Acasp reúne forças de segurança nesta quarta e debate mudanças no policiamento, Apac e violência em Divinópolis

Reunião teve balanço do 23º BPM, esclarecimentos sobre a retirada da base da Rodoviária, transferência de recuperando para o Floramar e convite para o 7 de Setembro.

Publicado por: Cassia Misael

A segurança pública de Divinópolis esteve no centro das discussões durante a reunião da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), realizada nesta quarta-feira (2), na sede da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). O encontro reuniu representantes de diferentes instituições que atuam direta ou indiretamente na segurança do município e colocou em pauta assuntos que vêm despertando atenção da população. Entre eles estiveram a mudança na estratégia de policiamento na região da Rodoviária, os indicadores de criminalidade apresentados pelo 23º Batalhão da Polícia Militar, a transferência de um recuperando da Apac para o Presídio Floramar e a programação do 7 de Setembro.

A reunião também funcionou como espaço de aproximação entre as instituições e a comunidade, permitindo que dúvidas sobre decisões recentes fossem esclarecidas e que ações relacionadas à segurança e à prevenção fossem apresentadas aos participantes.

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Mudança na Rodoviária é explicada durante reunião

Um dos assuntos de maior destaque foi a mudança envolvendo a base da Polícia Militar que funcionava na Rodoviária de Divinópolis.

A alteração vinha provocando questionamentos sobre como ficaria a presença policial na região, especialmente por se tratar de uma área de grande circulação de pessoas e que concentra diariamente passageiros, trabalhadores, comerciantes e usuários do transporte intermunicipal.

Durante a reunião, o capitão Veloso, do 23º BPM, explicou aos participantes que a mudança não deve ser interpretada simplesmente como uma retirada do policiamento da Rodoviária.

Segundo a explicação apresentada, a Polícia Militar passou por uma reorganização da estratégia de policiamento, deixando de concentrar os militares em uma base fixa para ampliar a circulação das equipes pela região.

Na prática, a proposta é aumentar a mobilidade dos policiais e permitir que as equipes estejam em diferentes pontos conforme as necessidades identificadas. A mudança busca, portanto, fazer com que o policiamento tenha maior capacidade de deslocamento e possa responder de maneira mais dinâmica às ocorrências e demandas apresentadas.

A alteração na estrutura física não significa, conforme esclarecido na reunião, que a região ficará sem a presença da Polícia Militar. O modelo adotado prioriza uma atuação mais móvel, com os militares circulando pelos pontos estratégicos em vez de permanecerem concentrados em um único local.

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A questão ganhou espaço justamente pela importância da Rodoviária dentro da dinâmica urbana de Divinópolis. Por isso, o esclarecimento apresentado na Acasp ajuda a diferenciar a retirada da base física da eventual retirada do policiamento.

Devido às restrições de comunicação institucional durante o período eleitoral, a Polícia Militar não concedeu entrevista ao Divinews. As informações sobre a mudança e a estratégia adotada foram apresentadas pelo capitão Veloso aos participantes da reunião.

Balanço da PM aponta queda nos crimes contra a vida

Além da discussão sobre o policiamento na Rodoviária, o 23º BPM apresentou um balanço dos indicadores registrados entre 1º de janeiro e 31 de agosto, permitindo uma comparação com o mesmo período de 2025.

Um dos números que mais chamou atenção foi o relacionado aos registros de homicídios e feminicídios consumados.

De acordo com os dados apresentados, foram registrados 36 casos entre janeiro e agosto de 2025, contra 18 no mesmo período de 2026. A redução chega a 50%.

Também houve queda nos registros de crimes contra a vida tentados. O levantamento aponta 31 ocorrências em 2025, contra 20 em 2026, uma redução de 35,48%.

É importante destacar que os dados apresentados pela Polícia Militar agrupam homicídios e feminicídios em um mesmo indicador, identificado no balanço como “HOM/FEM.”.

Dessa forma, a apresentação realizada durante a reunião não permite afirmar quantos dos 18 casos consumados correspondem especificamente a feminicídios ou homicídios, assim como não é possível separar, a partir desse quadro, quantas das 20 tentativas estão relacionadas exclusivamente a cada uma dessas classificações.

Mesmo assim, o levantamento apresentado aos integrantes da Acasp demonstra uma redução expressiva nos crimes contra a vida no período analisado.

O balanço também apresentou outros indicadores relacionados à atuação operacional da Polícia Militar e ao comportamento da criminalidade na área atendida pelo 23º Batalhão.

APAC esclarece retorno de recuperando ao Floramar

Outro ponto abordado durante a reunião da Acasp foi a situação de um recuperando da APAC de Divinópolis que retornou ao sistema prisional convencional, com transferência para o Presídio Floramar.

A explicação foi apresentada por Carla Penha, do setor administrativo da APAC, que fez questão de esclarecer informações divulgadas anteriormente sobre a atuação do Ministério Público nas unidades da instituição.

Segundo Carla, não foi realizada uma operação do Ministério Público dentro da APAC de Divinópolis. O que ocorreu foi um levantamento realizado pelo órgão a partir dos critérios estabelecidos para que uma pessoa possa cumprir pena pelo método APAC.

Ela explicou que existe uma portaria conjunta do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que estabelece critérios para a admissão de pessoas no sistema APAC. Entre as exigências está a ausência de condenação ou envolvimento com organizações criminosas.

O problema, segundo a representante da instituição, é que nem sempre é possível identificar, no momento da admissão, todas as informações relacionadas ao histórico criminal do condenado.

No caso de Divinópolis, o Ministério Público identificou posteriormente que um recuperando havia sido condenado por um crime que, à época dos fatos, estava relacionado a uma organização criminosa. Por esse motivo, ele não se enquadrava nos critérios estabelecidos para permanência na APAC e teve o retorno ao sistema prisional convencional determinado.

Carla reforçou que isso não significa que o recuperando estivesse envolvido com organização criminosa enquanto permanecia na APAC.

De acordo com ela, o recuperando permaneceu aproximadamente dois anos na unidade de Divinópolis e, durante esse período, não cometeu falta disciplinar. O retorno ao Floramar ocorreu exclusivamente porque foi identificada posteriormente uma condição relacionada ao crime cometido no passado que não atendia aos critérios previstos na portaria conjunta.

A representante também esclareceu que o caso de Divinópolis faz parte de uma situação identificada em outras unidades do estado. Segundo Carla, o Ministério Público encontrou casos semelhantes e solicitou o retorno de recuperandos ao sistema prisional convencional quando verificou que eles não atendiam aos requisitos de admissão.

Ela explicou ainda que a quantidade de aproximadamente 50 recuperandos citada nas informações sobre o caso corresponde ao estado de Minas Gerais como um todo, e não apenas à APAC de Divinópolis.

Como funciona a seleção para a APAC

Durante a entrevista, Karla também explicou à população como funciona o processo para que uma pessoa condenada possa deixar o sistema prisional convencional e passar a cumprir a pena em uma APAC.

Segundo ela, a instituição recebe pessoas que estão cumprindo pena no Presídio Floramar, em Divinópolis. Entre os critérios estão a existência de guia definitiva, o trânsito em julgado da sentença e o cumprimento de pelo menos seis meses de pena no presídio.

A APAC de Divinópolis também exige que o candidato não tenha cometido falta grave durante o período estabelecido e apresente bom comportamento.

Depois da análise dos requisitos, o candidato passa por uma entrevista e por uma avaliação dentro da metodologia adotada pela instituição. Caso esteja de acordo com os critérios, é feito o pedido ao Judiciário para que o cumprimento da pena seja autorizado na APAC.

Carla destacou que a instituição não faz uma seleção baseada simplesmente no tipo de crime cometido ou no tamanho da pena. Segundo ela, o objetivo é trabalhar a recuperação da pessoa durante o cumprimento da condenação.

Modelo busca preparar recuperando para o retorno à sociedade

A representante da APAC também explicou a diferença entre o modelo adotado pela instituição e o sistema prisional convencional.

Na APAC, os presos são chamados de recuperandos e participam de uma metodologia que busca trabalhar diferentes aspectos da vida durante o cumprimento da pena.

Entre as atividades estão estudo, trabalho, palestras de valorização humana, acompanhamento relacionado à dependência química e cursos profissionalizantes.

A proposta, segundo Carla, é oferecer condições para que o recuperando desenvolva novas perspectivas para o período posterior ao cumprimento da pena.

A instituição busca, dessa forma, preparar o recuperando para retornar à sociedade com possibilidades diferentes daquelas que o levaram ao crime, incluindo formação profissional e inserção no mercado de trabalho.

Carla ressaltou, porém, que a continuidade desse processo também depende da decisão individual de cada recuperando em seguir o caminho proposto após deixar a instituição.

O esclarecimento apresentado durante a reunião foi considerado importante para diferenciar o caso ocorrido em Divinópolis de uma eventual ocorrência de crime ou atuação de organização criminosa dentro da APAC. Conforme explicado pela representante da instituição, o recuperando não foi transferido por ter cometido uma falta na unidade, mas porque uma condição relacionada ao crime praticado no passado foi posteriormente identificada como incompatível com os critérios de permanência no sistema APAC.

Tiro de Guerra convida população para o 7 de Setembro

A pauta da reunião também ultrapassou os assuntos diretamente relacionados à criminalidade.

O Tiro de Guerra de Divinópolis participou do encontro e aproveitou o espaço para reforçar o convite à população para as atividades do 7 de Setembro, data em que será celebrado o Dia da Independência do Brasil.

O subtenente Jhonatan apresentou o convite durante a reunião e destacou a importância da participação da comunidade nas comemorações.

A presença do Tiro de Guerra também reforçou o caráter institucional e comunitário da Acasp, que reúne diferentes setores para discutir temas relacionados à segurança, cidadania e participação social.

Reunião aproxima instituições e comunidade

Com diferentes assuntos apresentados em uma mesma reunião, a Acasp voltou a funcionar como espaço de diálogo entre as instituições de segurança, entidades e representantes da sociedade civil.

A discussão sobre a Rodoviária permitiu esclarecer que a mudança ocorrida na base policial está relacionada a uma nova estratégia de distribuição e mobilidade das equipes, e não simplesmente à retirada da Polícia Militar da região.

Já os dados apresentados pelo 23º BPM mostraram uma redução de 50% nos registros agrupados de homicídios e feminicídios consumados e de 35,48% nas ocorrências tentadas, na comparação entre os primeiros oito meses de 2025 e 2026.

Ao mesmo tempo, a participação da Apac trouxe esclarecimentos sobre a transferência de um recuperando para o Floramar dentro do contexto da Operação Salvaguarda, enquanto o Tiro de Guerra utilizou o encontro para mobilizar a população para as comemorações do 7 de Setembro.

Mais do que apresentar números, a reunião mostrou a diversidade dos assuntos que envolvem a segurança pública em Divinópolis. Policiamento ostensivo, ocupação de espaços públicos, prevenção da criminalidade, sistema prisional, recuperação de condenados e participação comunitária passaram pelo mesmo debate.

A Acasp, nesse cenário, mantém seu papel de reunir diferentes atores e criar um canal de diálogo sobre questões que impactam diretamente a população. A discussão sobre a Rodoviária, especialmente, mostra como mudanças na estratégia de segurança podem gerar dúvidas na comunidade e como esses espaços são importantes para apresentar os objetivos das instituições.

Ao final, o encontro deixou como principais pontos a mudança na forma de atuação policial na região da Rodoviária, a redução apontada nos indicadores de crimes contra a vida, os esclarecimentos da Apac sobre o recuperando transferido para o Floramar e o convite para que a população participe das atividades do Dia da Independência.

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