A despedida coletiva das vítimas do acidente com o ônibus da equipe de basquete sub-19 transformou o luto em uma cena de profunda comoção em Juazeiro do Norte, na terça-feira (16). Em meio às homenagens, o relato do treinador sobrevivente expôs a dimensão humana da tragédia e emocionou moradores, familiares e atletas. Ainda com marcas dos ferimentos e poucas horas após deixar o hospital, o técnico Ricardo Lemos participou do velório visivelmente abalado.
Diante dos caixões dos jovens atletas, fez um desabafo que ecoou entre os presentes. Eu daria a minha vida pela dos meninos ali. A declaração resumiu o sentimento que tomou conta da cerimônia e ampliou o impacto de uma tragédia que interrompeu sonhos ligados ao esporte. O ônibus retornava de Sobral para Juazeiro do Norte quando tombou na CE-187, nas proximidades de Tauá, interior do Ceará. O acidente deixou 7 mortos, sendo 6 atletas e 1 integrante da comissão técnica.
Outras dezenas de ocupantes sofreram ferimentos e receberam atendimento médico. Ricardo relatou que, nos primeiros instantes após o tombamento, concentrou esforços para tentar retirar todos do veículo. Segundo o treinador, o próprio estado físico passou despercebido diante da urgência do momento. No primeiro momento, eu só quis salvar todo mundo, não vi que eu estava ferido.
Há cerca de 20 anos atuando de forma voluntária no basquete, o professor descreveu o impacto emocional da perda. Disse sentir o espírito abalado diante da ausência dos jovens que acompanhava dentro e fora das quadras. Entre as vítimas está Matheus Henrique Ferreira Martins, de 15 anos. O adolescente havia comemorado aniversário poucos dias antes do acidente e sonhava construir trajetória no esporte. Durante a despedida, familiares, amigos e moradores se reuniram em orações e homenagens. O silêncio, os abraços e as lágrimas deram o tom de uma cerimônia marcada pela tentativa de encontrar sentido diante da perda. Mais do que resultados esportivos, o velório coletivo revelou o vínculo construído entre equipe, famílias e comunidade. A tragédia deixou marcas que ultrapassam o esporte e permanecem na memória de quem acompanhou a despedida.






