Exclusiva: Leilão da ferrovia Minas-Rio abre janela histórica para trem turístico entre Divinópolis e Lavras

Com a concessão marcada para dezembro, lideranças defendem mobilização da prefeita Janete Aparecida para viabilizar parque temático na Represa do 48 e impulsionar o turismo regional

Publicado por: Geraldo Passos

O Governo Federal anunciou um leilão de concessão do corredor ferroviário Minas-Rio, agendado para o dia 17 de dezembro, às 14h, na B3, em São Paulo. O anúncio acende um alerta estratégico para o Centro-Oeste mineiro, sobretudo para Divinópolis. Mais do que uma grande concessão logística de 733 quilômetros de extensão, o certame representa uma oportunidade única para a cidade: a implantação de um trem de passageiros e turístico ligando a cidade a Lavras, integrado à criação de um parque temático e à segurança hídrica da região.

O leilão e a oportunidade nos trilhos ociosos

O certame será o primeiro leilão ferroviário realizado no país desde 2021 e marcará a estreia do modelo de chamamento público para trechos ociosos ou subutilizados. Atualmente sob gestão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), a malha será dividida em dois lotes com autorização de uso por 99 anos:

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  • Lote 1 (626 km): Conecta Iguatama (MG) à Barra Mansa (RJ), englobando ramais como o trecho Varginha–Lavras.
  • Lote 2 (107 km): Liga Barra Mansa à Angra dos Reis, no litoral fluminense.

Apesar da forte demanda por transporte de cargas pesadas (como café, cimento, calcário e grãos) no ramal que parte de Garças de Minas em direção ao Sul de Minas e ao litoral do Rio de Janeiro, o trecho que abrange Divinópolis, Carmo da Mata, Oliveira e Bonsucesso não possui demanda de frete de carga.

É justamente nessa vocação ociosa para o transporte de cargas industriais que reside a oportunidade de destinar esses trilhos para o transporte turístico de passageiros.

Trem turístico Divinópolis–Lavras e o Parque da Represa do 48

A proposta em debate visa estruturar a rota de turismo ferroviário Divinópolis/Lavras, conectando o Centro-Oeste ao Sul do estado para atrair um novo fluxo de visitantes e movimentar o comércio, a hotelaria e a gastronomia local.

O ponto central do projeto é a negociação para que a Copasa reconstrua a Represa do Km 48. A obra criará um reservatório com espelho d’água de aproximadamente 18 quilômetros de extensão, contornado diretamente pelos trilhos da ferrovia. A ideia é construir uma estação temática no local, inserida em um grande parque de lazer e preservação ambiental.

A intervenção também atende a uma necessidade estrutural da cidade. A reconstrução do reservatório garante a segurança hídrica de Divinópolis, reduzindo a dependência de poços artesianos — alternativa tecnicamente difícil e de alto custo na região devido às características do subsolo.

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Mobilização urgente das lideranças locais

Para que a proposta seja incorporada às contrapartidas da concessão antes da assinatura final do contrato com a empresa vencedora, analistas e lideranças apontam a necessidade de uma articulação política imediata.

Esse movimento pede pela liderança da prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, ao lado do setor empresarial, de lideranças regionais e da imprensa. O objetivo é apresentar o projeto ao Ministério dos Transportes, à Copasa e à futura concessionária, para, assim, assegurar o uso compartilhado da via permanente.

Com a data do leilão fixada já para o fim deste ano, o cronograma chama atenção da urgência. Mais do que a importância técnica estrutural do projeto, essas negociações precisam ocorrer antes com agilidade, dentro dos termos contratuais, para que esse potencial turístico e econômico de Divinópolis possa sair do papel e se transformar em realidade.

 

 

Com colaboração de José Elísio Batista / Vinicius Xavier

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