Professores estão entre os alvos de um golpe que vem preocupando advogados e autoridades de segurança em Divinópolis. Durante reunião da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (ACASP), realizada na sede da OAB nesta quarta-feira (19), uma professora universitária relatou que docentes vêm recebendo mensagens de pessoas que se passam por advogados e utilizam informações verdadeiras de processos judiciais para solicitar pagamentos. Ela própria afirmou ter recebido quatro abordagens pelo WhatsApp, com fotografia do advogado, dados reais e pedidos de depósito. Em um dos casos mencionados, um colega teria feito um pagamento de aproximadamente R$ 10 mil após receber contato semelhante.
O relato chamou atenção porque os criminosos não trabalham mais apenas com mensagens genéricas. Segundo as informações apresentadas durante a reunião, professores envolvidos em processos relacionados à titulação acadêmica passaram a ser procurados por golpistas que aparentemente conhecem detalhes das ações judiciais e da relação entre cliente e advogado. Essa combinação de informações verdadeiras com uma solicitação falsa de dinheiro aumenta significativamente a possibilidade de a vítima acreditar que está realmente conversando com o profissional responsável pelo processo.
A situação foi discutida durante uma reunião itinerante da ACASP na OAB-MG, Subseção Divinópolis, que reuniu representantes das forças de segurança, Poder Público, entidades e sociedade civil. Um dos principais temas foi justamente a campanha de conscientização sobre o chamado “Golpe do Falso Advogado”, apresentada pela presidente da subseção, Ellen Lima. A entidade está distribuindo uma cartilha com orientações para ajudar a população a identificar abordagens suspeitas e confirmar a autenticidade de pedidos de pagamento.
Golpistas utilizam dados verdadeiros para ganhar confiança
A delegada da Polícia Civil, da Delegacia de Estelionato, Adriene Lopes alertou que o acesso a informações reais torna esse tipo de fraude ainda mais convincente. Durante a reunião, ela relatou um caso recente no qual uma vítima recebeu mensagens que utilizavam fotografia, mensagem de voz e dados verdadeiros de um advogado. A abordagem acabou provocando prejuízo financeiro significativo, também foram mencionadas outras modalidades de fraude que vêm sendo registradas, entre elas o falso Pix e falsas ofertas de emprego. Um dos casos citados durante o encontro envolve uma empresa de Divinópolis que teria sofrido prejuízo de aproximadamente R$ 400 mil em uma fraude. Os participantes destacaram que a sofisticação dessas abordagens aumenta à medida que criminosos encontram informações disponíveis publicamente e utilizam novas tecnologias para reproduzir imagens, textos e até características da comunicação de pessoas reais. O promotor de Justiça Leandro Wili, coordenador regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), explicou que os criminosos exploram justamente uma relação de confiança que já existe entre o cliente e o advogado. A estratégia consiste em reunir informações disponíveis sobre determinado processo e utilizá-las para construir uma conversa suficientemente convincente para induzir a vítima a realizar transferências ou pagamentos.
Professora recebeu quatro abordagens semelhantes
O depoimento da professora universitária reforçou o alerta direcionado especificamente aos docentes. Segundo ela, professores têm recebido contatos de falsos advogados sobretudo quando possuem processos judiciais relacionados à titulação acadêmica. Em seu próprio caso, foram quatro mensagens recebidas pelo WhatsApp, todas utilizando elementos que poderiam fazer a abordagem parecer legítima, os criminosos apresentavam fotografia do advogado e informações verdadeiras relacionadas ao processo, para então introduzir a solicitação de pagamento. A professora relatou ainda que um colega caiu em uma abordagem semelhante e realizou uma transferência de aproximadamente R$ 10 mil, o episódio mostra uma mudança importante no perfil dos golpes. Em vez de simplesmente enviar milhares de mensagens aleatórias esperando que alguém responda, criminosos passam a selecionar potenciais vítimas e reunir informações específicas antes do contato. Quanto mais dados corretos aparecem na conversa, menor tende a ser a desconfiança inicial de quem recebe a mensagem, a utilização de recursos de Inteligência Artificial também foi mencionada durante a apresentação da OAB como um elemento que pode tornar as fraudes mais sofisticadas. Ferramentas disponíveis atualmente permitem manipular fotografias, reproduzir vozes e produzir mensagens cada vez mais semelhantes às utilizadas por pessoas reais, aumentando a necessidade de confirmação por um segundo canal antes de qualquer movimentação financeira.
Ligação direta para o advogado pode evitar prejuízo
A principal recomendação apresentada durante a reunião é simples: não realizar pagamentos apenas com base em uma mensagem recebida pelo WhatsApp, mesmo quando o número utiliza a fotografia do advogado e demonstra conhecimento sobre o processo, o cliente deve entrar em contato pelo número que já utilizava anteriormente com o profissional ou escritório, evitando responder exclusivamente ao novo telefone que iniciou a conversa. Se houver pedido de Pix, depósito, taxa judicial, liberação de valor ou qualquer cobrança inesperada, a orientação é confirmar diretamente com o advogado por ligação telefônica ou presencialmente, também é importante verificar quem aparece como titular da conta bancária ou da chave Pix indicada para o pagamento. Informações verdadeiras sobre uma ação judicial não são garantia de autenticidade do contato, porque parte dos dados processuais pode ser obtida por meio de consultas públicas ou outras fontes. Diante do aumento das ocorrências, o presidente da ACASP, Breno Clementino, sugeriu ampliar a campanha preventiva através dos meios de comunicação. A avaliação apresentada durante a reunião é de que informação rápida pode ser uma das ferramentas mais eficientes para impedir novos prejuízos.
Segurança pública também entrou na pauta da reunião
Embora o golpe do falso advogado tenha sido um dos principais temas, o encontro também tratou de trânsito, segurança viária, policiamento próximo às escolas, infraestrutura urbana e implantação de uma central de monitoramento para o projeto de cidade inteligente, participantes relataram problemas relacionados ao comportamento de motociclistas e motoristas que desrespeitam sinalizações e defenderam ações educativas. Carrilho, representante da ACASP, sugeriu a realização de palestras sobre trânsito dentro das escolas. Também houve pedidos de maior presença policial nas proximidades das unidades de ensino durante o período da manhã. Representante da Polícia Militar explicou que as viaturas permanecem em circulação durante 24 horas, mas que a distribuição do policiamento considera demanda, histórico das regiões e registros de ocorrências em diferentes horários, outro tema foi a futura estrutura de monitoramento urbano. Durante a reunião, foram apresentadas informações sobre a previsão de instalação de mais de 500 câmeras em Divinópolis, que poderão auxiliar na segurança de escolas, unidades de saúde, praças, vias públicas e no acompanhamento do trânsito, a reunião foi encerrada com a defesa de maior integração entre instituições públicas, forças de segurança, entidades e sociedade civil. No caso específico dos falsos advogados, entretanto, o alerta deixado para a população foi imediato: uma mensagem pode trazer nome correto, foto verdadeira e informações reais sobre o processo e ainda assim ser um golpe.
Nota de transparência: esta matéria contou com o auxílio de IA na organização e estruturação do conteúdo, sob orientação e revisão editorial do Divinews.






