A Nota Oficial divulgada nesta terça-feira (29) pelo Republicanos de Minas Gerais representa um dos movimentos políticos mais importantes da pré-campanha ao Governo do Estado. Embora o documento não afirme, de forma literal, que o senador Cleitinho Azevedo desistiu da disputa pelo Palácio Tiradentes, deixa claro que o partido considera encerrado o projeto de lançá-lo como candidato da legenda. Ao mesmo tempo, a Executiva Estadual constrói uma narrativa segundo a qual a responsabilidade por esse desfecho recai sobre a ausência de uma decisão formal do próprio senador – Irmão do senador, Eduardo Azevedo informou ao Divinews não estar conseguindo falar com Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas.
Assinada pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Euclydes Pettersen, e respaldada pela Executiva Nacional, a nota afirma que o Republicanos trabalhou durante meses para viabilizar a candidatura de Cleitinho, mantendo diálogo com partidos aliados, oferecendo as condições políticas necessárias e adiando decisões estratégicas à espera de uma definição. Segundo o partido, esse compromisso, porém, nunca foi correspondido pelo senador.
Partido diz que esteve pronto, mas candidatura nunca foi formalizada
O ponto central do documento está na tese defendida pelo Republicanos de que a candidatura jamais foi oficialmente assumida por Cleitinho. A nota afirma que uma disputa majoritária exige, antes de tudo, uma decisão firme do próprio candidato e sustenta que isso nunca ocorreu.
Ao longo do texto, a legenda utiliza expressões como “sinais contraditórios”, “sucessivos recuos” e “indefinições”, afirmando que essas circunstâncias acabaram comprometendo a construção de um projeto coletivo. O trecho considerado mais contundente resume essa posição:
“O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.”
Com essa afirmação, o Republicanos procura deixar claro que, na avaliação da direção estadual, a inviabilização da candidatura decorreu da ausência de uma manifestação definitiva do senador.
Nota não fala em desistência de Cleitinho
Apesar do tom firme, o documento evita utilizar uma palavra que muitos esperavam encontrar: desistência. Em nenhum momento a nota afirma que Cleitinho comunicou oficialmente que não disputará o Governo de Minas ou que retirou sua candidatura.
Também não informa que o senador será candidato a outro cargo ou que rompeu politicamente com o Republicanos. Do ponto de vista literal, o texto limita-se a afirmar que a candidatura “nunca foi formalmente assumida” pelo parlamentar.
Essa diferença é relevante sob o aspecto jornalístico. Desistir de uma candidatura pressupõe que ela tenha sido formalmente assumida e posteriormente retirada. Já a narrativa construída pelo Republicanos sustenta justamente o contrário: que essa formalização jamais ocorreu.
Republicanos também comunica uma decisão política
Se, por um lado, a nota atribui ao senador a responsabilidade pelo impasse, por outro também deixa claro que o próprio partido tomou uma decisão.
Isso aparece no trecho em que afirma que, diante da ausência de confirmação da candidatura, “partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos”.
Na prática, essa passagem indica que o Republicanos decidiu encerrar a espera por uma definição de Cleitinho e reorganizar sua estratégia eleitoral.
O encerramento do texto reforça essa conclusão ao afirmar: “Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.”
A leitura política é clara: o Republicanos comunica que o projeto de lançar Cleitinho ao Governo de Minas pela legenda foi encerrado.
Bastidores apontavam cenário diferente
A nota, entretanto, contrasta com as informações obtidas pelo Divinews nas últimas semanas. Sempre que surgiam notícias na chamada grande imprensa indicando que Cleitinho teria desistido da disputa ou estaria fora da corrida ao Governo de Minas, interlocutores do senador que mantêm contato direto com ele procuravam o Divinews para desmentir essas versões.
Segundo essas fontes, até então não havia qualquer decisão definitiva do parlamentar, e o projeto político permanecia sendo disputar o Governo de Minas.
Nos bastidores, a intenção era construir uma chapa tendo Cleitinho como candidato ao Palácio Tiradentes e o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão Ferreira, o Falcão, como candidato a vice-governador. Essas informações, contudo, sempre foram tratadas como relatos de pessoas próximas ao senador, enquanto a nota divulgada pelo Republicanos representa o posicionamento oficial da legenda.
Cenário político permanece aberto
Embora o Republicanos tenha deixado claro que considera encerrado o projeto de candidatura de Cleitinho pela legenda, o documento não declara expressamente que o senador está fora da disputa pelo Governo de Minas.
Assim, sob uma leitura estritamente literal, a nota fecha as portas da candidatura dentro do Republicanos, mas não equivale, por si só, a uma manifestação oficial de desistência feita pelo próprio Cleitinho.
A partir de agora, a expectativa do meio político passa a se concentrar em um eventual pronunciamento do senador, que poderá confirmar, contestar ou esclarecer os próximos passos de seu projeto eleitoral.
Nota na íntegra do Republicanos
Republicanos divulga nota sobre candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas Gerais
Em comunicado conjunto, as executivas estadual e nacional afirmam que a candidatura não foi formalmente assumida pelo senador até a Convenção Estadual
Publicado em 29/7/2026 – 10:36
O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.
Republicanos de Minas Gerais
Executiva Estadual
Republicanos
Executiva Nacional






