Um furto ocorrido na noite de sábado (11), em Divinópolis, chama atenção não apenas pela ação dos suspeitos, mas pela forma como o veículo foi retirado do local sem despertar a desconfiança de quem transitava por uma das vias mais movimentadas da cidade. Uma caminhonete foi levada de ré, com o pisca-alerta ligado, pela Rua Rio de Janeiro, enquanto carros passavam normalmente pelo trecho.
O veículo estava estacionado em frente a uma empresa localizada na Rua Pedro de Oliveira, número 730, no bairro L. P. Pereira. Conforme o relato encaminhado ao Divinews, o proprietário trabalhava dentro do estabelecimento e não conseguiu ver os suspeitos chegarem
A ação aconteceu por volta das 18h35. O trabalhador somente descobriu o furto às 21h, quando encerrou as atividades, desligou as máquinas e saiu da empresa para ir embora, por volta das 21h
“Quando ele chegou do lado de fora da empresa, viu que a caminhonete não estava lá. Foi quando puxaram as câmeras e descobriram o horário e a forma como eles levaram”, relatou a esposa da vítima.
Câmeras registraram ação de dois suspeitos
As imagens de segurança mostram a atuação de pelo menos dois homens. Segundo as informações obtidas pelo Divinews, um deles entrou embaixo da caminhonete e teria atuado para desativar o sistema de segurança do veículo.
Enquanto isso, o outro suspeito permaneceu na direção, preparado para conduzir a caminhonete assim que fosse possível movimentá-la.
O Divinews conseguiu obter uma imagem do homem que aparece entrando debaixo do veículo. O registro poderá ajudar no trabalho de identificação, mas, até a conclusão da investigação, ele deve ser tratado como suspeito.
A imagem mostra o homem usando roupas escuras. As circunstâncias exatas da desativação do sistema e o método usado para colocar o veículo em movimento deverão ser esclarecidos pela polícia.
Caminhonete foi levada de ré e com o pisca-alerta acionado
Depois da ação inicial, os suspeitos fizeram a caminhonete descer de ré pela Rua Pedro de Oliveira. O veículo estava aparentemente desligado e seguiu até o encontro com a Rua Rio de Janeiro, onde seguiu descendo de ré.
A caminhonete então entrou de ré na via, nas proximidades da Dimecol e da unidade da ArcelorMittal, e continuou descendo com o pisca-alerta ligado.
“Eles desceram de ré, com ela desligada, entraram na Rio de Janeiro e foram descendo. Como o furto aconteceu às 18h35 e meu marido só percebeu às 21h, eles tiveram quase duas horas para conseguir fazer o veículo funcionar e levá-lo”, contou a mulher.
A Rua Rio de Janeiro registra circulação constante de automóveis. Mesmo no trecho mais afastado do Centro, próximo ao acesso à rodovia, o fluxo de veículos torna ainda mais incomum a cena de uma caminhonete percorrendo a via de ré e com o pisca-alerta acionado.
Ninguém desconfiou da movimentação
O ponto mais surreal da ocorrência está justamente na aparente normalidade com que a situação foi recebida por quem passava pelo local.
As imagens mostram outros automóveis transitando pela via e pela rotatória enquanto a caminhonete seguia de ré. Nenhum motorista aparentemente parou ou demonstrou estranhamento.
É possível que algumas pessoas tenham imaginado que o veículo apresentava defeito mecânico ou estava sendo retirado de uma situação de emergência. Também é compreensível que ninguém queira se expor diretamente diante de uma situação potencialmente perigosa.
Entretanto, o episódio levanta uma reflexão sobre a normalização de comportamentos estranhos nas cidades. Em meio à pressa, ao medo e à rotina, cenas incomuns podem passar despercebidas ou serem simplesmente ignoradas.
“Hoje o mundo está tão complicado que a gente vê uma cena dessas e não pode nem parar para perguntar se a pessoa precisa de ajuda. Talvez as pessoas tenham visto e não tenham parado. Mas como ninguém desconfia?”, questionou a esposa da vítima.
Alerta não significa confronto
A família reforçou que ninguém deve enfrentar suspeitos ou colocar a própria segurança em risco. No entanto, comportamentos incomuns podem ser comunicados imediatamente à Polícia Militar pelo telefone 190.
Uma caminhonete andando de ré por uma via movimentada, com o pisca-alerta ligado, especialmente durante vários metros, poderia ter motivado ao menos uma ligação para informar a movimentação suspeita.
“Que isso sirva de alerta para as pessoas. Quando virem alguma coisa suspeita, podem desconfiar e ligar para a polícia para falar que observaram uma situação estranha”, afirmou.
A recomendação não é abordar os envolvidos, bloquear o veículo ou iniciar qualquer perseguição. A atitude segura consiste em manter distância, observar características que possam ajudar e acionar as autoridades.
Intervalo deu vantagem aos envolvidos
O período entre o furto e a descoberta também favoreceu a fuga. Como o proprietário estava trabalhando dentro da empresa, passaram-se aproximadamente duas horas e meia até que ele percebesse o desaparecimento.
Nesse intervalo, os suspeitos teriam conseguido retirar o veículo do local, deslocá-lo inicialmente sem o motor funcionando e, posteriormente, encontrar uma forma de colocá-lo em funcionamento.
Não foram divulgadas informações sobre o modelo, a placa ou a localização atual da caminhonete. Também não havia, até a elaboração desta reportagem, confirmação de recuperação do veículo ou identificação formal dos envolvidos.
A ocorrência se soma a outros casos de furtos e roubos de veículos investigados em Divinópolis. Em maio, uma operação das forças de segurança teve como alvo uma organização suspeita de atuar em furtos, roubos, adulteração e receptação de veículos na região.
O Divinews também noticiou recentemente uma ação que resultou na recuperação de veículos furtados durante uma ofensiva policial na cidade.
Sensação de impotência
Embora a caminhonete tenha seguro, a família relata uma sensação de impotência diante das imagens da ação.
“A caminhonete tem seguro e, se Deus quiser, a seguradora vai nos ressarcir. Mas a sensação de você não poder fazer nada e depois assistir à cena é muito triste”, desabafou a mulher.
O prejuízo financeiro poderá ser amenizado pelo seguro, mas a invasão da rotina, a insegurança e a percepção de vulnerabilidade permanecem.
Casos semelhantes afetam não apenas as vítimas diretas, mas também comerciantes e moradores da região. O Divinews já mostrou situações em que moradores denunciaram uma sequência de furtos e o aumento da insegurança em outros bairros de Divinópolis.
Imagens podem auxiliar investigação
Os registros das câmeras de segurança se tornaram as principais evidências disponíveis sobre a dinâmica do furto. As imagens mostram a aproximação, a atuação do suspeito debaixo da caminhonete e a retirada do veículo.
O material deverá ser entregue às autoridades para auxiliar na identificação dos envolvidos e na reconstrução do trajeto percorrido.
A situação também reforça a importância da preservação das gravações feitas por estabelecimentos e residências próximos. Câmeras instaladas ao longo da Rua Pedro de Oliveira, da Rua Rio de Janeiro e dos acessos seguintes poderão mostrar para onde a caminhonete foi levada.
Qualquer pessoa que tenha presenciado a movimentação ou possua imagens do veículo deve procurar a Polícia Militar. Informações precisam ser repassadas às autoridades, sem exposição ou tentativa de abordagem dos suspeitos.
O episódio deixa uma imagem difícil de compreender: um veículo sendo furtado, deslocado de ré, com o pisca-alerta acionado, em meio ao trânsito de Divinópolis, enquanto a cidade continuava seguindo sua rotina como se nada de incomum estivesse acontecendo.







