Uma idosa de aproximadamente 85 anos foi vítima do conhecido golpe do “bilhete premiado” em Divinópolis e teve um prejuízo estimado em cerca de R$ 66 mil entre dinheiro e joias. O crime ocorreu na manhã de quinta-feira (13), depois que a vítima foi abordada no cruzamento da Avenida Divino Espírito Santo com a Rua Oswaldo Machado Gontijo, na região central. Embora o primeiro boletim de ocorrência tenha registrado de forma resumida a dinâmica do estelionato, informações obtidas pelo Divinews com fontes ligadas ao caso revelam um percurso bem mais longo, que teria envolvido abordagem após a saída do pilates, deslocamentos em um carro branco, passagem por uma padaria, ida à residência da vítima e saques em duas agências bancárias.
O primeiro boletim de ocorrência foi confeccionado no próprio dia 13. No documento, o caso aparece como estelionato consumado, ocorrido por volta das 9h. O registro informa que um homem e uma mulher desconhecidos abordaram a idosa e, utilizando fraude e artifício, convenceram a vítima de que possuíam um bilhete premiado e que ela receberia R$ 1 milhão caso os ajudasse.
A partir daí, segundo o BO, os dois passaram a solicitar dinheiro e bens pessoais da vítima. O documento policial confirma que a idosa entrou em um carro branco com os desconhecidos e foi levada a duas agências do Banco do Brasil, ambas na região central de Divinópolis. Uma delas fica na Rua São Paulo e a outra na Rua Goiás.
Ao final da ação, a vítima relatou ter entregue R$ 16 mil em dinheiro, além de joias avaliadas em aproximadamente R$ 50 mil, entre gargantilha, cordão de ouro com cruz, dois anéis e pulseira. O prejuízo descrito no primeiro registro policial, portanto, chega a aproximadamente R$ 66 mil.
Abordagem teria começado após vítima sair do pilates
A apuração do Divinews conseguiu reconstruir outros momentos da ação que não foram detalhados no primeiro boletim. Segundo fontes ouvidas pelo portal, a idosa havia acabado de sair de uma atividade de pilates quando, já nas proximidades do cruzamento onde o crime foi registrado, foi abordada por uma mulher.
A suspeita estaria vestida de maneira simples e teria procurado transmitir uma aparência de pessoa humilde e em dificuldades. Ela teria contado à idosa que enfrentava problemas financeiros e precisava desesperadamente de ajuda. Sensibilizada, a vítima teria dito que poderia ajudá-la.
Nesse momento, conforme relato obtido pelo Divinews, a mulher teria abraçado a idosa, supostamente como demonstração de gratidão. Pessoas próximas ao caso chegaram a levantar a hipótese de que, durante esse contato, pudesse ter sido utilizada alguma substância ou aroma capaz de interferir no discernimento da vítima.
O Divinews ressalta, entretanto, que não encontrou qualquer comprovação dessa hipótese. O primeiro boletim de ocorrência não menciona uso de substância química, medicamento ou qualquer método semelhante, e a Polícia Civil não confirmou esse tipo de ação. Portanto, essa possibilidade é apenas no campo da especulação de terceiros e não tratada como fato em si.
Segundo suspeito entra em cena
Ainda de acordo com a apuração do Divinews, pouco depois da abordagem da mulher surgiu um homem. Ele teria afirmado que ouviu a conversa e também estaria disposto a ajudar. Para reforçar a confiança da vítima, o suspeito teria se apresentado como proprietário de um posto de combustíveis e dito que também havia se sensibilizado com a história contada pela mulher.
A narrativa teria sido construída para fazer a vítima acreditar que estava diante de outra pessoa disposta a praticar uma boa ação. Segundo as fontes, o homem insistia para que ele e a idosa ajudassem financeiramente a mulher. Em determinado momento da abordagem, a vítima teria retirado espontaneamente joias que usava, entre elas cordão e anéis, para entregar à suspeita. Há, porém, uma lacuna na reconstrução exata da sequência dos acontecimentos entre esse momento e a entrada da idosa no veículo. O próprio primeiro BO não detalha essa etapa.
Carro branco aparece na sequência da ação
O boletim confirma que a vítima se deslocou com os dois desconhecidos em um carro branco. Já as informações obtidas pelo Divinews indicam que, antes de seguirem para as instituições bancárias, o grupo teria passado por uma padaria, possivelmente localizada na Avenida Sete de Setembro. A idosa teria relatado posteriormente que tomou um café no estabelecimento. E Esse detalhe não aparece no primeiro boletim de ocorrência e integra a apuração complementar feita pelo Divinews. A cronologia completa entre a abordagem inicial, a ida à padaria, a passagem pela residência e os deslocamentos aos bancos ainda está sendo reconstruída.
Idosa teria sido levada até perto de casa para buscar mais joias
Em outro momento do percurso, segundo fontes do Divinews, o carro branco teria parado nas proximidades da residência da vítima. Parte do deslocamento do veículo teria sido registrada por câmeras existentes na região. A idosa desceu sozinha e entrou no prédio onde mora. Os suspeitos permaneceram dentro do carro.
No apartamento, além de buscar outras joias, ela teria trocado de roupa, uma vez que ainda vestia as roupas utilizadas durante o pilates – O Divinews não divulgará o endereço da vítima nem informações capazes de identificar sua residência – Depois de retornar ao veículo, a idosa teria seguido novamente acompanhada pelos dois suspeitos.
Duas agências bancárias
O boletim policial confirma que os suspeitos levaram a vítima a duas agências do Banco do Brasil. A primeira foi a unidade localizada na Rua São Paulo. Segundo fontes do Divinews, enquanto a idosa entrou no banco, o carro teria permanecido estacionado nas proximidades da Policlínica.
Os suspeitos teriam justificado a escolha daquele ponto dizendo que permaneceriam à sombra de uma árvore. Eles não teriam acompanhado a vítima dentro da agência. Após o primeiro saque, a idosa retornou ao veículo. Na sequência, o grupo foi até a agência do Banco do Brasil localizada na Rua Goiás, onde um novo saque teria sido realizado. Novamente, de acordo com as informações apuradas pelo portal, os suspeitos ficaram no automóvel enquanto a vítima entrou sozinha na instituição financeira.
O primeiro BO não discrimina quanto foi retirado em cada agência, mas registra que o total entregue aos golpistas foi de R$ 16 mil em espécie.
Joias avaliadas em R$ 50 mil
Além do dinheiro, a vítima entregou aos suspeitos diversas joias. O registro policial relaciona entre os bens uma gargantilha, um cordão de ouro com cruz, dois anéis e uma pulseira.
O valor aproximado atribuído às joias no primeiro boletim é de R$ 50 mil. Somados aos R$ 16 mil retirados das contas bancárias, o prejuízo inicialmente registrado chega a aproximadamente R$ 66 mil.
Primeiro BO resume uma dinâmica muito mais extensa
O primeiro registro feito no dia do crime dedica poucas linhas à dinâmica do golpe. Nele, consta essencialmente que um homem e uma mulher abordaram a vítima, convenceram-na sobre a existência de um suposto bilhete premiado, entraram com ela em um carro branco, passaram por duas agências bancárias e receberam dinheiro e joias.
A apuração posterior realizada pelo Divinews aponta que o percurso pode ter sido significativamente mais complexo. Há informações sobre a saída do pilates, abordagem emocional da primeira suspeita, chegada do segundo envolvido, passagem por uma padaria, deslocamento até a residência da vítima, troca de roupa, retirada de outras joias e diferentes paradas antes e durante os saques.
Nem todos esses detalhes estão no primeiro BO e, por esse motivo, o Divinews os apresenta como informações obtidas junto a fontes, e não como fatos formalmente registrados naquele documento.
Família teria registrado novo boletim
Segundo apurado pelo Divinews, familiares da vítima procuraram novamente as autoridades na última quinta-feira (20) e teriam confeccionado um novo boletim de ocorrência, desta vez com informações adicionais sobre a dinâmica do crime. O portal ainda não teve acesso ao conteúdo integral desse segundo registro e, portanto, não antecipa quais informações foram acrescentadas oficialmente.
Polícia Civil confirma golpe e investigação
O Divinews entrou em contato com a Delegacia de Estelionato de Divinópolis, que confirmou que o golpe contra a idosa efetivamente ocorreu e que o caso está sob investigação. A Polícia Civil, entretanto, não detalhou ao portal a dinâmica utilizada pelos criminosos nem informou, até o momento, se os suspeitos já foram identificados.
No dia do primeiro registro, a Polícia Militar informou que as viaturas de serviço haviam sido comunicadas e realizavam rastreamento em busca dos envolvidos e de novas informações. A identidade da vítima e seu endereço serão preservados pelo Divinews.
Um golpe conhecido, mas ainda eficiente
O chamado “Golpe do Bilhete Premiado`” é antigo e explora principalmente confiança, solidariedade, pressão psicológica e promessa de vantagem financeira. No caso investigado em Divinópolis, chama atenção o tempo aparentemente prolongado em que os suspeitos permaneceram com a vítima e a quantidade de deslocamentos que teriam sido realizados antes da conclusão do crime.
Também será importante para a investigação compreender o trajeto percorrido pelo carro branco, analisar possíveis imagens de câmeras e reconstruir com precisão os horários das passagens pelos estabelecimentos, residência e agências bancárias. A Polícia Civil segue investigando o caso.






