociais, entretanto, não comprovam isoladamente que o sistema tenha sido programado para favorecer determinada corrente política.
Em posicionamento divulgado sobre a controvérsia, os responsáveis pelo Tem Meu Voto afirmaram que a plataforma não recomenda candidatos ou partidos e que as mesmas regras são aplicadas às candidaturas cadastradas. A organização também sustenta que o objetivo do serviço é oferecer informações para que o próprio eleitor faça sua escolha.
A repercussão negativa ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026 e colocou sob questionamento o funcionamento de ferramentas digitais, que utilizam algoritmos e bases de dados, para aproximar eleitores de candidatos.





