A deputada estadual Lohanna França cobrou explicações do senador Cleitinho Azevedo após ele afirmar que teria recebido oferta de dinheiro para não disputar o Governo de Minas. Em manifestação encaminhada ao Divinews, a parlamentar disse que a declaração é grave, precisa ser investigada e não pode ficar apenas no campo político ou das redes sociais.
A cobrança ocorre depois de Cleitinho afirmar que um político de Divinópolis teria oferecido dinheiro para que ele não fosse candidato ao Governo de Minas. Segundo reportagem do Metrópoles, o senador disse ter recebido oferta em dinheiro para desistir de eventual candidatura ao Palácio Tiradentes, mas não apresentou provas da acusação nem revelou quem teria feito a proposta.
Lohanna cobra nome do político citado
No conteúdo encaminhado ao Divinews, Lohanna França questionou diretamente quem seria o político de Divinópolis mencionado por Cleitinho. Ela afirmou: “Eu gostaria de saber e perguntar qual foi o político de Divinópolis que ofereceu dinheiro para que o senador Cleitinho não fosse candidato a governador”.
A deputada também destacou que, segundo o próprio senador, o episódio teria ocorrido dentro de um carro, com música alta, por receio da pessoa envolvida na conversa. Para Lohanna, esse detalhe aumenta a gravidade da declaração e exige apuração formal.
“Veja a seriedade do que o senador Cleitinho disse”, afirmou a parlamentar.
A fala reacende o debate sobre os movimentos de Cleitinho Azevedo em direção à disputa pelo Governo de Minas, tema que já vinha movimentando partidos, aliados e adversários no cenário estadual.
Deputada fala em possível abuso de poder econômico
Lohanna afirmou que a acusação feita por Cleitinho precisa ser levada aos órgãos de investigação. Segundo ela, seu mandato pretende noticiar a Polícia Civil e o Tribunal Eleitoral para que o caso seja apurado.
“Essa acusação é uma acusação que precisa ser reportada aos órgãos de investigação e é isso que o nosso mandato vai fazer. Eu vou noticiar tanto a Polícia Civil quanto o Tribunal Eleitoral para que a gente tenha condições de saber, porque isso no mínimo configuraria abuso de poder econômico”, disse.
A parlamentar sustentou que uma eventual tentativa de retirar uma candidatura mediante pagamento não pode ser tratada como simples bastidor eleitoral. Na avaliação dela, o caso envolve possível interferência indevida no processo político.
Pré-candidatura de Cleitinho segue cercada de dúvidas
A fala de Cleitinho ocorre em meio a indefinições sobre sua eventual candidatura ao Governo de Minas em 2026. O senador já apareceu como nome competitivo no cenário estadual, mas também tem dado sinais públicos de dúvida sobre disputar ou não o cargo.
Em maio, o Jota registrou que Cleitinho dizia aguardar um “sinal espiritual” para definir sua candidatura em Minas, em meio a uma articulação envolvendo o PL mineiro e o Republicanos para o mesmo palanque no estado.
Lohanna também mencionou esse vaivém político. Para ela, Cleitinho tem o direito de ser ou não pré-candidato, mas não pode atribuir a alguém de Divinópolis uma tentativa de compra sem apresentar os devidos elementos.
“As pessoas têm todo o direito de serem ou de não serem pré-candidatas, de colocarem ou não colocarem seus nomes, seus corpos, suas almas e seus corações à disposição do povo mineiro”, afirmou.
Crítica política e cobrança por responsabilidade
A deputada também criticou a forma como Cleitinho tem tratado a possível candidatura. No documento, ela afirmou que o senador teria dito que entrou na política “para aparecer” e questionou se o recuo de uma eventual pré-candidatura estaria ligado ao tamanho dos problemas do Estado, às negociações políticas ou a outros motivos.
Lohanna citou a dívida de Minas e responsabilizou, em parte, o grupo político apoiado por Cleitinho. Ela afirmou que o senador apoiou por sete anos o governo de Romeu Zema e Mateus Simões, atual núcleo de poder no Estado.
“Seja porque percebeu o tamanho do problema da dívida do Estado, construída inclusive pelo governo que ele apoiou sete anos, do Zema e do Matheus Simões, seja porque ele percebeu que ele tem condições de negociar coisas maiores ou por qualquer outro motivo, o que ele não pode é atribuir de forma irresponsável alguém da cidade que ele veio à responsabilidade por tentar comprá-lo”, disse.
A crítica amplia o confronto entre dois nomes de Divinópolis que ocupam espaço no debate político estadual. De um lado, Cleitinho, senador e possível candidato ao Governo de Minas. De outro, Lohanna França, deputada estadual e uma das vozes mais críticas ao campo político ligado ao senador.
“As pessoas não tentam comprar quem não está à venda”
O trecho mais duro da manifestação veio quando Lohanna afirmou que “as pessoas não tentam comprar quem não está à venda”. A frase foi usada pela deputada como crítica direta à narrativa apresentada por Cleitinho.
“Até porque, Presidenta, vamos falar a verdade? As pessoas não tentam comprar quem não está à venda. Ninguém tenta acessar algo que não está numa vitrine”, declarou.
Na sequência, Lohanna reforçou a provocação: “Ninguém nunca tentou me comprar. As pessoas não tentam comprar quem não está à venda”.
A declaração aumenta o tom político da cobrança, mas também coloca o episódio em outro patamar. Para a deputada, se Cleitinho fez uma acusação dessa natureza, ele precisa indicar quem teria praticado a suposta oferta e permitir que as autoridades apurem os fatos.
Caso pode chegar à Polícia Civil e à Justiça Eleitoral
Ao anunciar que pretende levar o caso à Polícia Civil e ao Tribunal Eleitoral, Lohanna tenta transformar a declaração de Cleitinho em procedimento formal de apuração. A partir desse movimento, a cobrança deixa de ser apenas uma disputa verbal entre adversários políticos e passa a envolver instituições responsáveis por investigar eventuais irregularidades.
A deputada sustenta que a suposta tentativa de impedir uma candidatura com dinheiro poderia configurar abuso de poder econômico. Esse tipo de suspeita, quando ligado ao processo eleitoral, exige análise por órgãos competentes, especialmente porque envolve possível interferência na formação de candidaturas e na disputa democrática.
O episódio também ocorre em um momento de forte movimentação sobre as eleições 2026 em Minas Gerais, com partidos testando nomes, alianças e palanques para a sucessão estadual.
Cobrança mira a consequência da fala
A manifestação de Lohanna não se limita a criticar Cleitinho por uma declaração polêmica. Ela cobra consequência. Para a deputada, se o senador afirma que alguém tentou comprá-lo politicamente, essa informação precisa ser levada adiante com nome, contexto e apuração.
Até o momento, conforme a reportagem do Metrópoles, Cleitinho não revelou quem teria feito a suposta proposta nem apresentou provas públicas da acusação.
Com isso, a fala do senador produziu dois efeitos imediatos. Primeiro, reacendeu dúvidas sobre os bastidores de sua possível candidatura ao Governo de Minas. Segundo, abriu espaço para que adversários cobrem dele responsabilidade institucional diante de uma acusação que, se verdadeira, pode ter implicações eleitorais graves.
A partir da reação de Lohanna, o caso passa a ter novo capítulo. O senador será cobrado a explicar quem teria oferecido dinheiro, em que circunstâncias isso ocorreu e por que a denúncia ainda não foi formalizada. Para a deputada, a política não pode conviver com acusações graves lançadas ao público sem encaminhamento às autoridades.






