A disputa pelo Governo de Minas Gerais já movimenta mais de R$ 38,4 milhões em recursos de campanha e revela uma eleição marcada por uma concentração financeira extremamente elevada entre poucos candidatos. Dados atualizados no DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral, até esta quarta-feira, 2 de setembro, mostram que Alexandre Kalil, Flávio Roscoe, Mateus Simões e Patrus Ananias reúnem, juntos, aproximadamente R$ 37,8 milhões, o equivalente a mais de 98% de todo o dinheiro declarado pelas candidaturas ao Palácio Tiradentes até agora.
O volume de recursos também expõe diferenças profundas na capacidade financeira das campanhas. Alexandre Kalil aparece isolado na liderança, com pouco mais de R$ 14 milhões arrecadados, seguido por Flávio Roscoe, que já ultrapassa R$ 10,1 milhões, e Mateus Simões, com cerca de R$ 8,3 milhões. Patrus Ananias completa o grupo das campanhas milionárias, com aproximadamente R$ 5,3 milhões declarados. Juntos, esses quatro candidatos praticamente monopolizam os recursos movimentados na disputa estadual.
A partir daí, a distância financeira se transforma em um verdadeiro abismo. Gabriel Azevedo aparece com R$ 300 mil, Cleitinho Azevedo soma pouco mais de R$ 210 mil, Rafael Duda registra R$ 100 mil e Professor Túlio Lopes pouco mais de R$ 6 mil. Ben Mendes, Henrique Áreas e Indira Xavier ainda não apresentavam receitas declaradas no recorte analisado.
O contraste mais expressivo aparece justamente quando se compara o líder financeiro com Cleitinho, candidato que ocupa posição de destaque nas pesquisas eleitorais. Kalil possui aproximadamente R$ 13,8 milhões a mais em recursos e um caixa cerca de 66 vezes superior ao do senador. Os números deixam claro que, neste estágio da campanha, força eleitoral nas pesquisas e capacidade financeira caminham por trajetórias bastante diferentes.
A atualização também modifica substancialmente o cenário observado apenas alguns dias antes. Kalil praticamente dobrou sua arrecadação, Roscoe ultrapassou a marca dos R$ 10 milhões e Mateus Simões passou dos R$ 8 milhões, ampliando ainda mais a concentração do dinheiro entre as maiores estruturas partidárias e os candidatos com maior capacidade de captação. O retrato de 2 de setembro mostra, portanto, uma corrida pelo Governo de Minas disputada em condições financeiras extremamente desiguais, com milhões concentrados no topo e valores muito menores entre os demais concorrentes.
O retrato financeiro confirmado até 2 de setembro de 2026 é este
| Posição | Candidato | Partido | Receitas |
|---|---|---|---|
| 1 | Alexandre Kalil | PDT | R$ 14.006.300,00 |
| 2 | Flávio Roscoe | PL | R$ 10.155.038,12 |
| 3 | Mateus Simões | PSD | R$ 8.288.000,00 |
| 4 | Patrus Ananias | PT | R$ 5.336.641,85 |
| 5 | Gabriel Azevedo | MDB | R$ 300.000,00 |
| 6 | Cleitinho Azevedo | Republicanos | R$ 210.300,00 |
| 7 | Rafael Duda | PSTU | R$ 100.000,00 |
| 8 | Professor Túlio Lopes | PCB | R$ 6.366,08 |
| 9 | Ben Mendes | Missão | R$ 0,00 |
| 10 | Henrique Áreas | PCO | R$ 0,00 |
| 11 | Indira Xavier | UP | R$ 0,00 |
ALEXANDRE KALIL — R$ 14.006.300,00
Direção Nacional do PDT — R$ 14.000.000,00
José Mário da Silva — R$ 3.150,00
Jorge Luiz da Silva — R$ 3.150,00
A campanha praticamente dobrou em relação ao retrato de 27 de agosto, quando aparecia com R$ 7,006 milhões
PATRUS ANANIAS — R$ 5.336.641,85
Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores — R$ 5.336.641,85
A conta também fecha integralmente. 100% da receita declarada vem desse repasse partidário.
MATEUS SIMÕES — R$ 8.288.000,00
Direção Nacional do PSD — R$ 4.500.000,00
Direção Estadual do Novo em Minas Gerais — R$ 1.700.000,00
Direção Estadual do PSD em Minas Gerais — R$ 1.000.000,00
Alfonso de Castro Gonzalez — R$ 500.000,00
Lucas Miguel Simões de Almeida — R$ 250.000,00
José Maria Bortoli — R$ 200.000,00
Silvia Carvalho Nascimento e Silva — R$ 100.000,00
Alarico Assumpção Junior — R$ 15.000,00
Ataídes de Deus Vieira Pozzi — R$ 15.000,00
Marcos Ribeiro Simon — R$ 5.000,00
Luisa Cardoso Barreto — R$ 2.000,00
Astério Itabayana Neto — R$ 1.000,00
Total: R$ 8.288.000,00.
São R$ 7,2 milhões provenientes das estruturas partidárias e R$ 1,088 milhão de pessoas físicas. Os registros também mostram mais de uma transferência de alguns desses financiadores, razão pela qual número de lançamentos e número de doadores não são necessariamente iguais.
GABRIEL AZEVEDO — R$ 300.000,00
Ricardo Annes Guimarães — R$ 200.000,00
Lucas Felipe Melo Couto — R$ 100.000,00
Total: R$ 300.000,00.
A receita é integralmente proveniente de pessoas físicas. Não existe lançamento de Fundo Eleitoral, até o momento.
CLEITINHO AZEVEDO — R$ 210.300,00
O dado atualizado do Divulga Cand aponta 17 pessoas físicas financiando a campanha e nenhum recurso de fundos públicos. E o próprio candidato já declarou que não usara o popularmente conhecido (FUNDÃO)
Eduardo Pinheiro Campos — R$ 100.000,00
Francisco Antonio Domingos — R$ 30.000,00
Mauro Celio de Melo Junior — R$ 30.000,00
Eliesio Carlos Rodrigues — R$ 12.800,00
Arlindo M. Amaral — R$ 10.000,00
Marcia Valente Custodio Sanders — R$ 10.000,00
Victor Fonseca Lucchesi — R$ 5.000,00
Claudio Neves Silva — R$ 2.000,00
Além deles, o retrato anterior continha:
Thiago Pereira Gontijo — R$ 1.500,00
Hudson Campos de Souza — R$ 1.000,00
Hugo Campos de Souza — R$ 1.000,00
Ilza Maria — R$ 1.000,00
Kamila Tavares Monteiro — R$ 1.000,00
Lucas Assis Campos — R$ 1.000,00
Rodrigo Andrade de Souza Lima — R$ 1.000,00
Willian Rogerio Alves Soares — R$ 1.000,00
Há mais um doador de R$ 2 mil necessário para fechar os R$ 210,3 mil e os 17 nomes. O espelho atualizado que consegui consultar confirma o total e os 17 doadores, mas corta a exibição nominal depois dos oito maiores. Por isso, não considero a lista fechada ainda.
RAFAEL DUDA — R$ 100.000,00
Direção Nacional do PSTU — R$ 100.000,00
Total: R$ 100.000,00.
PROFESSOR TÚLIO LOPES – PCB — R$ 6.366,08
Aqui há uma distinção essencial. O repassador direto registrado é:
QueroApoiar.com.br Ltda — R$ 6.366,08
Mas a plataforma é intermediária do financiamento coletivo. O TSE também registra os doadores originários, ou seja, as pessoas que efetivamente colocaram dinheiro na vaquinha.
Entre os nomes já confirmados estão:
Emanuel Bonfante Demaria Junior — R$ 1.064,08
Sidneia Aparecida Mainete — R$ 500,00
Pedro Bruno Oliveira — R$ 500,00
Arutana Coberio Terena — R$ 500,00
A base confirma atualmente R$ 6.366,08 arrecadados por financiamento coletivo.
BEN MENDES — R$ 0,00
Nenhum recurso declarado.
Nenhum doador registrado no retrato consultado.
HENRIQUE ÁREAS — R$ 0,00
Nenhum recurso declarado.
Nenhum doador registrado no retrato consultado.
INDIRA XAVIER — R$ 0,00
Nenhum recurso declarado.
Nenhum doador registrado no retrato consultado.
FLÁVIO ROSCOE — PL – R$ 10.155.038,12
O retrato atualizado registra 52 repasses e cerca de R$ 10,155 milhões arrecadados. Desse total, aproximadamente R$ 4,192 milhões são repasses partidários e cerca de R$ 5,963 milhões são provenientes diretamente de pessoas físicas. É uma característica bem diferente das campanhas de Kalil e Patrus. Entre os repassadores que já consegui confirmar estão:
Direção Nacional – PL
R$ 2.600.000,00
AILTON RICALDONI LOBO
Kalil passou dos R$ 14 milhões e tem R$ 3.851.261,88 a mais que Roscoe, uma vantagem de aproximadamente 37,9% sobre o valor arrecadado pelo segundo colocado ou, olhando do outro lado, Roscoe tem cerca de 27,5% menos recursos que Kalil.
Mateus Simões está R$ 5.718.300 abaixo de Kalil, com aproximadamente 40,8% menos dinheiro. Patrus tem R$ 8.669.658,15 a menos, aproximadamente 61,9% abaixo de Kalil.
E o contraste com Cleitinho ficou muito maior: são R$ 13.796.000 de diferença. O caixa de Cleitinho equivale a apenas cerca de 1,5% do de Kalil. Em números absolutos, Kalil arrecadou aproximadamente 66,6 vezes o valor de Cleitinho.
A fotografia atual mostra ainda que Kalil + Roscoe + Mateus + Patrus concentram R$ 37.785.979,97 dos R$ 38.402.646,05 declarados pelos candidatos ao governo, ou aproximadamente 98,4% de todo o dinheiro.






