Ex-prefeito de Divinópolis,. Gleidson Azevedo, afirma viver um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política, pede apoio popular para garantir a candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas e diz que também pode abandonar a disputa eleitoral
A crise política envolvendo a pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao Governo de Minas Gerais ganhou um novo e significativo capítulo nesta quinta-feira (30). Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, revelou que está pensando em desistir da candidatura a deputado federal e até mesmo abandonar a política. O desabafo ocorre após a nota divulgada pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e em meio à indefinição sobre a candidatura do irmão ao Palácio Tiradentes.
Visivelmente emocionado, Gleidson iniciou o vídeo afirmando que os últimos dias têm sido difíceis para a família e para o grupo político liderado por Cleitinho.
“Esses dias não estão sendo fáceis, não. Sinceramente, eu estou pensando em não ser mais candidato a deputado federal e largar a política”, declarou.
Na sequência, ele reproduz um vídeo em que Cleitinho reafirma que continua pré-candidato ao Governo de Minas e faz um apelo para que os mineiros não desistam do projeto político defendido pelo grupo.
“Por que não deixam o Cleitinho ser candidato?”
Durante a gravação, Gleidson questiona o que considera resistência à candidatura do irmão.
Segundo ele, Cleitinho reúne características que justificariam sua participação na disputa: liderança nas pesquisas de intenção de voto, forte identificação popular e a decisão anunciada de não utilizar recursos do fundo eleitoral.
“Por que um cara simples, do povo, que está liderando as pesquisas e que não vai usar fundo eleitoral não pode ser candidato a governador?”, questiona.
O ex-prefeito também afirma que existe uma tentativa de impedir a candidatura do senador e convoca os mineiros a compartilharem o vídeo nas redes sociais.
Gleidson cita nominalmente o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, e o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, pedindo sensibilidade para rever a situação.
Segundo ele, a mobilização popular pode ser decisiva para que o partido confirme Cleitinho como candidato ao Governo de Minas.
“O que o meu irmão tem de verdade é vocês, o povo”, afirma.
Nota do Republicanos amplia crise
O vídeo foi publicado poucas horas depois da divulgação de uma nota assinada pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que provocou forte repercussão no cenário político mineiro ao tratar da definição da candidatura ao Governo de Minas.
A manifestação aumentou as incertezas sobre o futuro político de Cleitinho e provocou reações imediatas entre aliados, parlamentares e apoiadores.
Embora Cleitinho continue afirmando publicamente que permanece pré-candidato ao Governo de Minas, a posição divulgada pela direção nacional do partido intensificou o debate sobre os rumos da legenda nas eleições de 2026.
Possível efeito dominó
A crise pode ir muito além da candidatura de Cleitinho.
Segundo informações divulgadas pela Jovem Pan, com base em fontes próximas ao senador ouvidas sob reserva, a decisão do Republicanos poderá provocar um efeito dominó dentro da legenda em Minas Gerais.
De acordo com a reportagem, além de Gleidson Azevedo, pelo menos outros dez pré-candidatos a deputado estadual e deputado federal ligados politicamente a Cleitinho estudam retirar seus nomes da disputa caso o senador não seja confirmado como candidato ao Governo de Minas.
Ainda conforme as informações, esse eventual esvaziamento poderá enfraquecer politicamente o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, na disputa por votos dentro da legenda, abrindo espaço para que outros candidatos do partido, entre eles Eduardo Cunha, ampliem sua votação proporcional em Minas Gerais.
Até o momento, essas possíveis desistências não foram oficializadas pelos envolvidos.
Relembre
A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho ocorre em um momento particularmente delicado para a família Azevedo.
No início deste mês, a morte de Matheus Azevedo, irmão de Cleitinho, Gleidson e Eduardo Azevedo, provocou forte comoção em Divinópolis e em todo o estado. O período de luto levou ao cancelamento de compromissos políticos e afastou temporariamente o senador das articulações eleitorais.
O próprio Gleidson afirma que esse momento familiar contribuiu para que Cleitinho não participasse de um encontro promovido pelo Republicanos no último sábado, considerado estratégico para a definição das candidaturas da legenda. Segundo ele, a ausência ocorreu porque o senador optou por permanecer ao lado da família durante o luto.
Nos últimos meses, Cleitinho também vem adiando o anúncio oficial de sua candidatura ao Governo de Minas. Apesar de reafirmar em diversas ocasiões que pretende disputar o Palácio Tiradentes e de aparecer entre os principais nomes nas pesquisas de intenção de voto, a oficialização de seu projeto político vem sendo sucessivamente postergada em razão das articulações internas do Republicanos.
Agora, com a nota da direção nacional do partido e a reação pública de Gleidson Azevedo, a crise ganha novos contornos e pode provocar reflexos importantes na composição das chapas proporcionais e na estratégia eleitoral do Republicanos em Minas Gerais.
Enquanto a definição não acontece, aliados intensificam a mobilização para pressionar a direção da legenda, e Gleidson deixa claro que seu próprio futuro político poderá depender do desfecho da candidatura do irmão.






