Bancários de Minas Gerais e de outros estados iniciam nesta quinta-feira (20) uma paralisação de pelo menos 24 horas, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nas negociações da campanha salarial. Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o movimento é promovido pelo Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região e ocorre em meio a uma série de reivindicações que envolvem salários, participação nos lucros, empregos, condições de trabalho e saúde dos trabalhadores.
A decisão pela paralisação ocorre depois de assembleias realizadas pela categoria em diferentes regiões do país. Em São Paulo, quase 90% dos votos foram favoráveis à interrupção das atividades nesta quinta-feira, segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. De acordo com a entidade, os bancos não apresentaram um índice de reajuste para salários e demais verbas, apesar de terem assumido esse compromisso durante uma negociação anterior, a proposta da Fenaban também foi rejeitada por trabalhadores no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na Bahia. No Rio de Janeiro, entre os 1.808 trabalhadores que participaram da votação, 1.760 rejeitaram a proposta, enquanto 28 foram favoráveis e 20 se abstiveram. Na votação específica sobre a paralisação de 24 horas, 1.709 votaram a favor, 32 contra e 67 optaram pela abstenção. Em Minas Gerais, o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região participou da mobilização que resultou na paralisação desta quinta-feira. A adesão ocorre enquanto as entidades sindicais pressionam a representação dos bancos por avanços considerados essenciais pela categoria.
Embora o reajuste dos salários esteja entre os principais pontos da negociação, a pauta apresentada pelos bancários envolve outras questões que afetam diretamente a rotina dos trabalhadores. Entre as reivindicações estão aumento real dos salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e dos tíquetes, além da manutenção dos empregos e da interrupção do fechamento de agências, a categoria também cobra medidas relacionadas às condições de trabalho e à saúde dos empregados. Entre os temas estão o combate às metas consideradas abusivas pelos trabalhadores, melhores condições de trabalho e saúde e igualdade de oportunidades. A autoridade sindical afirma que não aceitará propostas sem “avanços concretos” nos assuntos considerados essenciais durante as negociações, outro ponto colocado entre as demandas é a defesa do trabalho flexível. A discussão ocorre dentro de um cenário de mudanças na organização do trabalho bancário, ao mesmo tempo em que os sindicatos buscam garantir direitos e condições consideradas adequadas para os empregados.
O movimento foi anunciado nesta segunda-feira (17), depois da rejeição da proposta apresentada durante as negociações. As tratativas continuaram nesta terça-feira (18) e quarta-feira (19), mas não houve acordo suficiente para impedir a paralisação programada para esta quinta-feira, a expectativa informada pelo sindicato é de que as negociações com a Fenaban sejam retomadas na próxima segunda-feira (24). O objetivo será buscar uma nova proposta que possa atender às reivindicações apresentadas pela categoria e abrir caminho para um entendimento entre trabalhadores e instituições financeiras. A Fenaban, entidade que representa os bancos nas negociações trabalhistas, informou à CNN Brasil que espera alcançar um acordo entre as partes. Em nota, a federação declarou: “A Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), que representa há 34 anos os bancos nas negociações trabalhistas, recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.”
A paralisação coloca em evidência uma negociação que envolve não apenas a definição de reajustes, mas também questões relacionadas à estrutura do trabalho bancário. Para os sindicatos, temas como fechamento de agências, manutenção dos postos de trabalho, metas, saúde e igualdade de oportunidades precisam fazer parte de um acordo que contemple as reivindicações da categoria. Por outro lado, a Fenaban sustenta que as negociações seguem o cronograma estabelecido e manifesta expectativa de chegar a um entendimento satisfatório. Com a paralisação iniciada nesta quinta-feira, o próximo passo indicado pelas entidades sindicais será a retomada das conversas na segunda-feira (24). Assim, o movimento dos bancários entra em uma nova etapa justamente no momento em que as duas partes ainda buscam construir um acordo. A duração inicial prevista é de pelo menos 24 horas, enquanto o resultado das próximas rodadas de negociação poderá definir os rumos da mobilização da categoria em Minas Gerais e nos demais estados envolvidos.






