Exclusiva: Jarbas Soares (PSB) diz ao Divinews que governo Zema e Mateus “já acabou, já exauriu” e defende nova direção para Minas

Ex-procurador-geral de Justiça e pré-candidato ao Governo de Minas concedeu entrevista exclusiva ao Divinews, criticou duramente a atual administração estadual, afirmou que o modelo de gestão está esgotado e comentou a possibilidade de convergência política com Cleitinho Azevedo

Publicado por: Geraldo Passos

O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSB, Jarbas Soares Júnior, afirmou em entrevista exclusiva ao Divinews neste último sábado (11), que o ciclo político liderado por Romeu Zema e Mateus Simões chegou ao fim. Segundo ele, o atual governo “já acabou”, “já exauriu” e não representa mais o caminho que Minas Gerais precisa seguir. Ao mesmo tempo, Jarbas adotou um discurso conciliador em relação ao senador Cleitinho Azevedo, reconhecendo sua força política e afirmando manter um bom relacionamento com o parlamentar.

A entrevista foi concedida durante a passagem de Jarbas por Divinópolis no último sábado. Embora sua visita estivesse relacionada a outro compromisso político, o Divinews direcionou a conversa para o cenário estadual e para os desafios de Minas Gerais.

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“Precisamos virar a página”

Jarbas fez a crítica mais contundente da entrevista ao avaliar o governo de Romeu Zema e do vice-governador Mateus Simões. Para o pré-candidato, o modelo implantado nos últimos anos esgotou sua capacidade de oferecer respostas aos problemas do Estado.

“É uma frente ampla, que nós possamos chegar ao Palácio da Liberdade, virar a página do governo Zema Mateus, que é o governo que já acabou, já exauriu, não tem sentido mais continuar. Nós precisamos apresentar novos caminhos para Minas Gerais“, declarou.

A frase sintetiza a linha que Jarbas pretende adotar durante a campanha. Em vez de concentrar críticas apenas em pontos específicos da administração estadual, ele sustenta que Minas precisa iniciar um novo ciclo político.

“Vamos descobrir o que existe por trás desse governo eficiente”

Outra declaração chamou atenção ao colocar em dúvida uma das principais marcas da atual gestão. Jarbas criticou a estratégia de comunicação do governo e afirmou que o discurso da eficiência precisa ser confrontado com resultados concretos.

“Nós não podemos mais continuar com essa política que o mais importante é gravar um vídeo. Nós temos uma política muito concreta, de pés no chão. Vamos descobrir o que está por trás desse tal governo eficiente de Minas Gerais para dizer à população o que nós vamos apresentar efetivamente“, afirmou.

A declaração representa uma das críticas mais incisivas feitas até agora pelo pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Ao mencionar que pretende descobrir “o que está por trás” do discurso de eficiência, Jarbas sinaliza que sua campanha deverá confrontar indicadores, resultados e prioridades da atual administração estadual.

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Segurança, dívida e desenvolvimento

Ao explicar por que decidiu disputar o Governo de Minas após quatro mandatos à frente do Ministério Público, Jarbas afirmou que percebeu a necessidade de apresentar uma alternativa para o Estado.

Segundo ele, Minas enfrenta desafios estruturais que exigem uma nova condução administrativa. Entre as prioridades citadas estão o enfrentamento da dívida fiscal, investimentos em infraestrutura e mobilidade, fortalecimento da saúde e da educação, políticas voltadas às pessoas com deficiência e o combate ao crime organizado.

“Nós temos uma proposta para a equação da dívida fiscal do Estado de Minas Gerais, para o desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, infraestrutura, mobilidade e também para reforçar o combate ao crime organizado, sobretudo restabelecendo o poder de investigação da Polícia Civil”, afirmou.

“Nunca fui político”

Jarbas também explicou por que resolveu ingressar na disputa eleitoral depois de décadas dedicadas exclusivamente ao Ministério Público. Segundo ele, convites para disputar eleições ocorreram ao longo de mais de dez anos, mas somente agora decidiu aceitar.

“Eu não sou político, nunca fui filiado em nenhum partido político. Há mais de dez anos os partidos me convidam para disputar eleição para governador, prefeito de Belo Horizonte e senador. Agora, depois de exercer quatro mandatos à frente do Ministério Público de Minas Gerais, vi a oportunidade de apresentar uma alternativa para Minas Gerais“, declarou.

Relação cordial com Cleitinho

Se em relação ao governo Zema o discurso foi de forte oposição, ao falar do senador Cleitinho Azevedo o tom foi completamente diferente. Jarbas fez questão de reconhecer a importância política do parlamentar e destacou que mantém uma boa relação pessoal com ele.

“Aqui em Divinópolis, felizmente, nós temos bons nomes, o senador Cleitinho, o deputado federal Domingos Sávio, a deputada Lohanna e agora também a Flávia Castro. É uma cidade que está no centro do debate porque tem um pré-candidato ao Senado e um possível candidato ao Governo“, afirmou.

Na sequência, revelou uma curiosidade sobre sua visita à cidade.

“Eu, particularmente, tenho um relacionamento muito bom com o senador Cleitinho. Até pedi licença para poder vir na cidade dele“, disse, em tom descontraído.

A fala demonstra respeito político entre dois possíveis adversários na disputa pelo Palácio Tiradentes.

“Se pudermos convergir, melhor”

Mesmo sendo pré-candidatos ao mesmo cargo, Jarbas não fechou as portas para futuras convergências políticas. Ao contrário, afirmou que o interesse maior deve ser Minas Gerais.

“Se nós pudermos convergir com todo mundo, melhor. Se não, aqueles que caminharão no caminho que o PSB quer para Minas Gerais, é uma frente ampla“, declarou.

A declaração mostra que o ex-procurador procura construir uma candidatura sem ataques pessoais aos demais pré-candidatos. Enquanto direciona suas críticas ao atual governo estadual, mantém uma postura de diálogo em relação às demais lideranças políticas.

Minas entra definitivamente em clima eleitoral

As declarações concedidas ao Divinews mostram que Jarbas Soares pretende transformar a avaliação do governo Zema em um dos principais eixos de sua campanha.

Ao afirmar que o governo “já acabou”, que “já exauriu” e que “não tem sentido mais continuar”, o pré-candidato procura convencer o eleitor de que Minas precisa iniciar um novo ciclo administrativo.

Ao mesmo tempo, evita transformar adversários como Cleitinho Azevedo em inimigos políticos. Pelo contrário, reconhece sua importância para Divinópolis, elogia a liderança do senador e afirma manter uma relação respeitosa com ele.

Esse posicionamento revela uma estratégia diferente da polarização tradicional. Jarbas procura concentrar o confronto político na gestão estadual, enquanto deixa aberta a possibilidade de diálogo com outras lideranças que compartilhem, segundo ele, o objetivo de construir “novos caminhos para Minas Gerais”.

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