Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, cobra reação dos empresários e aponta 2027 para mudança

Gustavo Werneck defende mobilização do setor privado, manutenção da reforma tributária e medidas para enfrentar o problema fiscal

Publicado por: Cassia Misael

CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, defendeu uma mobilização mais ampla do empresariado brasileiro e afirmou acreditar em uma mudança no cenário econômico do país em 2027. As declarações foram feitas durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, onde o executivo também cobrou avanços no equilíbrio fiscal, defendeu a continuidade da reforma tributária e apontou custos e burocracia como obstáculos à competitividade da indústria brasileira.

Em uma das declarações de maior repercussão, Werneck afirmou que a “única força” capaz de promover uma mudança mais profunda no Brasil está nos empresários. Para ele, o setor privado precisa assumir uma participação mais ativa nas discussões sobre os rumos da economia.

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“Temos que fazer um esforço como a gente nunca fez na nossa história. Uma mobilização como a gente nunca teve”, afirmou o executivo durante sua participação no evento.

A fala ocorreu em um momento de debate sobre competitividade, investimentos e as condições necessárias para que a indústria brasileira consiga ampliar sua participação na economia.

Werneck vê possibilidade de mudança em 2027

Ao falar sobre as perspectivas para os próximos anos, Werneck afirmou acreditar em uma melhora do cenário econômico em 2027, possivelmente mais para o fim do ano.

A avaliação, entretanto, foi apresentada com condicionantes. Segundo o CEO da Gerdau, seria necessário avançar em medidas estruturais para reduzir os gastos públicos e enfrentar o problema fiscal brasileiro.

Werneck também citou uma avaliação do economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, segundo a qual uma iniciativa fiscal robusta poderia criar condições para que, em um horizonte de aproximadamente 12 meses, os juros chegassem à casa de um dígito. Essa estimativa foi apresentada pelo executivo como referência para sua análise sobre o cenário econômico.

Reforma tributária entra no centro da cobrança

Outro ponto destacado por Werneck foi a reforma tributária sobre o consumo. O CEO defendeu a manutenção do modelo aprovado e afirmou que sua implementação deve continuar independentemente de mudanças de governo.

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Para o executivo, a reforma representa uma transformação importante para a indústria nos próximos anos. Ele também demonstrou preocupação com movimentos que possam alterar ou recuar de pontos já aprovados, depois de anos de discussão sobre a mudança do sistema tributário brasileiro.

A preocupação está relacionada principalmente à complexidade do sistema atual e aos custos que as empresas precisam assumir para lidar com as regras tributárias.

Um exemplo apresentado por Werneck envolve a própria estrutura da Gerdau. Segundo ele, a empresa mantém 132 pessoas na área tributária no Brasil, enquanto a operação equivalente nos Estados Unidos conta com apenas duas.

A comparação foi utilizada pelo executivo para demonstrar, na avaliação dele, o nível de complexidade do sistema brasileiro.

Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão

A discussão sobre tributação também foi relacionada ao chamado Custo Brasil.

Segundo Werneck, o custo adicional enfrentado pelas empresas brasileiras em relação à competitividade internacional chega a R$ 1,7 trilhão por ano, valor equivalente a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), com base em dados atribuídos à Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na avaliação do CEO, esse conjunto de custos representa uma diferença de competitividade que afeta diariamente as empresas instaladas no país.

O problema, segundo a argumentação apresentada por Werneck, não está restrito à carga tributária. Também envolve burocracia, energia, gás, infraestrutura e outras despesas que interferem diretamente no custo de produção.

Gás natural custa mais no Brasil, diz CEO

Werneck também apresentou uma comparação entre as operações da Gerdau no Brasil e nos Estados Unidos para falar sobre o custo da energia.

Segundo o executivo, a companhia paga aproximadamente US$ 4 por milhão de BTU pelo gás natural nos Estados Unidos, enquanto o custo no Brasil chega a cerca de US$ 16.

A diferença foi apresentada por Werneck como mais um exemplo dos fatores que reduzem a competitividade da indústria brasileira.

Na avaliação do CEO, uma agenda voltada à redução dos custos de gás e energia elétrica poderia melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade de investimento das empresas.

Indústria é apontada como força de pressão

Ao defender maior participação dos empresários, Werneck também destacou o peso econômico da indústria brasileira.

Segundo números apresentados pelo executivo, o setor reúne cerca de 12 milhões de empregos diretos, responde por 35% dos impostos federais e representa aproximadamente 70% das exportações brasileiras. Para ele, esses números demonstram a capacidade que o setor possui para participar mais ativamente das discussões econômicas.

A proposta defendida pelo CEO é que os empresários deixem de atuar apenas individualmente e passem a exercer uma mobilização mais ampla em torno de temas que afetam o ambiente de negócios.

Gerdau compara Brasil e Estados Unidos

A experiência internacional da Gerdau também apareceu na argumentação de Werneck.

A companhia possui operações nos Estados Unidos e no Brasil, e o executivo utilizou essa comparação para apontar diferenças no ambiente de negócios entre os dois países.

A estrutura tributária foi um dos exemplos. A diferença entre as equipes responsáveis pela área no Brasil e nos Estados Unidos, segundo ele, mostra o impacto da complexidade das regras brasileiras sobre as empresas.

Na visão apresentada pelo CEO, reduzir burocracias, simplificar o sistema tributário e diminuir custos estruturais poderia criar melhores condições para novos investimentos no país.

Congresso Aço Brasil reuniu setor siderúrgico

As declarações de Gustavo Werneck ocorreram durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado nos dias 29 e 30 de setembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Em sua 36ª edição, o evento reuniu representantes da indústria do aço, especialistas e lideranças dos setores econômico e empresarial para discutir as perspectivas da indústria e sua contribuição para o crescimento do país.

Werneck participou de painéis dedicados à competitividade sistêmica e à visão dos CEOs. A programação também incluiu debates sobre crescimento econômico, cenário político e econômico após as eleições de 2026 e os desafios enfrentados pela indústria.

Ao reunir as diferentes questões apresentadas durante o evento, a avaliação de Werneck parte de uma mesma preocupação: melhorar as condições para que a indústria brasileira possa produzir, investir e competir internacionalmente.

Para o executivo, esse processo passa pela mobilização do setor privado, pela continuidade da reforma tributária e por medidas capazes de enfrentar os custos estruturais e o problema fiscal brasileiro. A expectativa de melhora em 2027, entretanto, foi apresentada por ele como dependente do avanço dessas medidas.

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