A consolidação da Festa da Luz como um dos maiores eventos de arte urbana do país ganhou um novo capítulo. Após atrair um público recorde de 300 mil pessoas em Belo Horizonte durante o mês de junho, a organização do festival confirmou que o projeto sairá em turnê pelo interior de Minas Gerais. Divinópolis está oficialmente integrada ao roteiro de apresentações, que visa descentralizar o acesso à cultura e democratizar a ocupação dos espaços públicos por meio da iluminação e da tecnologia.
Sob o conceito temático “O Brasil é América Latina”, a quinta edição do festival utilizou a capital mineira como um grande laboratório a céu aberto. Ao todo, a cidade recebeu 12 instalações inéditas, apresentações musicais e debates que integraram artistas locais e de outros países latinos. Diante do impacto positivo, a circulação estadual passará também por Diamantina, São João del-Rei, Sete Lagoas, Teófilo Otoni e Varginha. Embora o cronograma oficial de datas nas cidades polo ainda não tenha sido divulgado pela coordenação, a expectativa nos municípios selecionados já é alta.
Impacto turístico, segurança e aprovação popular
O modelo de negócios e o formato do festival demonstraram forte apelo econômico e social nas medições realizadas em Belo Horizonte. De acordo com dados preliminares coletados pelo instituto de pesquisa Quaest, o evento atingiu um índice de aprovação expressivo, com 92% dos entrevistados afirmando que recomendariam a experiência para terceiros. O quesito segurança pública também se destacou positivamente, sendo apontado como um fator de excelência por 86% dos frequentadores.
Além do retorno comunitário, a capacidade de atração turística da Festa da Luz ficou evidente nos indicadores de fluxo de visitantes. A amostragem da Quaest revelou que 21% do público participante era composto por pessoas residentes fora da capital. Esse perfil de consumo cultural sinaliza um impacto financeiro direto para o comércio, hotelaria e setor de serviços das cidades do interior que receberão a estrutura nos próximos meses.
Instalações tecnológicas e democratização da cultura
A estrutura do festival reúne uma série de suportes artísticos inovadores que interagem de forma direta com o patrimônio arquitetônico das cidades. Na última edição, os principais destaques foram as esculturas infláveis gigantes da obra “Filhos do Sopro”, assinada pela artista Fefê Talavera, e as intervenções botânicas do coletivo francês Spectaculaires com a obra “Dance Flowers”. Outra atração que mobilizou grande engajamento foi o videogame urbano “Planta Baixa: o lúdico arquitetado”, projetado em fachadas históricas, além das exibições de videomapping no Museu de Artes e Ofícios.
A proposta de interiorização é viabilizada pelo patrocínio da Cemig, que busca ampliar o investimento em práticas culturais fora do eixo metropolitano. Segundo Juliana Flores, diretora executiva artística do festival, o balanço final da última temporada superou as metas estabelecidas, configurando-se não apenas como a maior, mas também como a melhor edição da história do projeto. O início da montagem das estruturas em Divinópolis dependerá do alinhamento do cronograma logístico, que deve ser oficializado nas próximas semanas.






