Urna eletrônica completa 30 anos e consolida nova era da democracia brasileira

Sistema implantado em 1996 revolucionou a votação no Brasil, reduziu o tempo de apuração, eliminou fraudes típicas do voto em papel e se tornou um dos principais símbolos da modernização da Justiça Eleitoral

Publicado por: Redação Divinews

Há 30 anos, o Brasil dava um passo decisivo para fortalecer sua democracia com a implantação da urna eletrônica. Introduzido pela Justiça Eleitoral em 1996, o sistema informatizado transformou completamente o processo de votação e apuração, substituindo um modelo marcado por lentidão, vulnerabilidades e fraudes recorrentes. Três décadas depois, a tecnologia é considerada um patrimônio nacional e segue em constante evolução para garantir segurança, transparência, adaptabilidade e acessibilidade aos mais de 158 milhões de eleitores que participarão das Eleições Gerais de 2026.

A implantação da urna eletrônica representou uma das maiores mudanças já realizadas no sistema eleitoral brasileiro. Desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral, o equipamento modernizou todas as etapas da votação, permitindo que os resultados passassem a ser conhecidos poucas horas após o encerramento das eleições, ao longo desses 30 anos, novas tecnologias foram incorporadas ao sistema para ampliar a proteção dos dados, reforçar mecanismos de auditoria e garantir que a evolução da segurança da informação acompanhasse as transformações da sociedade digital.

Continua depois da publicidade

Em 2026, quando a urna eletrônica completa três décadas de existência, a Justiça Eleitoral prepara mais uma grande operação eleitoral, reafirmando a confiança em um sistema que mudou definitivamente a forma como os brasileiros escolhem seus representantes.

O secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, destaca que mais de 158 milhões de brasileiras e brasileiros participarão das Eleições Gerais de outubro para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais e deputados distritais. “Os eleitores podem ter a segurança de que o voto registrado na urna eletrônica é exatamente o voto considerado na apuração”, afirmou Valente.

Segundo o secretário, a comemoração dos 30 anos também representa o reconhecimento de um projeto que se consolidou como um marco da democracia brasileira.”É um ano em que celebramos os 30 anos da urna eletrônica, responsável pela implantação do processo eleitoral informatizado no Brasil. São três décadas de um projeto absolutamente bem-sucedido. Podemos afirmar que a urna eletrônica é um patrimônio da sociedade e da nação brasileira. Um orgulho nacional”, declarou.

Três décadas de transformação eleitoral

Antes da informatização, o processo eleitoral brasileiro utilizava cédulas de papel e enfrentava diversos problemas que comprometiam a confiabilidade das eleições. Desde o período imperial até a consolidação da Justiça Eleitoral, eram frequentes denúncias de manipulação, adulteração de votos, coação de eleitores e interferências durante a apuração,entre os esquemas conhecidos estavam práticas como urna grávida, roubo de urnas, voto formiguinha, eleitor fósforo, fraude cantada e mapismo. Todas essas modalidades exploravam fragilidades existentes no modelo manual, desde a preparação do material até a contagem final dos votos.

De acordo com Júlio Valente, a informatização eliminou vulnerabilidades que existiam nas etapas de coleta, armazenamento e apuração dos votos. “A urna eletrônica permitiu digitalizar etapas críticas do processo eleitoral e eliminar fragilidades que existiam no modelo manual. Um projeto bem-sucedido, 30 anos e nenhuma única prova ou evidência de fraude ocorreu nas etapas que envolvem o processo eleitoral brasileiro realizado pela urna eletrônica. Conseguimos libertar a nação brasileira desse triste histórico e agora o cidadão vota com a certeza de que a sua voz é respeitada e de que o seu voto vai ser contabilizado no resultado final”, afirmou.

Ao longo dessas três décadas de utilização do voto eletrônico, não houve comprovação de fraude capaz de alterar resultados eleitorais produzidos pelas urnas eletrônicas. Além disso, os sistemas eleitorais passaram por sucessivos processos de auditoria, fiscalização e testes independentes antes de cada eleição, permitindo avaliações técnicas permanentes e o aperfeiçoamento contínuo das soluções adotadas pela Justiça Eleitoral.

Continua depois da publicidade
Apuração rápida e eficiente

Outra grande mudança promovida pela urna eletrônica foi a velocidade na divulgação dos resultados, antes de 1996, a contagem dos votos podia levar dias ou até semanas. O preenchimento incorreto das cédulas, votos anulados por erros formais e tentativas de manipulação durante a contagem eram problemas recorrentes. Com a informatização, o processo tornou-se mais simples tanto para os eleitores quanto para a administração eleitoral. A totalização passou a ocorrer de forma automatizada, permitindo que os resultados fossem conhecidos poucas horas após o encerramento da votação.

Inclusão ampliou o acesso ao voto

A evolução da urna eletrônica também permitiu ampliar significativamente os recursos de acessibilidade. Hoje, pessoas com deficiência visual, dificuldades de locomoção e outros públicos que necessitam de atendimento especializado contam com ferramentas desenvolvidas para garantir autonomia no momento da votação.

Entre os recursos disponíveis estão: Teclado numérico com disposição semelhante à dos telefones,  teclas em braile e com retorno sonoro, saída de áudio para utilização de fones de ouvido, cadastro de nome fonético das candidaturas, sintetizador de voz para leitura das teclas digitadas e dos nomes dos candidatos,  intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) exibido na tela durante todo o processo de votação.

Segurança baseada em múltiplas camadas

A segurança do sistema eleitoral brasileiro é resultado de sucessivos aperfeiçoamentos tecnológicos realizados ao longo dos últimos 30 anos. Segundo Júlio Valente, o processo eletrônico de votação é hígido, transparente e auditável, oferecendo mais de 40 oportunidades de auditoria durante cada ciclo eleitoral. Além disso, diversas instituições exercem fiscalização permanente sobre os sistemas eleitorais, conforme previsto na Resolução TSE nº 23.673/2021.

Entre os mecanismos utilizados pela Justiça Eleitoral estão: Assinatura digital dos sistemas, lacração oficial dos programas, criptografia dos dados, testes Públicos de Segurança (TPS), fiscalização por partidos políticos, federações, coligações, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, Congresso Nacional e entidades da sociedade civil.

Tecnologia em constante evolução

A Justiça Eleitoral afirma que a atualização permanente faz parte da estratégia de segurança do sistema eletrônico. “A cada ano são feitas melhorias ou no software ou no hardware da urna eletrônica. Para isso, contamos com a própria sociedade brasileira que se faz representar por meio das entidades fiscalizadoras e por meio das investigadoras e dos investigadores que atuam no teste público de segurança”, destacou Júlio Valente.

Desde o ciclo eleitoral iniciado em 2022, o modelo UE2020 passou a oferecer capacidade de processamento 18 vezes superior à geração anterior, além de tela sensível ao toque para o terminal do mesário e certificação criptográfica baseada nos padrões da ICP-Brasil. Também foram realizados os Testes Públicos de Segurança (TPS) em 2021, 2023 e 2025. O período de acesso ao código-fonte foi ampliado para 12 meses, enquanto arquivos essenciais, como Boletins de Urna (BUs), RDVs e logs, passaram a ser disponibilizados em tempo real.

Na área de acessibilidade, o sistema ganhou voz sintetizada mais natural, intérprete de Libras integrado e simplificação da identificação do eleitor. Segundo a Justiça Eleitoral, todas essas melhorias reforçam um conjunto de procedimentos técnicos e jurídicos destinados a assegurar que o voto registrado seja exatamente o voto contabilizado, preservando simultaneamente o sigilo da escolha do eleitor.

Um patrimônio da democracia brasileira

Ao completar 30 anos, a urna eletrônica representa muito mais do que um equipamento utilizado nas eleições, ela simboliza a informatização do processo eleitoral brasileiro, a busca permanente por inovação e o compromisso da Justiça Eleitoral com eleições céleres, transparentes e seguras. Durante essas três décadas, milhões de brasileiros exerceram seu direito ao voto utilizando uma tecnologia desenvolvida no país. Nesse período, foram realizadas sete eleições presidenciais com utilização da urna eletrônica, além da escolha de milhares de governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, após três décadas de aperfeiçoamentos contínuos, a urna eletrônica permanece como um dos principais instrumentos da democracia brasileira, refletindo o investimento permanente em tecnologia, segurança, transparência e respeito à vontade soberana do eleitor.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados